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Economia

Depois do reajuste salarial, medo do desemprego

Terminaram as negociações do reajuste salarial para os contratados do serviço público na Alemanha. Mas o acordo firmado evoca agora o fantasma das demissões em massa por falta de verba.

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O líder sindical F. Bsirske (esq.) e o ministro Otto Schily

As negociações de reajuste salarial dos contratados no serviço público foram longas e difíceis. E sempre acompanhadas pela ameaça de uma greve geral da classe. As posições divergiam enormemente e o sindicato Ver.di exigia um mínimo de 3% de aumento. Só após uma maratona de quase 30 horas contínuas de conversações, em Potsdam, é que foi possível lograr um consenso e evitar uma greve que teria sido catastrófica.

Os contratados do serviço público receberão um aumento de salário em três parcelas, equivalendo no final a um reajuste de 4,4%. Com isto, o sindicato Ver.di e seu presidente Frank Bsirske podem considerar-se praticamente os vencedores da contenda.

Mas o triunfo sindical pode transformar-se rapidamente numa vitória de Pirro: ao contrário dos funcionários públicos, os contratados do serviço público não gozam de estabilidade e podem ser demitidos, caso falte à União, aos Estados e municípios a verba para manter o mesmo quadro de pessoal contratado até agora.

Cem mil demissões

Uma das primeiras reações negativas ao acordo coletivo foi do vice-presidente da Confederação Alemã das Indústrias (BDI), Hans-Olaf Henkel. Em entrevista a uma emissora de televisão, Henkel não se fez de rogado, analisando detalhadamente as prováveis conseqüências do aumento salarial. Segundo seu cálculo, o serviço público alemão em seu todo terá de demitir cerca de 100 mil pessoas.

Entre os partidos da oposição, as reações também foram negativas. Segundo a presidenta da União Democrática Cristã (CDU), Angela Merkel, foi evitada uma greve de conseqüências imprevisíveis, mas pagou-se um preço elevadíssimo para isto. O presidente do Partido Liberal Democrático (FDP), Guido Westerwelle, criticou os representantes patronais nas negociações de reajuste – liderados pelo ministro do Interior, Otto Schily. Segundo Westerwelle, eles teriam cedido à "chantagem do sindicato Ver.di".

Redistribuição de recursos

O superintendente da Associação Alemã dos Municípios, Gerd Landsberg, calcula que o reajuste salarial representará um aumento das despesas de pessoal em cerca de 2% para as folhas de pagamento. Em face da situação já agora calamitosa dos cofres públicos municipais, ele considera impossível o cumprimento do acordo firmado, sem o apoio da União. Isto poderia ocorrer através de uma redistribuição das receitas tributárias entre as administrações federal, estaduais e municipais, sugere Landsberg.

Um número cada vez maior de autoridades estaduais e municipais também se junta ao coro dos protestos, anunciando a impossibilidade financeira dos cofres públicos em cumprir os compromissos assumidos. O secretário das Finanças do Estado da Renânia-Palatinado, Gernot Mittler, deixou claro que o acordo celebrado em Potsdam "não é nenhuma contribuição para manter os empregos existentes no serviço público".

Outros foram bem mais concretos. Como o prefeito de Magdeburg, Lutz Trümper, que já anunciou o corte de 400 até 500 empregos no serviço público municipal até o ano de 2006. Somente assim, afirma ele, é que poderá cumprir as determinações da Câmara Municipal de manter estáveis os gastos de pessoal em Magdeburg.

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