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Cultura

De volta à casa

Obras do impressionista Max Liebermann estão expostas em Berlim pela primeira vez na casa em que ele viveu e pintou durante 25 anos, até a morte em 1935.

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Max Liebermann em seu ateliê, pintado por Ernst Ludwig Kirchner (1927)

"Max Liebermann vem para casa", anunciam os cartazes de uma exposição aberta ao público em Berlim até 17 de novembro, a primeira que mostra trabalhos do artista no lugar em que ele viveu e pintou de 1910 a 1935.

Gravuras, telas e aquarelas podem ser apreciadas diante do cenário que serviu de maior fonte de inspiração ao pintor na última fase de sua vida — só o jardim foi retratado por ele em 200 quadros. Esboços, desenhos e fotografias reproduzem o estado original da mansão e do jardim, estado que deve ser restabelecido num amplo projeto de reconstrução e recuperação.

Saga de uma casa como espelho da história

Max Liebermann, que compôs ao lado de Lovis Corinth e Max Slevogt o trio mais importante do Impressionismo Alemão, nasceu em Berlim em 1847, filho de um abastado comerciante judeu.

Desde fins do século 19, gozava de grande prestígio e influência nos meios artísticos da capital alemã. Em 1920, assumiu a presidência da Academia das Artes, mas foi coagido a renunciar ao cargo em 1933, com a subida de Hitler ao poder. Viveu desde então retirado, até morrer em 1935.

Cinco anos após sua morte, a viúva foi obrigada pelos nazistas a vender a mansão às margens do lago Wannsee. Desde então, desapareceram os vestígios do pintor: o imóvel já serviu de hospital e sede de um clube de mergulhadores. Apenas após longa disputa judiciária o imóvel foi recentemente resgatado pela Sociedade Liebermann.

Inspiração em Monet

Segundo os planos da entidade criada em 1995, a reconstrução da mansão e a recuperação do jardim, que ocupam uma área mais de 7000 metros quadrados, deverá conduzir ao surgimento de um memorial inspirado na casa de Claude Monet em Giverny, nas cercanias de Paris. Além de espaços para a exposição das obras do artista, o centro cultural abrigará galerias de fotografias, arquivos, centro de documentação, biblioteca, café e loja. Participa do projeto o escritório dos arquitetos Nina Nedelykov e Pedro Moreira, este, brasileiro.

Uma pequena sensação foi a descoberta, logo após a reaquisição do imóvel pela Sociedade Liebermann, de uma pintura mural encoberta por uma camada de tinta amarela. Um achado de "importância extraordinária", segundo Wolfgang Immenhausen, membro da diretoria responsável pelo projeto de reconstrução. Trata-se provavelmente do único afresco ainda existente do pintor.

Especialistas vão se ocupar agora da restauração. Depois de afastada a camada de tinta amarela, deve vir à luz uma paisagem em estilo romano. Existe um fotografia antiga que mostra Liebermann diante de um mural desses, e que serviu de pista para Immenhausen na busca pelo afresco.

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