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Economia

Depósito de energia no alto do morro

Alemanha inaugura sua maior usina hidrelétrica na Turíngia. Para ela foi construído um lago 100% artificial. Obra visa garantir energia em momentos de pico e evitar blecautes.

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O lago superior possui 3,4 quilômetros de margem

Na falta de grandes quedas naturais em seus vales, a Alemanha construiu um enorme reservatório no topo de um morro para guardar a água destinada a mover as turbinas de sua maior usina hidrelétrica, inaugurada na última terça-feira (30/9). Para brasileiros acostumados com represas em seus rios para geração de eletricidade, a concepção da usina de Goldisthal, na Turíngia, parece algo sui generis.

O projeto data ainda da Alemanha Oriental nos anos 70. O então governo comunista chegou a encomendar estudos para a construção de uma enorme barragem no município de Goldisthal. Mas, por falta de verbas, a idéia foi para a gaveta até a reunificação do país. Herdeira das usinas e das redes de transmissão da RDA, a companhia Veag retomou o plano.

A razão é simples. A hoje subsidiária do grupo Vattenfall Europe gera eletricidade sobretudo a partir da queima de linhita, altamente poluente. Esta não é entretanto a desvantagem decisiva que levou a Veag a investir 620 milhões de euros no empreendimento da serra Rennsteig. A companhia tinha dificuldades para acelerar a geração de energia nos momentos de pico, como de manhã cedo e à noite, e reduzir a produção durante as madrugadas e fins de semana.

Dimensões do empreendimento

Uma usina hidrelétrica atende bem melhor a esta necessidade. A Veag já tinha experiência com pequenas unidades. E assim, durante seis anos, a companhia investiu na expansão desta alternativa. No alto do morro Moosberg em Goldisthal, construiu-se uma enorme caixa d'água com capacidade para armazenar 12 milhões de metros cúbicos de água.

Pumpspeicherwerk in Goldisthal Turbine

Uma das quatro turbinas da usina

As bordas da represa somam 3,4 quilômetros de comprimento, possuindo altura máxima de 40 metros. Trezentos metros abaixo, ergueu-se no pequeno Rio Schwarza uma barragem de 67 metros de altura e 220 metros de largura, podendo represar até 18 milhões de metros cúbicos.

O maior desafio de engenharia esteve, entretanto, sob a terra, onde estão dois terços da obra, inclusive os geradores. Após despencar 300 metros através de túneis de seis metros de diâmetro, a água da represa superior movimenta quatro turbinas, antes de seguirem para a inferior, no Rio Schwarza. Cem metros cúbicos de água por segundo resultam em 265 megawatts. A potência instalada chega a 1060 MW.

Reserva para momentos de pico e emergências

O plano é acionar a usina nos momentos de pico de consumo e, durante a madrugada, quando o preço da energia é mais barato, bombear de volta a água da represa inferior para a de cima, recuperando seu potencial de produção. Em oito horas de operação, a usina de Goldisthal gera tanta energia quanto uma unidade nuclear de médio porte. Em caso de necessidade, a hidrelétrica tem condições de suprir sozinha durante um dia toda a demanda de eletricidade no Estado da Turíngia, segundo Kurt Häge, diretor do grupo Vattenfall.

Pumpspeicherwerk in Goldisthal Schaltzentrale

A sala de controle

Para o chanceler federal Gerhard Schröder, Goldisthal representa mais um passo para evitar-se blecautes no país como os que atingiram recentemente os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a Escandinávia e a Itália. "Precisamos de uma saudável mistura de fontes energéticas", disse. Já o governador da Turíngia, Dieter Althaus, ressalvou o empreendimento como importante para sustentar o desenvolvimento do Leste alemão.

Maior geradora de energia hidrelétrica

Operada por 50 funcionários, a hidrelétrica foi a última de um programa de nove bilhões de euros do conglomerado para modernizar o sistema de geração, transmissão e distribuição de energia nos antigos estados da Alemanha Oriental. Com ela, a Vattenfall tornou-se a maior geradora de energia hidrelétrica do país, com 2914 MW de capacidade instalada.

Naturalmente, o projeto enfrentou no princípio a resistência de organizações ecologista, como a BUND. No entanto, após uma doação de sete milhões de marcos da Veag a uma fundação ambientalista, as contestações foram retiradas.

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