1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Especial

DEPOIMENTOS DOS USUÁRIOS (2)

Mais comentários de nossos usuários sobre o final da Segunda Guerra Mundial.

default

Soldados alemães na costa francesa durante a Segunda Guerra

Enquanto acontecia a tomada triunfal de Berlim, o mundo comemorava o fim de anos de terror, nazismo, torturas e imensuráveis perdas – nas mais diversificadas acepções da palavra. Sob a ótica de uma nova ordem mundial – a da Guerra Fria –, o mundo ocidental conheceu o progresso, impulsionado pelos planos de reconstrução e reestruturação, presentes principalmente no Oeste Europeu. O fato que poucos fazem questão de recordar é o início de um regime comunista que se instaurava no Leste da Europa e perduraria pelas décadas seguintes. Décadas permeadas de mais angústias, censura, repressão e cerceamento da liberdade.

Fugas, portanto, não cessaram logo ao término da guerra. Conflitos sociais, portanto, não deixavam de irromper com o fim da guerra. Atrasos econômicos, portanto, não foram evitados com aquela conquista tão esperada e celebrada. O fim, portanto, não era fim, e sim apenas o começo.

Para aqueles que sentiram na carne a dura dominação dos comunistas, ou tiveram parentes próximos em situações semelhantes, fica mais fácil compreender o que o simples marco de 1945 representaria.

Tenho 19 anos e moro em São Paulo. Felizmente não tive que passar por experiências decorrentes da insana guerra do século passado, cujo palco foi a Europa. Meu pai, porém, aos 6 anos de idade, teve de fugir com a família, após a eclosão da Revolução de 1956 na Hungria. A questão primordial não é o fato de meu pai ter passado fome, angústia e frio na neve infinda que separava o Leste do Oeste, mas sim o fato de uma revolução – aparentemente irrelevante – ser produto de uma segregação política mundial originada pelo fim da Segunda Guerra. E todos sabemos que não apenas na Hungria e na Tchecoslováquia (com a Primavera de Praga) houve revoluções em prol da liberdade. Toda a Europa Oriental sofreu conseqüências graves decorrentes da ditadura comunista.

Portanto, o 8 de maio de 1945 foi não somente um momento de alegria e libertação para uns, mas também o antônimo disso para outros. E somente através dessa data tão marcante é que somos capazes de perceber o imenso paradoxo que constitui a História dos homens.

Thomas Kiss

Não vivenciei o fim deste conflito mundial, mas através do comentário de pessoas da minha família, tanto no Brasil quanto na Alemanha, significou um dos períodos mais promissores para a reflexão dos homens no que diz respeito ao convívio entre si e à reestruturação de novas relações internacionais, à tentativa de buscar um novo caminho para a humanidade, não pautado mais por veias racistas e, por conseguinte, à eliminação da compreensão da existência do OUTRO, o apenas étnica e culturalmente diferente de mim, todavia não inferior a mim mesmo, mediante os anteriores regimes totalitários do fascismo e do nazismo.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial foi dado um importantíssimo passo para maior desenvolvimento tecnológico e para a constituição da ONU, para a garantia da soberania entre as nações, embora ainda esteja muitas vezes sobrepujada, como pudemos presenciar na invasão do Iraque e do Afeganistão, de maneira geral, a partir do interesse exclusivista de nações que detêm o maior poder político e econômico.

Também com o fim da Segunda Guerra presenciamos não mais um conflito bélico de porte mundial, mas a Guerra Fria entre os EUA e a ex-URSS que levou a outros conflitos isolados no mundo, como a Guerra do Vietnã, em que estas duas nações buscaram a expansão tanto da ideologia capitalista quanto socialista no mundo.

Além do mais, e especialmente a partir da década de 80 do século passado, o fim da Segunda Guerra nos permitiu a configuração de uma nova reestruturação política entre as nações, embasada no neoliberalismo que, se não domina belicamente outras nações, sufoca o desenvolvimento de suas economias internas em favor dos interesses externos dos países e organizações correlatas a seus interesses imperialistas.

Não consigo pensar no significado da Segunda Guerra Mundial sem analisar que a humanidade ainda deve muito refletir sobre os crimes hediondos que foram cometidos com a omissão, naquela época histórica, inclusive da Igreja Católica, para que não se repita mais o fratricídio que foi o Holocausto. Por fim, apesar do término da Segunda Guerra, vale ressaltar que ainda temos na Alemanha a reconfiguração do partido nazista que se pretende democrático...

Fica então a pergunta: será que a humanidade tem aprendido concretamente, nas vivências sociais, a lição do respeito ao próximo, da aproximação dos povos na perspectiva de uma cidadania globalizada e do desafio atual do interculturalismo, ou ainda corremos o risco da repetição na história dos mesmos caminhos anteriores de barbárie de eliminação do homem pelo próprio homem?

A partir destes fatos comentados, parece-me que ainda corremos o risco, infelizmente, da emergência de outro conflito de porte mundial ainda exarcerbado pelos ataques terroristas, dos quais ainda não sabemos, de fato, se existem ou não nações patrocinando este genocidio sem face.

Raquel Elza Oliveira Glotz

Leia outros depoimentos...