Derrota ou libertação? Como os alemães veem o fim da Segunda Guerra. | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 08.05.2010
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Alemanha

Derrota ou libertação? Como os alemães veem o fim da Segunda Guerra.

Há 65 anos, a 8 de maio de 1945, as tropas alemãs capitulavam incondicionalmente. A guerra iniciada por Hitler chegava ao fim. Mas na Alemanha começava a discussão sobre se o país fora derrotado ou libertado.

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Wilhelm Keitel assina a capitulação em Berlim

Um dos discursos mais importantes, como também de maior efeito, em relação ao dia 8 de maio, foi o realizado em 1985 pelo então presidente da Alemanha Ocidental, Richard von Weizsäcker, por ocasião dos 40 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.

Weiszäcker, cujo pai trabalhara para os nazistas como vice-ministro no Ministério do Exterior até 1943, disse no Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, que aquele não seria na verdade "um dia de comemoração para nós alemães". Ele descreveu o período imediatamente posterior ao fim da guerra como um olhar em direção "ao abismo escuro do passado e, para frente, à incerteza de um futuro sombrio".

Entretanto, Weiszäcker enfatizou logo em seguida o extenso significado da enfadonha data: "E, no entanto, a cada dia que se passava, tornava-se cada vez mais claro o que é valido para todos nós: o dia 8 de maio foi um dia de libertação. Ele nos libertou do sistema desumano da tirania nacional-socialista."

Museu da Capitulação

Deutschland 60 Jahre Kapitel 4 1979 – 1989 Richard von Weizsäcker Rede im Bundestag

Weizsäcker discursa em 1985

Até 1985, nenhum político de alto escalão da antiga Alemanha Ocidental expressara isso de forma tão clara. "Foi uma quebra de tabu", afirmou o historiador Jörg Morré sobre o discurso de Weizsäcker. Morré é diretor do Museu Russo-Alemão localizado no bairro de Karlshorst, em Berlim.

Trata-se de um lugar histórico de significado especial. Porque naquele prédio, construído pelos nazistas para ser cassino de oficiais, a Wehrmacht, o Exército alemão comandado pelo marechal de campo Wilhelm Keitel, assinou sua capitulação incondicional.

Na época da Alemanha Oriental, os soviéticos instalaram no prédio o "Museu da Capitulação Incondicional da Alemanha Fascista na Grande Guerra Patriótica" – Museu da Capitulação, em forma abreviada. Para o historiador Jörg Morré, esse seria um nome apropriado. No entanto, isso não muda o duplo significado do dia 8 de maio.

Autoimagem antifascista

Morré, especialista em Europa Oriental que realizou diversas pesquisas em arquivos moscovitas, apontou a diversidade de apreensão do dia 8 de maio na Alemanha dividida.

Enquanto para a República Federal da Alemanha, que foi incorporada à aliança ocidental, foi difícil, por muito tempo, reconhecer o fim da guerra com um ato de libertação, na Alemanha Oriental, isso aconteceu desde o início. Foi fácil para o regime comunista montar uma autoimagem antifascista, especialmente por ser a principal aliada da União Soviética.

Kapitulationssaal Nissen

Sala no Museu Russo-Alemão onde foi assinada a capitulação

Segundo o historiador, "foi um ponto final, o fascismo estava superado. Talvez um ou outro tenha pensado consigo mesmo: 'Bem, tão livre a situação hoje também não é'. Mas, na República Democrática Alemã (RDA), havia os famosos nichos sociais. As pessoas se recolhiam em suas casas de fim de semana e ficavam contentes com o ensolarado dia 8 de maio, com a atmosfera de festa que sem sombra de dúvidas reinava na RDA, e guardavam seus pensamentos para si."

Um arcabouço único

Após a saída dos aliados da Alemanha reunificada, o Museu da Capitulação mudou o nome para Museu Russo-Alemão. Ele é dirigido por uma associação financiada por ambos os países. Um arcabouço único: vencedor e vencido recordam juntos, em um local histórico, os acontecimentos de 8 de maio de 1945.

Eles o fazem através de uma exposição permanente sobre o fim da guerra, através de discussões, mostras de filmes, eventos musicais, recitais e conferências científicas. Apesar de todos os pontos em comum, o diretor do museu, Jörg Morré, faz sempre a mesma constatação: para o lado russo, não existe data de maior importância histórica.

Na Rússia, disse o historiador, o veterano continua a ser "a inabalável testemunha ocular". Haverá uma grande cesura quando essa geração deixar de existir, afirmou.

Dia da libertação

Segundo Morré, desde já, medidas estão sendo tomadas para contornar o problema. Dessa forma, diversas compilações estão surgindo. Pessoas jovens, estudantes de história, em sua maioria, acompanham os veteranos como padrinhos.

"Uma espécie de memória coletiva deve ser elaborada, para que as lembranças sejam preservadas. O contato desses padrinhos com os veteranos possibilitará que estes jovens estudantes sejam os responsáveis pela próxima geração", declarou Morré.

O historiador explicou que na Alemanha e na Europa Ocidental a situação é bem diferente. A imagem histórica se baseia em fontes provenientes de historiadores. Trata-se principalmente de literatura especializada. E, com relação ao dia 8 de maio de 1945, hoje há um consenso de que a data foi um dia de libertação, disse o diretor do museu.

Autor: Marcel Fürstenau (ca)

Revisão: Marcio Damasceno

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