1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

DaimlerChrysler acusada de crime na Argentina

Famílias de funcionários da montadora alemã que foram mortos ou desapareceram na época da ditadura militar argentina (1976-1983) vão processar a montadora alemã nos Estados Unidos.

default

A queixa-crime foi apresentada nesta quarta-feira (13/01) a um Tribunal Federal de São Francisco, no Estado da Califórnia. Várias leis americanas – inclusive a Torture Victims Protection Act, de 1992 – permitem que estrangeiros, vítimas de crimes contra os direitos humanos, processem empresas multinacionais em tribunais dos Estados Unidos.

Neste caso específico, trata-se de 15 funcionários da Mercedes Benz da Argentina que foram seqüestrados e assassinados pelo regime militar entre 1976 e 1977. Eles teriam sido denunciados aos militares argentinos por altos funcionários da empresa, entre eles o diretor de produção, Juan Tasselkraut.

As denúncias baseiam-se na pesquisa realizada pela jornalista alemã Gaby Weger e em depoimentos de sobreviventes. Os familiares das vítimas desaparecidas – esposas, irmãos e filhos – estão exigindo que a DaimlerChrysler os indenize pelos danos psíquicos.

O montante da indenização terá de ser estipulado durante o processo, explicou à DW-WORLD Daniel Kovalik. Ele e seu colega Terry Collingsworth são os dois advogados que estão defendendo os interesses dos parentes das vítimas.

DaimlerChrysler contesta

A DaimlerChrysler criou uma comissão, chefiada pelo jurista alemão Christian Tomuschat, que apresentou relatório em dezembro de 2003, isentando a montadora de responsabilidade no desaparecimento dos seus funcionários.

Entretanto, o próprio Tomuschat admitiu que a empresa forneceu fotos de funcionários posteriormente desaparecidos às autoridades de segurança. Um dos funcionários mortos pelos militares, Esteban Reimer, foi denunciado como agitador, mas Tomuschat nega que a Mercedes Benz da Argentina seja culpada pela sua morte.

Conforme o advogado Daniel Kovalik, esses fatos já são suficientes para processar a multinacional alemã nos tribunais americanos. Processos semelhantes já foram movidos nos Estados Unidos contra o criminoso de guerra sérvio Radovan Karadzic e o ex-premiê chinês Li Peng.

Acionistas apóiam o processo

A Associação dos Acionistas Críticos da DaimlerChrysler, que apoiou a investigação do caso, está fazendo pressão para que os descendentes e sobreviventes dos funcionários desaparecidos sejam indenizados, conforme o diretor da entidade, Henry Matheus.

A DaimlerChrysler tem rejeitado até agora um acordo fora dos tribunais e qualquer envolvimento no desaparecimento dos funcionários da Mercedes Benz da Argentina.

Leia mais