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Alemanha

De símbolo da renovação a símbolo da crise

A Universidade Humboldt de Berlim, criada há quase 200 anos para concretizar o ideal de formação humanista de Wilhelm von Humboldt, tornou-se símbolo da grave crise do ensino universitário na Alemanha.

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Salas de aula apinhadas são um dos problemas das universidades alemãs

A profunda crise que afeta o ensino superior na Alemanha há anos e já foi tema de um sem-número de debates, seminários e escritos não poderia encontrar um símbolo mais eloqüente. A tradicional Universidade Humboldt de Berlim decidiu congelar a inscrição de novos alunos no próximo semestre universitário, que se inicia em outubro, e não contratar mais professores em substituição aos que forem deixando os quadros.

A Humboldt é uma das três universidades públicas da capital alemã, que precisam economizar juntas entre 200 e 600 milhões de euros. Desde 1995, passaram pela pasta da Ciência em Berlim cinco diferentes secretários, e nenhum teve outra solução para a crise que não o corte de gastos.

Berlim, que foi o berço de uma ampla reforma da universidade, no início do século 19, a qual serviu inclusive de orientação para o ensino superior nos quatro cantos do mundo, ameaça agora tornar-se a sepultura das idéias que a guiaram, como lamenta Martin Spiewak em artigo publicado pelo semanário Die Zeit. Em 1810, Wilhelm von Humboldt fundou a universidade que porta seu nome tendo em vista concretizar o ideal de formação humanista baseada na "unidade entre o ensino e a pesquisa".

Resistências às reformas — Quase dois séculos depois, as instituições do ensino superior na Alemanha apontam um quadro de sintomas crônicos que — como no exemplo berlinense — ameaça explodir num surto agudo. Falta constante de recursos nos cofres, alunos demais, professores de menos, estudantes que arrastam os estudos por um período de pelo menos seis, sete anos, falta de chances profissionais para os formados, falta de atratividade para universitários do exterior.

Existem, sim, planos de reforma, e alguns deles, já implementados, demostram eficiência na prática. O problema é que os exemplos são ainda esparsos. Spiewak fala em seu artigo de uma "coalizão dos opositores de reformas", referindo-se a professores universitários que confundem liberdade da ciência com carta branca para uma pesquisa e ensino desligados da prática, políticos que afirmam querer mudar sem estar dispostos a investir um tostão e alunos que desperdiçam a chance de formação como se ela fosse um recurso infindável.

Despedir-se das ilusões — O autor vê o grande problema na recusa em reconhecer que a tarefa das universidades mudou com o tempo. Despedir-se das ilusões é o imperativo do momento. A universidade não pode mais ser vista como uma instituição destinada a oferecer o mesmo para todos. A formação da elite continua sendo sua tarefa, mas é preciso também flexibilizar a oferta, aumentando, por exemplo, os cursos de bacharelado e deixando a pesquisa para os realmente interessados num mestrado ou doutorado.

A ciência é um bem valioso, lembra Spiewak, e quem quiser atrair pesquisadores de ponta para a Alemanha precisará pagar bem. Mas como ter sucesso, se uma entidade como a Pennsylvania State University gasta, só em pesquisa, 430 milhões de dólares, uma quantia que corresponde à receita total da Universidade Humboldt de Berlim?

Na Alemanha, o estudo superior — com exceção das poucas escolas superiores particulares — é totalmente subvencionado pelo Estado, e isso também precisa mudar. Para que a universidade alemã possa se manter competitiva, é preciso debater seriamente a cobrança de taxas — desde que não exorbitantes — para os estudos superiores, bem como conquistar patrocinadores particulares, defende o autor. A recuperação do prestígio e uma maior eficiência das universidades alemãs exige coragem para reformas e disposição em investir.

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