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Alemanha

Dívida precoce, falência tardia

Jovens alemães dispõem de mais dinheiro, mas estão cada vez mais endividados por causa do consumo excessivo. Escolas incluem controle de gastos no currículo.

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Celular, símbolo de status e fator de endividamento

Um estudo do Instituto de Pesquisas da Juventude, de Munique, revelou que os jovens entre 13 e 24 anos dispõem, em média, de 5650 euros para gastar ao ano. Crise econômica à parte, a juventude alemã vai dispor este ano de 62 bilhões de euros, seja da mesada, bicos ou presentes em dinheiro. São quase dez bilhões de euros a mais que no ano passado.

Karin Fries, diretora do instituto de pesquisas, tem uma justificativa para este aumento: Pode ser paradoxal, mas quando a situação econômica dos pais é ruim, quem lucra são as crianças. Pais e mães cada vez mais estressados compensam com dinheiro o pouco tempo que têm para os filhos. Dispor de tanto dinheiro, entretanto, pode ser uma armadilha no moderno mundo do consumo.

O apoio econômico em demasia dos pais a um filho pode ser o início de um círculo vicioso, alertam os especialistas. Sem saber administrar uma conta aberta pelos pais, o adolescente corre o risco de tornar-se um adulto falido. Ao lado do carro, da bicicleta motorizada e dos móveis, o celular é um dos principais fatores de endividamento da juventude.

É comum observar-se jovens alemães em conversas que parecem intermináveis com seus celulares nas ruas, nos parques ou nos transportes coletivos. Uma pesquisa da Central de Defesa do Consumidor do Estado de Baden-Württemberg revelou que os gastos mensais dos menores de idade com mensagens SMS ou telefonemas chegam a 72 milhões de euros no país. A facilidade de conseguir empréstimos junto a amigos ou familiares acaba despertando na criança a sensação de crédito ilimitado.

Jovens e falidos

Cerca de 10% dos jovens alemães têm uma dívida média de 1550 euros, seja junto a amigos, aos pais ou com o banco. "Lidar com dinheiro deveria fazer parte do aprendizado de uma criança. Já quando aprendem a contar, elas precisam aprender a controlar os gastos. Nada cai do céu" assinala Joachim Hoffmann-Göttig, vice-secretário da Cultura no Estado de Hessen.

A problemática tornou-se tão séria na Alemanha que as escolas reagiram, levando o assunto para a sala de aula, a título de prevenção. Um exemplo é Stuttgart. Sua prefeita acompanha de perto a questão, junto com conselheiros de finanças e pedagogos. "As dívidas na idade precoce podem ser a base para a falência do adulto", adverte Gabriele Müller-Trimbusch.

Em seu livro Jung, lässig und pleite (Jovem, desleixado e falido), Lucia Reich aborda o potencial de consumo das crianças e jovens alemães, cobertos de dinheiro e mimos pelos familiares, dignos representantes da sociedade do bem-estar. "Já uma menina de um ano e meio pressiona a compra dos acessórios que acompanham uma boneca".

Aos três anos, já distinguem logomarcas como a do McDonalds. Quanto mais velhos, mais definidos tornam-se os hábitos de consumo. Para 60% dos que têm entre 6 e 14 anos, a marca Milka, por exemplo, é a preferida entre os chocolates, assinala a autora.

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