Democratas abandonam batalha interna e partem para a guerra | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 26.07.2016
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Mundo

Democratas abandonam batalha interna e partem para a guerra

Convenção do Partido Democrata começa sob a sombra do vazamento de e-mails da liderança da legenda. Michelle Obama elogia Hillary, e Sanders pede apoio à antes rival, que se prepara para enfrentar Trump.

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Convenção democrata testa unidade do partido

Oscar Salazar percorreu cerca de 200 quilômetros – de Sleepy Hollow, no estado de Nova York, à Filadélfia – para acompanhar a decisiva convenção democrata, que teve início nesta segunda-feira (26/07). Ele costumava vestir a camisa de Bernie Sanders, mas depois que o pré-candidato manifestou apoio à correligionária Hillary Clinton, ele e outros apoiadores ficaram um tanto quanto desolados.

"Não quero votar no menor de dois males", diz Salazar. O mesmo vale para os demais reunidos aqui, na prefeitura da Filadélfia, enquanto a convenção democrática tem início do outro lado da cidade.

Durante a amarga campanha nas primárias do partido, Hillary era considerada o Grande Satã, um inimigo até mesmo mais urgente que Donald Trump. "Ela é a personificação do 1%", afirma Carla Reyes, que segura um cartaz com as palavras: "De qualquer maneira, Wall Street ganha."

Muitos custam a acreditar que Clinton tenha derrotado Sanders de maneira justa. Alguns suspeitam de fraude eleitoral. Eles nunca duvidaram que a máquina do Partido Democrata estivesse contra eles, e agora têm uma prova disso: o vazamento por meio da plataforma Wikileaks de 20 mil e-mails da liderança do partido, que caiu como uma bomba à véspera da convenção.

Os e-mails indicam que a presidente da legenda, Debbie Wasserman Schultz, e outros claramente favoreceram Clinton frente a Sanders durante as primárias. Isso era de se esperar, considerando que Sanders ocupava um assento no Senado não como democrata, mas como independente. Mesmo assim, o vazamento foi um grande escândalo.

Sanders exigiu que Wasserman Schultz renunciasse, e em poucas horas ela obedeceu. O nome dela ainda está no cordão em volta do pescoço dos participantes da convenção democrata. Não deu tempo de reimprimi-los.

Papel conciliador de Michelle Obama

Durante a convenção, a multidão vaiou diversas vezes, sobretudo os apoiadores de Sanders a cada menção do nome de Hillary. Uma canção de Paul Simon, que se apresentou durante o evento, no Wells Fargo Center, parecia uma tentativa sentimental de acabar com as vaias. Afinal, Sanders usou muitas vezes a música de Simon & Garfunkel em seus comícios e propagandas.

Michelle Obama na Convenção Democrata de 2016

Michelle Obama apoiou Hillary com discurso aclamado

A música de Simon foi o prelúdio para os destaques da noite: os discursos de Michelle Obama, Elizabeth Warren e o próprio Sanders. Discursos que definiriam o tom para o restante da semana – de união ou divisão, de uma ponte ou águas turbulentas.

O papel de Michelle como alguém acima da batalha foi, de alguma maneira, compreendido por todos, e ninguém se atreveu a interromper seu discurso. "Quando Hillary não venceu há oito anos, ela não ficou com raiva ou desiludida", disse, voltando-se para os apoiadores de Sanders. "Por causa de Hillary Clinton, minhas filhas e todos os nossos filhos e filhas agora consideram normal que uma mulher possa ser presidente dos Estados Unidos."

Para alguns mais à esquerda, Elizabeth Warren teria sido a candidata dos sonhos dos democratas, sendo Sanders e Hillary vistos como farinha do mesmo saco. Mas Warren já havia manifestado apoio a Hillary, e o reiterou nesta noite.

Legado de Sanders

Finalmente chegou a vez de Sanders. E é claro que a música de Simon & Garfunkel acompanhou sua entrada no palco. Desta vez, a canção foi America, tocada a partir de uma gravação. Alguns devem ter se perguntado por que Paul Simon não voltou ao palco para cantar ao vivo.

Debbie Wasserman Schultz

Wasserman anunciou renúncia após vazamento de e-mails

"Quero agradecer aos 13 milhões de eleitores que votaram por uma revolução política, nos garantindo 1.846 delegados", disse. "Qualquer observador objetivo concluirá que, com base em suas ideias e em sua liderança, Hillary Clinton precisa ser a próxima presidente dos Estados Unidos", acrescentou.

Sanders apimentou seu discurso com conquistas, sobretudo junto à plataforma da campanha democrata – um conjunto de propostas vistas como o que há de mais à esquerda na história do partido. Incluindo desde educação superior gratuita para estudantes de classe média a um salário mínimo de 15 dólares por hora e uma reforma bancária, esta foi a verdadeira vitória pós-primárias da campanha de Sanders.

Depois do discurso de Sanders, Andy Sandeler, delegado e ativista democrata do Kansas, afirmou que a atual plataforma do partido é a mais progressista que os democratas já tiveram. Para ele, isso é uma força unificadora maior do que qualquer outra coisa que Hillary pudesse oferecer.

Inimigo Trump

Mas para a eleitora Jennifer Rode, a força unificadora vem de fora. Ela disse que um momento de clareza veio durante a convenção republicana da semana passada, no qual Donald Trump foi oficialmente nomeado como o candidato do partido à Casa Branca. "Trump é um inimigo assustador da liberdade", disse.

Jill Stein

Jill Stein pode angariar votos de apoiadores de Sanders

Quanto às revelações por meio do Wikileaks, a eleitora disse não ter ficado surpresa. "Não foi nada de novo e isso não muda nada. Só estou desapontada com o fato de o processo democrático não ser tão democrático quando eu gostaria que fosse."

Para a maioria dos apoiadores fervorosos de Sanders, isso tudo não basta. Salazar considera apoiar o Partido Verde. "Estou pensando em Jill Stein. Ela tem as mesmas ideias de Bernie." E ele não é o único a pensar assim, o que significa boas notícias para Jill Stein, mas e para Hillary?

Na eleição presidencial de 2000, o predecessor de Stein, Ralph Nader, foi visto como alguém que roubou os votos de Al Gore que poderiam ter garantido a vitória contra George W. Bush. O caso tornou-se um exemplo dos perigos de mais partidos na disputa. E esse é somente mais um dos riscos a serem enfrentados por Hillary ao avançar da batalha contra Sanders para a guerra contra Trump.

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