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Cultura

Demasiados sucessos de segunda mão

As pessoas gostam de ouvir boas músicas do passado. Por isso as bandas tocam aquelas que são mais lembradas e adoradas ao invés de compor novas. Para especialistas trata-se de uma crise.

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Não é só do Abba que se faz covers

Dancing Queen, do Abba, já foi gravada por pelo menos 22 bandas diferentes, enquanto The Boys of Summer, de Don Henleys, foi interpretada em sete versões diferentes. Tainted Love, cantada por Marilyn Manson, também não é criação sua, mas de Gloria Jones, que surgiu nas paradas de sucesso em 1964.

O musicólogo Marc Pendzich já contabilizou: hoje há três vezes mais versões cover na parada alemã de sucessos que no final dos anos 80. No total, as versões regravadas já representam 20% dos maiores hits. Em seu livro Von der Coverversion zum Hit-Recycling (Da Versão Cover à Reciclagem de Sucessos) Pendzich afirma que principalmente os alemães têm essa afeição pelos sucessos de segunda mão.

"A aceitação [dos covers] na Alemanha, Grã-Bretanha e Polônia tem uma clara tradição”, afirma Peter Niedermüller, do Instituto de Musicologia da Universidade de Mainz. Nos Estados Unidos é mais comum que sejam feitas regravações de outros tipos de música, como country ou rock progressivo e estes raramente chegam às paradas de sucesso.

Típico alemão: músicas românticas viram tecno barulhento

HP Baxxter von Scooter

HP Baxxter, da banda tecno Scooter

Em outros lugares, são sucessos dos anos 70 e 80 que são regravados. "Quando Scooter reproduz Billy Idol é bem capaz que seus ouvintes nem percebam", explica Niedermüller. Hubert Wandjo, diretor da Academina de Pop de Mannheim, afirma que os jovens nem conhecem a maioria das canções mais antigas.

Muitas bandas produzem as músicas não porque seu público pede. Para especialistas, a razão disso está mais nas bandas e nos selos. "Eles tentam reciclar sucessos", assim Niedermüller. Além disso eles poupam custos, pois muitos processos da produção são dispensados. "Aí também não faz diferença pagar um pouco pelos direitos."

Não copiar , mas observar criativamente

Às vezes as bandas querem fazer uma homenagem ao seus ídolos através dos covers. Mas muitas vezes simplesmente as idéias acabam, de acordo com Niedermüller: "Fazer cover é o sintoma de uma crise, que mostra que há poucas idéias próprias. Marc Pendzich critica que muitos músicos simplesmente copiam trechos das músicas e, na melhor das hipóteses, colocam algumas batidas eletrônicas em cima delas.

"Computadorizados e fortemente simplificados métodos de gravação não criam necessariamente músicas boas", comenta Wandjo. Mas versões cover também não precisam ser ruins, acredita Niedermüller. "Quando há um bom crossover, como no último álbum de Johnny Cash, no qual ele interpreta U2, aí sim há uma grande excitação."

Junto com o Hip Hop e o Pop, o tecno é um estilo frequentemente utilizado nas regravações. O que se faz então é transformar trechos de músicas num estilo eletrônico dançante. Isso é realmente um bom negócio na Alemanha, afirma Niedermüller. Nenhuma fonte internacional poderia mudar isso. Quando Marusha transforma Somewhere Over the Rainbow (Judy Garland, 1939) em música tecno ou Scooter mixa Rebel Yell (Billy Idol, 1983), por sua vez, trata-se de um fenômeno alemão.

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