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Mundo

Del Ponte despede-se frustrada do tribunal para ex-Iugoslávia

No balanço de seus oito anos como promotora-chefe do tribunal que julga os crimes na antiga Iugoslávia, Carla del Ponte adverte Nações Unidas para que não encerrem trabalhos do tribunal sem julgar Karadzic e Mladic.

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Del Ponte diz que deixa o cargo frustrada

A promotora-chefe do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), Carla del Ponte, despediu-se de seu posto nesta quinta-feira (13/12) com um claro apelo: "O tribunal não pode ser fechado antes que os dois principais acusados ainda foragidos, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, tenham sido presos."

Após oito anos como principal promotora no tribunal da ONU em Haia, Del Ponte, de 60 anos, deixa o cargo no final do mês. O tribunal, criado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 1993, deve encerrar seus trabalhos em 2010.

"Alcançamos muitas coisas", disse Del Ponte, que assinalou: "Conforme nossa missão, muitos acusados de crimes de foram julgados e condenados". Ao mesmo tempo, ela lamentou que nos cerca de 125 julgamentos realizados pelo TPII as vítimas civis não estiveram representadas por advogados e "por isso não tiveram voz própria".

Críticas à Sérvia

No seu último relatório ao Conselho de Segurança da ONU, na segunda-feira (10/(12), Del Ponte voltou a acusar o governo sérvio de falta de cooperação para a prender Karadzic e Mladic, acusados de genocídio contra os bósnios na Sérvia. A chefe da acusação está convicta de que as autoridades sérvias poderiam prender os dois procurados.

Segundo ela, no entanto, a Sérvia "não mostrou nenhum sinal de que estaria se esforçando para realizar as prisões". Del Ponte afirma que Belgrado se nega a tomar medidas como fazer uma busca na casa de parentes de um dos acusados.

Além disso, o trabalho entre os serviços secretos seria descoordenado e não sistemático. Por isso, sua expectativa pela captura de ambos "diminuiu sensivelmente nos últimos seis meses", complementou a jurista, que se considera frustrada.

Segundo ela, é "uma mancha negra" no trabalho do tribunal, que dois indivíduos acusados de genocídio e responsabilizados pelos piores crimes na Europa desde a Segunda Guerra Mundial ainda estejam foragidos.

Ela critica também a decisão dos juízes do tribunal que deram férias de Natal a 12 acusados. Esta é uma "prática altamente incomum", que é "incompreendida tanto pelas vítimas como por mim". De uma lista de 161 criminosos de guerra acusados em Haia, 91 foram capturados durante o mandato de Carla del Ponte.

Seu sucessor na promotoria-geral do tribunal de crimes de guerra da ex-Iugoslávia será o belga Serge Brammertz. Ele chefiou a comissão da ONU que investigou o assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri.

A partir do próximo ano, Carla del Ponte será embaixadora da Suíça na Argentina. (rw)

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