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Alemanha

Demolindo pelo progresso

Devido ao excesso da oferta de moradia causada pela diminuição da população do Leste alemão, o governo implantou um programa de reestruturação urbana, demolindo 350 mil unidades habitacionais até 2009.

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Renovação de conjunto habitacional em Dresden: uma exceção

Após a reunificação em 1990, a política de renovação urbana do governo alemão visava a integração dos novos Estados ao padrão de vida da antiga Alemanha Ocidental. Sua estratégia se baseava na melhoria da infra-estrutura e na reforma dos grandes conjuntos habitacionais socialistas – os chamados plattenbauten – e de seu entorno.

Para ter-se uma idéia das dimensões dos investimentos, somente para os bairros ao nordeste de Berlim, o governo disponibilizou na época 845 milhões de euros. Essa quantia se eleva a mais de um bilhão de euros se levarmos em conta a participação privada nos investimentos, informa Philipp Mühlberg, da Secretaria de Planejamento Urbano da cidade de Berlim.

Com o desmonte industrial da antiga Alemanha Oriental, a evasão de empregos provocou não somente o êxodo de mais de um milhão de habitantes para os Estados do Oeste, como também a brusca diminuição da taxa de natalidade. Hoje, encontram-se vazias cerca de 1,3 milhão de moradias da ex-República Democrática Alemã.

Reação a tempo

Plattenbauten

Conjunto habitacional preparado para a demolição

Com o evaziamento das cidades, as análises demonstraram que a política de renovação dos grandes conjuntos habitacionais não foi eficaz. Excetuando os conjuntos localizados em regiões nobres, como Berlim Friedrichshain, grande parte dos conjuntos habitacionais foi lentamente abandonada.

Esse esvaziamento também provocou um aumento de custos, já que os condomínios estavam sendo divididos por cada vez menos pessoas, e praças, creches e escolas serviam a cada vez menos moradores.

Em reação a estas mudanças, o governo alemão implantou, a partir de 2002, o projeto de reformulação urbana do Leste ( Stadtumbau-Ost) com verbas do programa de construção do Leste ( Aufbau Ost), através do qual financia projetos de pesquisa relativos aos novos Estados do Leste.

Para ajudar Estados e prefeituras a reagirem ao problema do esvaziamento das cidades, o programa disponibiliza 2,7 bilhões de euros, a serem empregados na demolição do excedente habitacional, no reaproveitamento das áreas liberadas pela demolição, como também na adaptação da infra-estrutura urbana à nova realidade.

Demolição supera construção

Através de um concurso realizado em 2002, mais de 260 comunidades puderam candidatar-se ao programa de demolição. Segundo dados do Departamento Federal de Obras e Planejamento Espacial, o programa já atendeu 295 cidades em mais de 630 obras de demolição.

Dados de 2004 do Departamento de Estatística da Saxônia-Anhalt mostram um recorde de demolições no Estado, que já ultrapassaram em muito o número de construções. No ano passado, foram demolidas cerca de 13,5 mil moradias na Saxônia-Anhalt, a maioria delas em conjuntos habitacionais construídos a partir de 1970.

A Secretaria de Planejamento de Berlim informa que atualmente estão sendo realizados 185 projetos de demolição na cidade. Isto disponibilizará um área livre de 140 hectares, o que não deixa de criar um novo problema, na opinião de Philipp Mühlberg. Segundo o funcionário da Secretaria de Planejamento Urbano, o aproveitamento na forma de áreas verdes ou para atividades esportivas provoca altos custos de manutenção.

A nova vida da placa

Satteldachhaus aus DDR-Plattenbauteilen

Reaproveitamento das placas para construção de residência em Schildow, próximo a Berlim

A intenção do governo federal alemão é demolir, até 2009, cerca de 350 mil unidades habitacionais do Leste alemão. Porém, a disponibilização de áreas livres não é o único efeito colateral das demolições.

Outro aspecto relevante é o reaproveitamento do entulho que resulta das demolições dos conjuntos habitacionais socialistas, fabricados com placas de concreto pré-moldadas, de onde vem o nome destes conjuntos: plattenbauten ou construções em placas.

Até recentemente, a única forma de reaproveitamento era a trituração das placas, para utilização na construção de estradas. Pesquisadores da Universidade Técnica de Berlim chegaram a uma nova conclusão: reaproveitar a placa toda é mais econômico e ecologicamente mais sustentável.

Os russos estão chegando

Segundo o pesquisador Claus Asam, do Instituto de Manutenção e Modernização de Edifícios em Berlim, cada placa tem vida útil de 100 anos e uma placa nova custa 900 euros. Além disso, cada uma delas, que medem 3 x 3 m, contém 400 litros de óleo, uma energia que é economizada quando a placa é reaproveitada como um todo.

Einfamilienhaus aus alten WBS70-Platten Berlin Mehrow

Festa da cumeeira da casa de placas em Mehrow

O reaproveitamento em novas edificações se dá na forma de paredes e lajes. Isto representa cerca de 25% do material empregado na construção de um prédio de três pavimentos, ou de 60% a 70% do material para construir uma residência.

As primeiras casas de placas reaproveitadas já foram inauguradas em Schildow e Mehrow, nos arredores de Berlim, e cresce o interesse pela nova técnica construtiva.

Recentemente, um grupo de investidores de São Petersburgo, na Rússia, visitou as primeiras unidades. Em seu país, há falta de material de construção e, segundo informações do porta-voz do ministério dos Transportes e Obras, Michael Marten, planeja-se a venda de 4200 unidades de 60 metros quadrados. Elas serão transportadas, através do Mar Báltico, até São Petersburgo.

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