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Brasil

Cunha anuncia ruptura com governo

Presidente da Câmara culpa o Planalto por seu envolvimento nas investigações da Operação Lava Jato, diz que agora faz parte da oposição e pede que PMDB siga mesmo caminho. Temer afirma que decisão do deputado é pessoal.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou nesta sexta-feira (17/07) seu rompimento com o governo Dilma Rousseff – num passo tido como o ápice do

confronto

entre o Planalto e a base aliada.

Cunha deixou claro que, a partir de agora, faz parte da oposição. Mas disse que não atuará contra o governo como presidente da Câmara. Ele afirmou que, como político, vai tentar no congresso do PMDB, em setembro, convencer seu partido a seguir o mesmo caminho.

"Estou oficialmente rompido com o governo a partir. Teremos a seriedade que o cargo ocupa. Porém, o presidente da Câmara é oposição ao governo", disse.

O deputado culpa o Planalto por seu envolvimento nas investigações da Operação Lava Jato. Segundo ele, o governo orquestrou jogá-lo no centro da investigação para enfraquecê-lo. A denúncia feita pelo empresário Júlio Camargo, que fechou acordo de delação premiada, é de que o deputado teria cobrado 5 milhões de reais de propina para viabilizar um contrato de navios-sonda da Petrobras para a empresa Toyo Setal.

"Está muito claro para mim que esta operação [Lava Jato] é uma orquestração do governo", disse, lembrando que, desde junho, o Executivo iniciou uma "devassa fiscal" em suas contas. "Esse tipo de devassa, de cinco anos, é um constrangimento para um chefe de poder."

Cunha disse haver interferência do governo nas investigações da Lava Jato, mesmo com o envolvimento de petistas. Segundo ele, esses nomes não fazem parte do “processo”: “O governo tem ódio de mim, não me engole e fez tudo para me derrotar. Eu ignorei até agora este processo. Tem um bando de aloprados no Palácio.”

O presidente da Câmara garantiu estar tranquilo e que não teme as acusações. Ele já havia negado seu envolvimento no esquema investigado pela Lava Jato e acusou o Planalto de agir contra o Congresso Nacional, diante das mobilizações em torno de um processo de impeachment contra Dilma.

Temer: "Decisão pessoal"

Em resposta às declarações de Cunha, o vice-presidente da República, Michel Temer, divulgou uma nota deixando claro que a posição de rompimento com o governo é pessoal do deputado, e não tem respaldo institucional do PMDB. Temer é presidente nacional da legenda.

"A manifestação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é a expressão de uma posição pessoal, que se respeita pela tradição democrática do PMDB. Entretanto, a presidência do PMDB esclarece que toda e qualquer decisão partidária só pode ser tomada após consulta às instâncias decisórias do partido: comissão executiva nacional, conselho político e diretório nacional", diz o comunicado.

RPR/abr/rtr

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