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Economia

De senhor da guerra a líder em desenvolvimento

Bush sugere um dos arquitetos da guerra do Iraque como o novo presidente do Banco Mundial e causa barulho entre especialistas em desenvolvimento.

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Paul Wolfowitz: do Departamento de Defesa para o Banco Mundial?

A indicação de Paul Wolfowitz – que trabalha para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e foi um dos principais arquitetos da guerra do Iraque – para a presidência do Banco Mundial, a principal entidade não-governamental de desenvolvimento no mundo, causou muita indignação entre especialistas em desenvolvimento do mundo todo.

O barulho foi tanto que há notícias de que os EUA já voltaram atrás. "Ele não está mais na disputa. Até onde eu sei, ele retirou o nome da disputa", afirmou o atual presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, na quinta-feira (03/03) em Bruxelas (Bélgica).

Wolfensohn disse, porém, que não tem nenhuma confirmação direta da retirada do nome do Wolfowitz. O atual presidente do Banco Mundial afirmou ter baseado a declaração em comentários feitos pelo porta-voz do Pentágono, Lawrence DiRita, na última quarta-feira. DiRita teria sugerido que Wolfowitz permaneceria em seu atual cargo.

Paixão é fundamental

Embora não tenha falado diretamente no atual funcionário do Departamento de Defesa dos EUA, o presidente do Banco Mundial deu a entender que não considera Paul Wolfowitz a pessoa ideal para o cargo: "Espero que escolham alguém apaixonado por desenvolvimento".

Entre os especialistas em desenvolvimento, a indicação de um dos principais idealizadores da invasão norte-americana ao Iraque mostra que a Casa Branca tem a clara intenção de assegurar que o Banco Mundial agirá de acordo com os objetivos da atual administração dos EUA. A candidatura de Wolfowitz foi classificada como "altamente imprópria" por Rainer Tetzlaff, especialista em Banco Mundial da Universidade de Hamburgo, em entrevista à Deutsche Welle.

Uma pedra no sapato

James Wolfensohn Treffen Weltbank und Währungsfond

James Wolfensohn, atual presidente do Banco Mundial

O atual presidente do Banco Mundial vinha sendo uma pedra no sapato de George W. Bush. Indicado em 1995 por Bill Clinton, então presidente dos EUA, ele criticou em várias oportunidades a política externa do governo Bush. Além disso, questionou a eficácia do relacionamento de países em desenvolvimento com as chamadas instituições Bretton Woods – Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nas últimas décadas, as instituições Bretton Woods têm sido vistas como as grandes promotoras da globalização – o que, na prática, significou a abertura dos mercados do Hemisfério Sul (onde estão a maioria dos países subdesenvolvidos) para os produtos fabricados no Hemisfério Norte. Entre cientistas políticos, há o consenso de que os programas de reestruturação econômica promovidos pelo FMI nos últimos 20 anos colaboraram para o aumento da pobreza no Terceiro Mundo.

Perfil impróprio

O especialista em economias em desenvolvimento e assessor do Banco Mundial Michael Grimm, de Göttingen, afirmou à Deutsche Welle que a indicação dos EUA foi obviamente mal pensada, uma vez que um funcionário do Departamento de Defesa não tem o perfil para dirigir uma instituição em que a capacidade de ponderação de pedidos de vários países em desenvolvimento é essencial.

"O presidente deveria escolher alguém que possa se identificar com os objetivos das entidades não-governamentais e que possa conectar as políticas de desenvolvimento no mundo todo", aconselha Grimm. Caso isso não ocorra, o especialista teme que o Banco Mundial possa perder seu principal foco: a criação de políticas de combate à pobreza.

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