Deputados franceses aprovam punição a quem negar genocídio armênio | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 22.12.2011
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Deputados franceses aprovam punição a quem negar genocídio armênio

Texto prevê prisão e multa para quem negar o genocídio de 1,5 milhão de armênios, durante a Primeira Guerra. Turquia chama de volta seu embaixador em Paris e promete represálias e turcos protestam na França.

Segundo armênios, 1,5 milhão foram mortos entre 1915 e 17

Segundo armênios, 1,5 milhão foram mortos entre 1915 e 17

A Assembleia Nacional da França – câmara baixa do Parlamento – aprovou nesta quinta-feira (22/12), por ampla maioria, um polêmico projeto de lei que condena a negação do genocídio dos armênios, incluindo o massacre em 1915 pelos turcos otomanos. A proposta agora segue para o Senado, onde será discutida em 2012.

A aprovação deu início a uma crise diplomática com a Turquia, que convocou seu embaixador em Paris para consultas. Ele embarca para Ancara nesta sexta-feira e ficará por lá por "tempo indeterminado", de acordo com o porta-voz da embaixada. O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan já teria alertado a França que a aprovação da proposta poderia incorrer em conseqüências políticas e econômicas graves. "A lei é um caso de política de racismo, discriminação e xenofobia", reclamou Erdogan.

Proposta foi aprovada por ampla maioria na câmara-baixa

Proposta foi aprovada por ampla maioria na câmara-baixa

Segundo diferentes levantamentos, entre 200 mil e 1,5 milhão de armênios morreram no Império Otomano, durante a Primeira Guerra Mundial. As atrocidades contra os armênios foram classificadas como genocídio por dezenas de países, entre eles a França e a Suíça.

O texto do projeto de lei prevê um ano de prisão e 45 mil euros de multa pela negação do genocídio dos armênios. Em 2001, a França passou a lei segundo a qual o assassinato em massa dos povos oriundos da Armênia foi genocídio. Em 2006, a Câmara Baixa chegou a aprovar uma lei que criminalizava esse genocídio, mas ela foi rejeitada pelo Senado.

Armênios comemoram, turcos criticam

As autoridades de Erevan comemoraram a aprovação. Por meio de comunicado, o ministro armênio das Relações Exteriores, Edward Nalbandián, afirmou que "ao adotar esta lei, a França reafirma que crimes contra a humanidade não têm prazo de prescrição, e que sua negação precisa ser absolutamente condenada". Além disso, a medida provaria que os direitos humanos seriam o valor mais alto que existe.

Antes da votação, 3 mil cidadãos franceses de origem turca fizeram um protesto pacífico contra o projeto de lei, diante do Parlamento. Para o primeiro-ministro da Turquia, os deputados que votaram "sim" querem promover a inimizade entre turcos e muçulmanos. Ancara considera que a lei, originariamente proposta pelos 40 deputados do partido do presidente Nicolas Sarkozy, visa angariar os votos dos 500 mil franceses de origem armênia nas eleições presidenciais do ano que vem.

Turcos protestaram na frente do Parlamento francês

Turcos protestaram na frente do Parlamento francês

Para observadores, a Turquia tem pouco a perder em comprar uma briga com a França, dada a hostilidade francesa com relação ao pedido turco para entrar na União Europeia e o crescimento econômico e político da Turquia, cuja influência no mundo árabe – especialmente na Síria, Líbia e no Irã – vem crescendo bastante. Empresas francesas, por sua vez, poderão sofrer com a perda de contratos lucrativos com turcos.

A deputada Valérie Boyer, da União por um Movimento Popular (UMP), partido de Sarkozy, defende que a proposta aprovada, de sua autoria, não mira os cidadãos turcos atuais, nem o governo. "É um paradoxo que um país que ameaça com represálias queira entrar na EU", alfineta.

Como sucessores dos otomanos, porém, os turcos lutam contra a caracterização das mortes como genocídio. O governo e grande parte da população da Turquia consideram essa classificação um insulto ao país. Ancara argumenta que houve grandes perdas dos dois lados durante as lutas.

MSB/dpa/rtr/afp/lusa
Revisão: Augusto Valente

Leia mais