1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Cronograma apertado e violência impõem desafio a inspetores da Opaq na Síria

Sem tempo para festejar o Nobel da Paz, organização ligada à ONU enfrenta, em meio à guerra civil síria, a missão mais complexa de sua história. Entre os principais desafios, logística e segurança.

A tarefa assumida pelos inspetores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) na Síria é perigosa. A poucos quilômetros do hotel onde estão hospedados em Damasco, diariamente, tropas do presidente Bashar al-Assad trocam tiros com a oposição armada. Em meio à guerra civil, que já provocou a morte de mais de 100 mil pessoas, os peritos da entidade, recentemente premiada com o Nobel da Paz, têm a missão de desativar o arsenal químico do regime.

Desde que a Síria, sob pressão internacional, entrou com o pedido de adesão à Convenção para a Proibição de Armas Químicas, em 14 de setembro, as Nações Unidas vêm preparando a missão. Em entrevista coletiva em Haia, o diretor da Opaq, Ahmet Üzümcü, afirmou que, até agora, a cooperação com os sírios tem sido construtiva. "As autoridades sírias têm cooperado", afirmou.

Maçaricos e motosserras

No início de outubro, uma primeira equipe da Opaq, de 19 pessoas, chegou a Damasco. No total, a delegação deverá ser composta por cerca de cem membros. "As primeiras inspeções foram realizadas nos dias 6 e 7 de outubro", afirmou Üzümcü. "Alguns equipamentos já foram destruídos."

OPCW Direktor Ahmet Üzümcü 09.10.2013

Ahmet Üzümcü diz estar satisfeito com o trabalho com as autoridades sírias

Para destruir, por exemplo, ogivas de foguetes e bombas aéreas foram utilizados maçaricos e motosserras. Os trabalhos são executados pelo próprio Exército sírio, e os funcionários da Opaq supervisionam as operações. Os prazos são apertados: de acordo com o Conselho de Segurança da ONU, até 1 de novembro todas as instalações de mistura e preenchimento de armas químicas devem ser destruídas.

Segundo Ralf Trapp, especialista em armas químicas e ex-inspetor da Opaq, esses primeiros passos são relativamente rápidos e fáceis de implementar. "Trata-se de processos meramente mecânicos que são aplicados ali. Fazem-se furos, cortam-se tubulações ou derrama-se cimento no recipiente de mistura", explica.

Russland Zweite Fabrik zur Vernichtung von Chemiewaffen in Betrieb Kambarka

Destruição de armas químicas exige instalações complexas, como aqui na Rússia

No entanto, o processo é bastante crítico, porque gases venenosos, como o sarin são empregados, na maioria das vezes, como "armas químicas binárias" – isso significa que o veneno só é formado, de fato, com a explosão das granadas. Os produtos de base com os quais as ogivas são preenchidas são, em si, relativamente inócuos. Após a destruição das ogivas e também dos equipamentos de mistura e enchimento, essas armas ficam inutilizáveis.

Grande parte das cerca de mil toneladas de armas químicas sírias deve existir nessa forma. Projéteis já equipados com agentes químicos podem ser neutralizados em incineradores especiais. No entanto, esse processo é muito mais complicado e exigente.

Incineração em fornos especiais

A Dynasafe é uma das poucas empresas especializadas na eliminação de tais armas de guerra. A companhia dirigida por alemães desenvolveu instalações onde projéteis inteiros podem ser neutralizados em altas temperaturas dentro de recipientes extremamente robustos e herméticos.

"No fim, a sucata foi tão fervida que pode ir para a reciclagem. E os gases tóxicos foram também eliminados de forma a atender a todos os valores -limite", explica gerente da empresa, Holger Weigel.

Ralf Trapp

Especialista em armas químicas Ralf Trapp vê Opaq diante de missão perigosa

Ainda não está claro se a firma também vai atuar na Síria. De acordo com o diretor Wolfgang Gödel, até agora não houve uma solicitação específica das autoridades competentes. No entanto, Gödel disse que sua empresa estaria em condições de reagir no espaço mais curto de tempo a tal solicitação. Fornos móveis poderiam, por exemplo, ser colocados em funcionamento rapidamente. Por outro lado, a construção de instalações completas levaria meses.

Na destruição de armas químicas, o maior problema está na segurança. Embora todas as instalações de depósito e produção de armas químicas do regime sírio provavelmente ainda estejam sob o controle do Exército, o transporte das armas entre diferentes locais, para que sejam destruídas num único lugar, ainda parece arriscado.

Por esse motivo, Ralf Trapp considera que os inspetores da Opaq estão diante de uma missão extremamente difícil: "Como Estado, somente o governo sírio pode ser obrigado a cooperar legalmente, enquanto, no caso da oposição, só é possível apelar e lhes pedir que apoiem adequadamente o processo."

Leia mais