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Mundo

De quem é a autoria dos atentados em Madri?

Os especialistas em terrorismo não têm uma opinião unânime sobre a autoria dos atentados em Madri. O governo espanhol não descarta a intervenção de extremistas islâmicos, embora a principal suspeita recaia sobre o ETA.

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Espanha está de luto

O Ministério do Interior da Espanha mantém como principal linha de investigação a hipótese de que o grupo separatista basco ETA seja responsável pela ação terrorista. Até o momento, além das centenas de feridos, 198 pessoas já morreram em conseqüência das explosões em estações de trens de Madri, na manhã de quinta-feira (11/03).

A outra hipótese, de que o ato terrorista tenha sido organizado por integrantes da resistência árabe como um gesto de vingança pela participação espanhola na Guerra do Iraque, é vista com certa reserva.

O ministro espanhol do Interior, Angel Acebes, confirmou que, em uma localidade perto de Madri, foi encontrada na quinta-feira uma caminhonete contendo sete detonadores junto com uma fita cassete gravada em árabe. O veículo foi achado em Alcalá de Henares, de onde três dos quatro trens carregados com explosivos haviam partido.

Enquanto isso, um jornal londrino recebia um comunicado no qual a rede terrorista Al-Qaeda reivindica a autoria da barbárie. Representantes do governo americano alertaram quanto à suposta participação da Al-Qaeda. Eles afirmaram que não é hábito da organização extremista árabe reconhecer a responsabilidade de um atentado com tanta rapidez.

Extremistas espanhóis?

O especialista em questões de segurança Joachim Krause, da Universidade de Kiel, acredita que por trás dos atentados na capital espanhola se esconde "um ETA fragilizado mas extremista". Nesse sentido, salientou que "os membros da antiga cúpula estão todos presos. Agora os jovens comandam o ETA e eles são muito radicais, talvez estejam seguindo o exemplo da Al Qaeda e de outros terroristas".

O fato de a polícia espanhola ter apreendido, 12 dias atrás, um veículo com 500 quilos de explosivo sendo transportados por duas pessoas suspeitas de pertencer ao ETA é um sinal evidente de que o grupo separatista tinha intenção de "agir com extrema brutalidade".

Rolf Tophoven, diretor do Instituto de Investigações sobre Terrorismo e Política de Segurança, sediado em Essen, também acha que não existe grande relação entre os atentados e os grupos terroristas islâmicos. "Pela ótica dos radicais árabes, não faz muito sentido colocar bombas em trens espanhóis". O único motivo seria o apoio que a Espanha prestou aos Estados Unidos na Guerra contra o Iraque.

Já o grupo separatista basco ETA - destacou Tophoven - age somente dentro do país, e a proximidade das eleições legislativas seria um forte motivo para um ato de violência. Cauteloso, o especialista ressaltou que não deixa de ser atípico para o ETA a falta de advertência prévia e a potência dos ataques.

Radicalismo islâmico?

As opiniões sobre o assunto são divergentes. Ruth Stanley, do Instituto Otto-Suhr de Ciências Políticas, considera que o perfil do atentado não combina com o ETA. A intenção foi causar o maior número possível de vítimas. Para ela, se a participação do ETA for comprovada, isto só reverteria contra o grupo e reforçaria o partido conservador nas eleições de domingo (14/03).

Antony Gooch, da escola londrina de economia (LSE), não descarta a relação entre os ataques e a Guerra contra o Iraque. Na sua opinião, as dimensões e a coordenação dos atentados não coincidem com o estilo de ação do ETA. Ele também levantou a hipótese de que o grupo basco possa ter cooperado com outras organizações extremistas na execução destes atentados.

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