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Alemanha

De bem com a vida

Projeto pesquisa satisfação dos alemães com o país, sua cidade, as autoridades e instituições. Osnabrück defende o título de melhor cidade em qualidade de vida, na opinião de seus próprios moradores.

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Osnabrück agrada habitantes e turistas

A cidade de 164 mil habitantes na Baixa Saxônia lidera o ranking do projeto Perspectiva Alemanha, que desde 2001 verifica a opinião dos moradores do país sobre vários aspectos da vida nacional, como o desempenho de seus políticos, da polícia, das escolas e dos hospitais, por exemplo.

Na última quinta-feira, 16, o ex-presidente federal Richard von Weizsäcker lançou a terceira edição daquela que se tornou no ano passado a maior pesquisa sobre sociedade já feita pela internet em todo o mundo. Mais de 356 mil pessoas preencheram os formulários online. O projeto é uma parceria entre a revista Stern, a consultoria McKinsey, a emissora de tevê ZDF e o provedor de internet T-Online.

Em 2002, o Perspectiva Alemanha apurou que os habitantes de Baden-Württemberg são os mais satisfeitos com seu Estado. Enquanto 87% deles consideram boa ou muito boa a qualidade de vida no sudoeste alemão, apenas 30% dos moradores da Saxônia-Anhalt dizem o mesmo do Estado do Leste, líder nacional em desemprego. A pesquisa identificou ainda que os alemães apreciam mais sua cidade do que o país como local de moradia. Satisfeitos com a Alemanha mostraram-se 61%, contra 69% com seu domicílio.

O ranking não segue critérios objetivos, tais como os chamados indicadores de desenvolvimento usados pela ONU para calcular a qualidade de vida. O projeto alemão simplesmente se guia pela expressão subjetiva dos participantes, que precisam avaliar sua satisfação com delegacia do trabalho e organizações ambientalistas locais, entre outras referências.

Bauhaus in Dessau

Fundação Bauhaus em Dessau

Destaques do ranking – O último resultado deixou Dessau na laterna das 97 regiões em que o país foi dividido para a pesquisa. Nem mesmo o fato de ser berço da arquitetura Bauhaus faz da cidade na Saxônia-Anhalt motivo de orgulho para seus moradores. A capital Berlim também não saiu-se bem e seus habitantes a deixaram num modesto 74º lugar. Stuttgart destacou-se com a honrosa quinta colocação. O líder em qualidade de vida é entretanto Osnabrück, com 87% de aprovação de seus cidadãos.

Fundada em 780 como sede de bispado, Osnabrück beneficia-se ainda hoje de sua história e localização. Embora as metalúrgicas ainda respondam por metade dos 20 mil empregos da indústria local, que conta ainda com fábricas dos setores automotivo, de beneficiamento de cobre e de papel, entre outros, a cidade vem se destacando como pólo prestador de serviços. Bem servida por auto-estradas e ferrovias, vindas de todos os lados e que se cruzam nela, Osnabrück vem atraindo cada vez mais empresas de logística. O setor terciário já domina 69% do mercado de trabalho. O desemprego está abaixo da média nacional.

Cidade da Paz – Mas estes aspectos econômicos também podem ser encontrados em outras cidades alemãs. Portanto, o que faz especial a terceira maior cidade da Baixa Saxônia? A Deutsche Welle foi apurar in loco e conversando identificou heranças históricas. Em 1648, a prefeitura da cidade foi palco para a assinatura do acordo Paz da Vestfália, que pôs fim à Guerra dos 30 Anos, entre católicos e protestantes europeus.

Rathaus von Osnabrück

Prefeitura de Osnabrück

O fato é explorado ainda hoje pelas autoridades locais e não à toa as manifestações em Osnabrück contra a guerra no Iraque atraíram três vezes mais participantes do que em Hamburgo. O município se proclama oficialmente Cidade da Paz e todos os anos promove ciclos de debates sobre o tema, concedendo ainda o Prêmio Erich Maria Remarque a pessoas que se destacaram na luta pela paz. Nascido em Osnabrück, Remarque é autor do best-seller Nada de novo no front, uma espécie de diário em que relata o medo nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial.

Há poucos anos, o governo federal deu sua contribuição ao perfil do município, transferindo para lá a Fundação Nacional de Pesquisa da Paz. A organização mundial Terre des Hommes igualmente instalou na cidade baixo-saxã sua central alemã.

A áurea pacifista parece impregnada nos habitantes. Ex-motorista profissional, o aposentado Conny Lüttschwager afirma que ali reina a confiança mútua entre os vizinhos. A polícia informa que as hostilidades contra estrangeiros são insignificantes e que não há neonazistas no município. A prefeitura, entretanto, também procura incentivar o alto astral dos habitantes, com campanhas de marketing, como "Felizmente, vivo em Osnabrück". Tudo isto contribui para a satisfação.

Ambiente turístico – A felicidade dos cidadãos contagia os visitantes. Douglas Leighton esteve na cidade e ficou impressionado com a receptividade, o orgulho dos moradores em viver lá e a disposição em ajudar. "Eles realmente cuidam dos turistas, em vez de apenas tolerá-los", diz o inglês.

Apesar de seu caráter economicamente moderno, Osnabrück oferece a seus moradores e turistas ambiente típico de uma cidade alemã: catedral, centro antigo, palácio, rio, clube de futebol, universidade, fontes e muitas ciclovias. Claro que Osnabrück também tem alguns prédios tenebrosos do pós-guerra e mobiliário urbano de gosto questionável.

Stadt: Osnabrück, Außenansicht des Felix-Nussbaum-Hauses

Museu Felix Nussbaum

E em contraste com os prédios históricos, a cidade ganhou em 1998 o Museu Felix Nussbaum, de autoria do arquiteto Daniel Libeskind, vencedor da concorrência para construir em Nova York o sucessor do World Trade Center, destruído em atentado terrorista em 11 de setembro de 2001. Dedicado ao pintor judeu Nussbaum, que residia na cidade e foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz durante o nazismo, o museu abriga também todos os anos a semana da cultura israelense. Osnabrück oferece ainda teatro municipal e festivais de música, arte midiática e cultura gay.

A paisagem dos arredores convida a caminhadas. A sudeste, descobriu-se há alguns anos um sítio arqueológico que está reescrevendo a história da Alemanha. Ao pé do morro Kalkriese, na localidade de Bramsche, o líder germânico Armin teria contido o avanço do Império Romano sob o comando de Varus. Supunha-se anteriormente que a decisiva batalha havia sido travada a dezenas de quilômetros dali.

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