Cuba abre caminho para negócios autônomos | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 02.08.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

América Latina

Cuba abre caminho para negócios autônomos

Ilha comunista no Caribe governada por Raúl Castro vai diminuir restrições para negócios autônomos. Medidas visam combater o desemprego no país, que atinge 1 milhão de pessoas.

default

Marcas do passado revolucionário

Agora, os trabalhadores cubanos poderão pensar em ter o próprio negócio, na ilha sob regime comunista. Novas leis anunciadas pelo presidente Raúl Castro, neste domingo (01/08) em Havana, prometem estimular a iniciativa.

Entretanto o ministro da Economia, Marino Murillo, se apressou em deixar claro que o país não quer mudar a essência de sua política: "Não se pode falar que são reformas. Estamos estudando uma atualização do modelo econômico, no qual as prioridades da economia socialista estarão à frente, e não o mercado", afirmou.

Cuba permitirá que seus cidadãos abram pequenos negócios e contratem mão-de-obra. Segundo Raúl Castro, serão eliminadas várias proibições vigentes para a concessão de novas licenças e para a comercialização de alguns produtos, o que vai flexibilizar a força de trabalho. As mudanças, informou o governo, visam diminuir o desemprego no país.

Iglesia Nuestra Senora del Carmen - Centro Habana Havanna Kuba Cuba

Capital Havana: pequenos autonômos receberão licença para trabalhar

Transição de modelos

O estímulo a pequenas iniciativas privadas é uma ação significativa numa ilha que, economicamente, depende 95% do Estado. No começo dos anos 1990, em meio à crise econômica que assolou o país depois da queda da antiga União Soviética, medidas semelhantes foram aplicadas – mas as autoridades deixaram de conceder licenças depois de alguns anos.

Segundo estimativas do governo Castro, dos 5 milhões que formam a força de trabalho em Cuba, atualmente cerca de 1 milhão estão desempregados. O governo não divulgou o número de licenças que pretende conceder. É sabido que muitos cubanos que administram negócio próprio ilegalmente.

Há três meses, Castro implantou um programa-teste de privatização na ilha. O governo passou a alugar lojas aos trabalhadores que, até então, se mantinham através de gorjetas e trabalhavam em casa nas horas vagas. Os cabeleireiros, por exemplo, terão liberdade para fazer suas tabelas de preços, e se empenham para melhorar o serviço. Eles pagam pela licença, aluguel, seguro social e contas de água e energia. O programa também inclui arrendamento de táxis a seus motoristas.

"Que ninguém se engane. A defesa de nossas sagradas conquistas, de nossas ruas e praças, seguirá sendo o primeiro dever dos revolucionários", advertiu Castro.

Flash-Galerie Kuba Alltag

Turismo ajuda pequenos empresários a tocar negócio

Dificuldades da ilha

Em seu discurso neste domingo, diante dos 610 deputados do parlamento, o presidente cubano afirmou que o anúncio tenta suprimir "os enfoques paternalistas que desestimulam a necessidade de trabalhar para se viver, e assim reduzir os gastos improdutivos".

Cuba passa por grandes dificuldades financeiras devido à crise global, e ainda sofre com os prejuízos deixados pela passagem de três furacões, há dois anos. Além do embargo norte-americano, a ilha sofre com a baixa produtividade de suas empresas estatais.

Por outro lado, Castro chamou de "alentadores" os resultados da economia cubana da primeira metade do ano e destacou o aumento do número de turistas. Ainda assim, os trabalhadores cubanos continuam ganhando em média 20 dólares por mês.

O país tem 11 milhões de habitantes. Até 2009, havia apenas 143 mil autônomos legalizados.

NP/afp/rts/dpa
Revisão: Augusto Valente

Leia mais