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Economia

DaimlerChrysler dá adeus a Mitsubishi e Hyundai

Poucas horas depois de desistir de um investimento na deficitária Mitsubishi, o grupo teuto-americano DaimlerChrysler levou um "fora" da Hyundai, da Coréia do Sul. A cabeça de seu presidente está por um triz.

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Jürgen Schrempp, presidente da DaimlerChrysler

DaimlerChrysler e a Ásia: uma relação que vai de mal a pior. Na quinta-feira (22) à noite o grupo teuto-americano anunciara que deixará de investir no saneamento bilionário da Mitsubishi, do Japão. Agora, sua planejada aliança com a Hyundai Motors ameaça morrer no berço.

Com base em fontes internas da Hyundai, a revista alemã de finanças WirtschaftsWoche revelou que a sul-coreana teme de que a DaimlerChrysler se aproveite da joint venture para exercer sobre ela maior influência, a exemplo do que vem acontecendo com o atribulado grupo Mitsubishi. A DaimlerChrysler retém pouco mais de 10% do capital da Hyundai Motors, integrante do Hyundai Industrial Group.

Kim Yong-Duk, vice-presidente da KEB Commerz Investment Trust Management em Seul, explicou à WirtschaftsWoche que a Hyundai "não quer tornar-se mais um elemento na trêmula 'Mundo S.A.' do Sr Schrempp [presidente da DaimlerChrysler], mas sim impor-se por seus próprios esforços".

Brigando pela China

Em princípio, o plano original da quinta maior empresa do mundo do setor automobilístico seria simplesmente unir-se à bem sucedida Hyundai Motors na produção de caminhões pesados. Além disso, forneceria 50 mil motores de caminhão por ano à companhia sul-coreana. As duas empresas – que haviam unido forças desde 2001 – formariam assim a Daimler Hyundai Truck Company (DHTC).

Consta que o presidente da sul-coreana, Park Hwang-Ho, está irritado com os planos da Mercedes-Benz, subsidiária da DaimlerChrysler, de expansão na China. A começar em 2005, a montadora alemã pretende produzir para o mercado chinês os modelos Mercedes Classe C e E, em conjunto com a Beijing Automotive Industry Company (BAIC).

Porém a Hyundai também tem um programa de cooperação com a BAIC, e exige ser sua única parceira por um prazo de 30 anos. Segundo especialistas, se a Hyundai conseguir se impor, a Mercedes-Benz pode esquecer a intenção de produzir carros na China.

O rompimento definitivo da aliança Daimler-Hyundai depende apenas do esclarecimento de detalhes financeiros, acrescenta o jornal alemão Die Welt. Por sua participação de 50% na DHTC, a DaimlerChrysler pagou 400 milhões de euros. No meio tempo este valor duplicou-se, mas a Hyundai estaria disposta a pagar mais de três vezes a quantia investida pela teuto-americana na joint venture.

Golpe para os japoneses

Daimler-Chrysler

Sede da Daimler-Benz em Stuttgart

O comunicado oficial da DaimlerChrysler às 22h46 (horário de Berlim) de 22 de abril de 2004 foi curto, porém contundente: "Presidência e conselho administrativo decidiram não participar do aumento de capital planejado pela Mitsubishi Motors Corporation (MMC), assim como suspender qualquer futuro apoio financeiro à MMC".

Retendo 37% das ações da firma japonesa, a DaimlerChrysler é sua maior acionista. Por enquanto, ela pretende manter essa parcela, embora se saiba ao certo por quanto tempo, declarou seu diretor de finanças, Manfred Gentz. A seu ver, a MMC será capaz de sobreviver, mesmo sem o apoio do grupo teuto-americano, e não enfrenta qualquer perigo de uma crise de liquidez.

Louvor incondicional

O aplauso mais eloqüente à decisão da DaimlerChrysler – e conseqüente economia de alguns bilhões – foi talvez o salto de 9% de suas ações, ultrapassando os 39 euros, logo na manhã de sexta-feira. Entre os economistas, os tons de aprovação foram desde "um grande dia para o grupo e seus acionistas" a "antes um fim assustador do que um susto sem fim".

Para Klaus Kaldemorgen, gerente da associação DWS, 22 de abril foi também "um bom dia para a corporate governance na Alemanha". O cabeça do maior fundo de investimentos do país exigira uma rápida mudança de estratégia durante a assembléia geral da DaimlerChrysler.

De pernas serradas

Porém é o mesmo Kaldemorgen a não poupar críticas contra o presidente do grupo, Jürgen Schrempp. Esta seria uma última chance, pois "está claro que a direção da Daimler não pode se permitir mais nenhum erro", observou Kaldemorgen.

De resto, Schrempp está sendo bombardeado pela imprensa e o setor econômico. De maneira mais ou menos aberta, e não sem uma ponta de prazer malicioso, ridiculariza-se a megalomania de conceber uma "Mundo S.A." automobilística (Welt AG), englobando a Mitsubishi e a Chrysler. Incorporada em 1998 e igualmente problemática, esta última será, ao que tudo indica, a próxima na linha de tiro.

Há mesmo quem não veja mais qualquer chance para o visionário chefe da Daimler, depois de seus fiascos bilionários. Segundo Michael Punzet, analista do Banco do Estado da Renânia-Palatinado (LRP): " A cadeira de Schrempp está de pernas serradas".

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