Cultura e escândalos em 90 anos do Festival de Salzburgo | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 25.07.2010
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Cultura

Cultura e escândalos em 90 anos do Festival de Salzburgo

Um ingresso de 1920, anotações do diretor Max Reihnardt, o envolvimento com o nazismo, Mozart, Hoffmannsthal, Brandauer e Tabori: evento cultural na Áustria exibe nove décadas de tradição e ousadia.

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Com Klaus Maria Brandauer (dir.) no papel-título, montagem de Peter Stein de 'Édipo em Colono'

Os escândalos fazem tanto parte do Festival quanto Mozart de Salzburgo. Essa é uma das constatações a que leva a exposição Grosses Welttheater. 90 Jahre Salzburger Festspiele (Grande Teatro do Mundo), dedicada aos 90 anos do importante evento cultural.

Durante a inauguração da mostra, neste sábado (24/07), a diretora do festival, Helga Rabl-Städler, riu após dar uma olhada por trás de pesadas faixas de veludo vermelho: "Vejo casais copulando!", comentou.

Discretamente oculta atrás da cortina, encontrava-se uma vídeo-instalação sobre as montagens teatrais que criaram polêmica em Salzburgo. No caso, a versão do diretor húngaro George Tabori (1914-2007) da peça O Livro dos Sete Selos, estreada em 1987. Ao contrário de Rabl-Städler, os responsáveis na época não tiveram motivos para rir, pois a encenação foi cancelada, por suposta obscenidade.

A cidade é o palco

Para além dos pruridos moralistas, inúmeras fotos, figurinos e adereços originais, assim como instalações de áudio e vídeo, documentam de forma viva a história do festival. E, refletindo a ideia original de que "toda a cidade é um palco", a exposição não se limita às dependências do Museu de Salzburgo.

Kulturkalender August: Salzburger Festspiele, Jedermann, Ben Becker als Tod

Ben Becker representa a Morte na alegoria de Hugo von Hoffmannsthal

A casa onde nasceu Wolfgang Amadeus Mozart abriga festivais de música, realizados em honra do gênio musical entre 1842 e 1910, precursores do atual espetáculo cultural. Já o museu da catedral da cidade aborda uma outra particularidade salzburguense: a peça Todo Mundo ( Jedermann), de Hugo von Hofmannsthal (1874-1929), que abre o evento neste domingo, 25 de julho.

Desde a primeira edição do Festival de Salzburgo, em 1920, o diretor Max Reinhardt estabeleceu a tradição de montar ao ar livre, na praça da catedral, essa obra alegórica, calcada nos mistérios religiosos medievais. E lançou, assim, um desafio para futuras gerações de encenadores e atores. Em seus 45 metros de extensão, a galeria da Arquiabadia Sankt Peter coloca lado a lado os protagonistas de todas as montagens realizadas nos 90 anos do evento, de Will Quadflieg e Maximilian Schell a Klaus Maria Brandauer e Ulrich Tukur.

Salzburgo de "A" a "Z"

Foco das diversas mostras são os artistas e diretores artísticos que marcaram o Festival de Salzburgo, desde o dramaturgo Von Hofmannsthal até o "reformador" Gérard Mortier. Passando pelo excêntrico regente Karajan: uma colagem crítica intitulada Being Herbert von Karajan mostra o maestro em todos os papéis possíveis, no palco e fora dele.

Salzburger Festspiele 2010

Cantor Martin Kränzle na ópera 'Dionysos' de Wolfgang Rihm

Começando com "A", de "arquitetura", uma enciclopédia do festival apresenta, ainda, temas diversos dessa movimentada história. Fechando a cronologia e criando uma ponte para a edição atual do evento, estão os manuscritos da ópera Dionysos, de Wolfgang Rihm (*1952), baseada nos Ditirambos de Dionísio, de Friedrich Nietzsche. "Esta é a primeira vez que uma ópera é exposta em museu, antes mesmo da estreia", comenta com humor a diretora da exposição, Margarethe Lasinger.

O período nazista é tampouco considerado tabu. Em um mural, num canto completamente negro do Museu de Salzburgo, estão expostos fatos e imagens: os artistas judeus que ficaram proibidos de se apresentar na cidade austríaca às margens do Rio Salzbach; a retirada de Todo Mundo do programa, e a integração do festival à propaganda nazifascista.

Segundo o diretor do museu municipal, Erich Marx, foi "um trabalho sem fim" reunir todas as peças de exposição; sobretudo as mais antigas, que ele exibe, orgulhoso: ingressos para a primeira apresentação da obra de Hofmannsthal, em 22 de agosto de 1920; o livro de direção original de Max Reinhardt; ou um cartaz de 1928. Com ligeiras variações, ele constitui, até hoje, a logomarca do Festival de Salzburgo.

AV/dpa
Revisão: Soraia Vilela

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