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Cultura

Da sinfonia ao som enlatado: o computador na música

Nos últimos anos qualquer um pode fazer música sem ter o menor conhecimento prévio, prático ou teórico. Os PCs e Macs revolucionam a produção, difusão e mesmo a audição musical. A qualidade é quem sofre?

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A música está em todo lugar graças aos meios eletrônicos. O telefones celulares massacram o repertório clássico e pop de cabo a rabo, a internet é uma fonte inesgotável de sons. E, com alguns conhecimentos de computador, qualquer pessoa pode compor tranqüilamente em casa.

Tal disponibilidade alterou a relação com a arte das melodias e ritmos. "A música não é mais nada de especial", afirma Tobias Pfleger, do Instituto de Economia Musical da Universidade de Freiburg. A maioria das canções nas lojas de CD são pop de linha de montagem, produzidas num piscar de olhos.

Incapacidade de concentração

A tendência é reduzir a música a breves intervenções, "espremidas no tempo", como define Pfleger. Segundo Astrid Reimers, da Comissão para Pesquisa de Culturas Populares Musicais, "o toque do celular tornou-se um acessório da própria personalidade".

Já Rainer Lorenz, docente da Escola de Música de Karlsruhe, lamenta a redução generalizada da capacidade de concentração dos ouvintes. "A fase de atenção ainda comporta uma canção pop; uma peça clássica é longa demais. As pessoas não estão acostumadas a ter que se concentrar mais de três minutos."

Um outro aspecto: fazer música deixou de ser assunto para artistas de talento. Para compor e executar não são necessários nem conhecimentos musicais nem orquestra, basta um computador. "Entre 80% e 90% da música pop é produzida no computador", revela Lorenz.

Democratização de meio

O resultado não é necessariamente mercadoria de baixa qualidade. Parte da produção em bits e bytes tem alto nível artístico. Segundo Pfleger, "o computador é um fantástico auxiliar na produção e difusão". Uma de suas vantagens é justamente que se pode compor e tocar inúmeros instrumentos sem precisar de anos de instrução musical. "Poder-se falar até numa democratização dos meios de produção", diz o professor de Karlsruhe.

Na avaliação de Pfleger, "a música ficou até mais variada". E a música erudita não está condenada à morte pelos sons digitais, ela até ganhou novas possibilidades. "Há também compositores modernos que trabalham com computadores, com análise sonora. Se abafarmos certas freqüências de um som de flauta, ele soa totalmente diferente", explica. Lorenz lembra que "assim são possíveis extremos de volume e velocidade que um ser humano não poderia executar".

Instrumental ou digital, música é trabalho duro

Lorenz faz uma ressalva: "Mas isso também permite, a quem sequer sabe o que é um acorde, sair fazendo música. Eles criam qualquer coisa, como por mágica, passagens virtuosísticas, sem saber tocar nada". Não é qualquer um que é capaz de ajuntar beats pré-fabricados para formar uma grande obra. E muito menos a toque de caixa: "Fazer boa música é trabalho duro". Afinal, só as teclas é que são outras: plástico cinzento ao invés de marfim.

No estúdio da Escola de Música de Karlsruhe, os estudantes aprendem a produzir com o computador música agradável "e fora do comum". Na opinião de Lorenz, nem todos os compositores de música informatizada conseguem esse resultado.

Porém, a grande demanda continua sendo mesmo de música popular corriqueira. Isto, segundo o professor, faz parte da nova atitude de consumo, que torna os ouvintes acríticos demais. A seu ver há um excesso de música como pano de fundo e pouca educação musical. "As pessoas não estão mais acostumadas a escutar. Elas nem ligam para o que está tocando", diz.

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