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Brasil

Da miséria à filantropia

Estrelas brasileiras no futebol alemão ajudam amigos e familiares no Brasil. Muitas vezes, vilas inteiras são favorecidas pela ajuda financeira dos atletas, em sua maioria também de origem humilde.

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Marcelinho, generosidade com a família

"Tenho de pensar em minha família. Quando eu encerrar a minha carreira como jogador, não terei chances no Brasil porque não estudei uma profissão. Por isso, tenho de faturar agora." Muitos brasileiros milionários no futebol europeu pensam como Leonardo de Deus dos Santos, o Dede, do Borussia Dortmund.

O lateral esquerdo, de 25 anos, sustenta cinco irmãos e 11 familiares diretos, segundo uma reportagem publicada pela revista Der Spiegel sobre a generosidade de algumas estrelas brasileiras no futebol alemão. Só que o ex-Atlético Mineiro tem o cuidado de não distribuir dinheiro. "Só ajudo com coisas concretas." Ao tio Clóvis, cabeleireiro, paga o seguro de saúde; Antônio, outro tio, que é pintor, recebe roupas e medicamentos. Para os pais, construiu uma mansão cercada por altos muros e para três irmãos conseguiu vagas em clubes alemães. "Ele é o trator da família", assegura o pai, Vicente.

Der Brasilianer Ailton jubelt, SV Werder Bremen, Bundesliga

Aílton, artilheiro da Bundesliga

A cada final de ano, Dede distribui alimentos, camisetas e chuteiras nas favelas de sua cidade natal, Belo Horizonte. Ele mesmo nasceu num bairro pobre, aprendeu a manejar a bola no quintal do casebre dos pais e muito cedo começou a jogar no Atlético Mineiro. Não demorou para que seu talento fosse reconhecido também no exterior e, em 1998, aos 20 anos de idade, foi contratado pelo Borussia Dortmund. No time alemão, que tem outros cinco brasileiros, ele é considerado o caxias do grupo, por ser pontual e confiável.

Aílton, a base da família Aílton Gonçalvez da Silva, 30 anos, um dos oito filhos do ex-trabalhador rural Pedro Cruz, é o benfeitor da cidadezinha de Mogeiro, na Paraíba, onde vai inaugurar sua vaquejada no final deste mês. O atual artilheiro do campeonato alemão veio para o Werder Bremen em 1998, devendo mudar para o Schalke em meados do próximo ano com um salário anual de quatro milhões de euros, segundo o semanário Der Spiegel.

"Ele é a base para nós todos", diz a irmã mais nova, Ana Maria, de 22 anos. O irmão milionário paga-lhe os estudos e viagens ao exterior. O dinheiro enviado por Aílton é administrado pela família na Paraíba. Seja na compra de mais propriedades, na expansão das duas fazendas ou na escolinha de futebol em João Pessoa. Mais de um milhão de reais já foram investidos na vaquejada, que o jogador considera um de suas garantias para a velhice. Para os irmãos, comprou automóveis.

Borussia Dortmund: Dede

Dede

O craque viaja ao menos duas vezes por ano ao Brasil, ocasiões em que Mogeiro fica de pernas para o ar por causa do turismo para ver Aílton. Pelo menos 35 membros da família ocupam-se diretamente com os empreendimentos do jogador, que ao todo sustenta 120 familiares e amigos. "Ele não sabe dizer não", ressalta a irmã, ao explicar que ele envia alimentos aos favelados, paga medicamentos aos necessitados ou envia um caminhão para ajudar um vizinho.

De mendigo a benfeitor Por não gostar de viver sozinho, Marcelinho Paraíba trouxe praticamente a família toda para Berlim. Mãe, irmãs, amigos e primas vieram à capital alemã, trazendo quilos de feijão e carne seca, para que o ídolo do Hertha Berlin não sinta saudades da comida brasileira. Para manter o "clã" brasileiro, o meio-campo de 25 anos gasta em média 30 mil euros por mês, seja em aluguel, passagens e abastecimento.

Marcelo Santos, natural de Campina Grande, na Paraíba, está construindo dez mansões, com piscina e campo de futebol, na área de 13 hectares que comprou para a família nos arredores da cidade. Seu pai, Pedrinho Cangula, ex-atacante do Campinense, foi o autor do primeiro gol feito no Estádio Governador Ernani Sátiro.

Quando encerrou a carreira, teve de fazer biscates como pedreiro para garantir o sustento da família. O filho, Marcelinho, tinha de vender sorvete no estádio de futebol. Marcelinho lembra que muitas vezes a fome o levou a pedir comida na casa dos ricos. Certa vez, os moradores de uma mansão o convidaram para tomar banho e comer.

Desde aquele dia, Marcelinho Paraíba sonhava em morar numa casa igual, o que acabou se concretizando há alguns anos. Já jogador bem-sucedido, ele bateu à porta da mansão e fez uma proposta irrecusável. Comprou-a e ofereceu-a aos seus pais.

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