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Economia

Da ação humanitária ao comércio ilegal

A população alemã doa todos os anos toneladas de roupas usadas, mas em boas condições. Quase sempre na crença de que elas vão servir a necessitados. E sem saber que contribui em parte para o comércio ilegal na África.

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Roupa usada recolhida pela Caritas e destinada a necessitados

Um dos sinais da abastança e do bem-estar de que goza boa parte da população alemã são as duas toneladas de roupas usadas, mas em boas condições, de que as pessoas se desfazem a cada ano.

Organizações de ajuda humanitária, tais como a Cruz Vermelha e a Caritas, realizam coletas regulares pelas cidades, recolhendo as roupas cuidadosamente embaladas em sacos plásticos, que as pessoas colocam sobre a calçada depois de receberem aviso sobre a data da ação em seu bairro.

Limpas e selecionadas, as roupas são disponibilizadas, nas sedes desses organizações ou em salões paroquiais, para pessoas necessitadas: famílias que dependem de ajuda social do Estado, desempregados, sem-teto.

Agentes comerciais

Ao lado dessas entidades consagradas e conhecidas de todos, existem outras com nomes bem-sonantes, que recolhem igualmente roupas usadas alegando destiná-las a um fim beneficente. O que o doador não sabe é que, por trás delas, estão muitas vezes atravessadores ou comerciantes que vendem as roupas e faturam milhões de euros ao ano.

Em certos casos, esses negociantes chegam a pagar licença a uma organização beneficente, que dá seu nome à campanha e recebe em recompensa uma parte das roupas recolhidas, para distribuir entre os necessitados a que presta assistência.

Essas atividades à margem da legalidade são um espinho na garganta de Friedel Hütz-Adams, diretor da Südwind, ONG que se ocupa de questões derivadas das relações Norte-Sul e que há dez anos vem chamando a atenção para o comércio internacional com roupas usadas da Europa.

Prejudicial ao mercado africano

O problema, segundo Hütz-Adams, é que grande parte da coleta vai parar nos mercados africanos, embora muitos dos países naquele continente tenham uma indústria têxtil própria. Vendida a "preço de banana", a roupa européia prejudica os produtos locais, que não conseguem concorrer.

A maioria dos países africanos não tem como se livrar dessas importações indesejadas. Eles têm dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e são por isso obrigados a abrir seus portos para importações do hemisfério Norte.

Mesmo em países que conseguiram impor a proibição desse tipo de mercadoria - Simbábue, África do Sul, Nigéria -, os mercados regionais são inundados pelas roupas européias usadas. Elas dão muito lucro e são contrabandeadas de um país a outro, depois de conseguir penetrar no continente. O que era, portanto, uma doação com fim beneficente, acaba se tornando objeto de comércio ilegal.

A legislação alemã proíbe que o material doado seja comercializado. O que falta é fiscalização nos municípios, e é isso que a Südwind cobra das autoridades na Alemanha. Enquanto isso não acontece, comerciantes mal-intencionados vão continuar recolhendo as embalagens plásticas contendo roupas que as pessoas acreditam estar doando para necessitados.

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