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Mundo

Debate revela várias noções de patriotismo

O "patriotismo" se tornou palavra-chave de mais um inflamado debate político nas últimas semanas. O termo oscila entre os mais variados significados na boca dos políticos alemães.

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Patriotismo é associado à política de estrangeiros na última convenção dos democratas-cristãos

Não é a primeira vez que os conservadores cristãos apelam para o tema do "amor à pátria", sendo acusados pelos social-democratas e verdes de apelar para o populismo e instrumentalizar o assunto com finalidades eleitorais.

No fim de novembro, numa convenção partidária realizada em Munique, os social-cristãos (CSU) relançaram seu apelo por um "patriotismo consciente e esclarecido, indispensável para o futuro do país". Na semana passada, foram os democratas-cristãos (CDU) que exigiram um compromisso com o patriotismo, vinculando o termo – assim como seus correligionários bávaros anteriormente – à política de estrangeiros e de imigração.

Defesa dos valores ocidentais e cristãos

Os social-cristãos exigem que os estrangeiros percam os benefícios sociais, caso não dêem provas concretas de sua integração na sociedade alemã.

Friedrich Merz Galerie deutsche Politiker

Friedrich Merz (CDU)

O partido quer que os estrangeiros residentes no país se atenham à "cultura dominante" (Leitkultur), um conceito polêmico lançado em discussão em 2000 por Friedrich Merz, então líder da bancada democrata-cristã no Parlamento. Na época, Merz defendia, por exemplo, a obrigatoriedade do domínio do idioma alemão pelos estrangeiros e a proibição de escolas islâmicas fora do controle das autoridades.

O uso do termo patriotismo por parte dos conservadores está associado à defesa da hegemonia cristã na sociedade alemã, em detrimento da propagação de práticas sociais islâmicas. Este argumento fica evidente na recusa decidida dos conservadores ao ingresso da Turquia na União Européia, por exemplo.

Neste ponto, os políticos divergem dos líderes religiosos cristãos, contrários ao resgate do "patriotismo" como conceito. O presidente do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha, Wolfgang Huber, considera a expressão "um tanto infeliz": "O que conta numa sociedade plural é menos o amor à pátria do que os valores universais". O presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha, Karl Lehmann, também criticou os políticos democratas e social-cristãos, remetendo-se ao abuso histórico do "amor à pátria" nos últimos cem anos.

Recusa à sociedade multicultural

Em termos gerais, o que os conservadores defendem através do conceito de patriotismo é uma identidade sócio-cultural única, em detrimento do pluralismo, algo que fica evidente em sua crítica à sociedade multicultural. O secretário do Interior da Baviera, Günther Beckstein (CSU), por exemplo, qualificou a multiculturalidade como uma "ilusão ingênua".

Bundespräsident Johannes Rau

Johannes Rau, ex-presidente

O termo "patriotismo", entendido como hegemonia cultural e segregação de estrangeiros, é rigorosamente rejeitado pelos políticos liberais, social-democratas e verdes. Na época do debate sobre a "cultura dominante", o social-democrata Johannes Rau, então presidente da Alemanha, alertou que os alemães deviam "parar de dar uma de 'número um' na Alemanha".

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