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Mundo

Da marcha prussiana ao tecno

Política de aproximação e reconciliação cultivada desde a década de 70 contribuiu para criar entre os poloneses uma nova imagem dos vizinhos alemães.

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Jovens poloneses relacionam Alemanha mais com Love Parade do que com música marcial

Uma vizinhança conflituosa ao longo dos séculos, reforçada pelos acontecimentos ligados à Segunda Guerra Mundial, determinou até recentemente as relações entre os poloneses e seus vizinhos alemães. Desde os cavaleiros das cruzadas medievais, passando pelos cadetes prussianos com seus passos marciais e culminando com os nazistas como a personificação do mal, a imagem dos alemães esteve sempre relacionada com a agressão para seus vizinhos a leste.

Todo polonês — mesmo que não fale alemão — conhece de cor as frases " Ordnung muss sein" (A ordem é imprescindível) e " Arbeit macht frei" (O trabalho liberta — a famigerada frase que encima o portão de entrada do campo de concentração de Auschwitz). Um dito popular resume o caráter das relações entre os dois povos: "Enquanto o mundo existir, não pode haver fraternidade entre o alemão e o polonês".

Um novo olhar

A política de aproximação e reconciliação iniciada na década de 70 por Willi Brandt e cultivada ao longo das últimas décadas, bem como a nova realidade política da Europa, contribuíram para o surgimento de uma nova imagem. Enquanto os mais velhos ainda relacionam os alemães com as atrocidades da guerra, os jovens poloneses pensam mais na Love Parade, que agita Berlim ao som do tecno, e num estilo de vida chique e confortável, ao falar em Alemanha. Para muitos, o sonho é conseguir um emprego bem pago no país vizinho.

É verdade que os poloneses continuam admirando mais os franceses e os americanos, mas adotaram uma atitude pragmática: afinal, a Alemanha é a mais importante parceira comercial da Polônia, tendo-se declarado, além disso, a maior defensora da pretensão daquele país de ingressar para a União Européia. A atitude firme da Alemanha nesta questão — demonstrada por último na cúpula realizada em Copenhague — vem sendo registrada com satisfação na Polônia.

Mas os eurocéticos e nacionalistas ainda nadam contra a corrente, tentando reverter a tendência antes do plebiscito em que a população decidirá sobre o ingresso da Polônia para a UE. Batem sempre na mesma tecla: "Os alemães ainda vão acabar ganhando a guerra. Vão voltar e ser donos de todo o país".

No mais, certas divergências decorrem mais de diferenças culturais do que dos velhos preconceitos. Os poloneses têm outra noção de tempo: menos apressados, não dispensam um papo informal mesmo em encontros para negócios. Ir direto ao assunto é, para eles, sinal de descortesia. Quando um interlocutor da Alemanha lhes é simpático, o melhor elogio possível é dizer que "ele nem parece ser alemão".