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América Latina

Cristina Kirchner é acusada de manobrar para esconder inflação argentina

Fundo Monetário Internacional censura estatísticas do governo argentino, que estaria maquiando os números da inflação. Índice baixo significa economia para o Estado, já que juros da dívida são vinculados ao indicador.

A Argentina voltou a trocar farpas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) depois que divulgou a taxa de inflação registrada no país em 2012. O índice, de 10,8%, é menos da metade do valor calculado por consultorias privadas, que estimaram a alta de preços em 25,6% no ano passado.

Devido à disparidade nos cálculos, o Comitê Executivo do FMI apresentou uma "declaração de censura" à Argentina na última sexta-feira (01/02) pela falta de precisão dos dados de inflação e de crescimento econômico divulgados pelo governo.

A moção de censura não tem consequências imediatas, mas pode afetar a credibilidade internacional do país. Ela é o primeiro passo para abrir um processo de sanções – como a suspensão do direito de voto – que pode chegar, até mesmo, à declaração do país como "não elegível" para receber recursos financeiros do FMI.

Para o professor do Instituto de Economia de Kiel, na Alemanha, Federico Foders, as críticas do FMI têm fundamento. "Não se pode confiar nos dados apresentados pela Argentina. O governo interviu no instituto de estatísticas em 2007 e colocou lá um político que representa os interesses do governo argentino. É preciso um instituto independente para realizar estatísticas corretas", frisou, em entrevista à DW.

Para ele, a "maquiagem" do índice de inflação tem alguns motivos claros: além de servir nas negociações salariais, a inflação também baliza os juros da dívida pública argentina. "Quanto menor o índice, menores serão os custos do Estado com o pagamento de bônus. Vantagem para o orçamento público, mas as pessoas que compraram títulos do governo não acham a medida tão animadora", disse.

Prof. Dr. Federico Foders

Foders diz que controle de preços não resolve para segurar a inflação

Preços congelados

A inflação é uma das principais preocupações dos argentinos, segundo várias pesquisas de opinião. Para contê-la, o governo argentino realizou um acordo com as principais cadeias de supermercado do país para congelar, por dois meses, os preços de venda de todos os produtos, informou a Secretaria do Comércio Interior.

Ao realizar o controle de preços, a Argentina dá indícios de que os dados sobre a inflação até agora apresentados por seu instituto de estatística não correspondem à realidade.

Na opinião de Foders, congelar preços não é a solução. "O controle de preços sempre falhou como instrumento para domar a inflação. Depois que ela já está alta, não é possível freá-la com esse artifício. Deve-se curar as causas, não os sintomas", afirmou o economista.

Entre as causas está a grande quantidade de pesos circulando na Argentina e, por outro lado, a baixa quantidade de dólares devido ao controle de divisas e de câmbio realizado pelo governo. Os argentinos só podem comprar uma certa quantidade de dólares no mercado e, dessa forma, o mercado negro se intensifica a cada dia.

O congelamento de preços nos supermercados da Argentina pode trazer sérios riscos ao país. "As empresas vão reduzir a produção. Se um produto custa, por exemplo, 10 euros, por que eu o venderia a 5?", questionou Foders, afirmando que deverá surgir um mercado negro para a negociação de produtos como café, pão, carne, chá, entre outros.

Puxão de orelha

Com a censura do FMI, o governo de Cristina Kirchner tem até o dia 29 de setembro para tomar medidas corretivas. A declaração de censura é a advertência mais dura dada até hoje ao país pelo FMI, que afirma que a Argentina não tem realizado progressos suficientes na precisão de suas estatísticas logo após a primeira advertência, dada há um ano.

Argentinien Banknoten

Há uma grande quantidade de pesos circulando na Argentina e cidadãos têm restrições para comprar dólares

A presidente criticou a moção do FMI em sua conta do microblog Twitter. "A verdadeira causa da raiva do FMI", diz ela, "é que a Argentina pagou o FMI e renegociou duas vezes sua dívida sem voltar a pedir dinheiro emprestado no mercado financeiro internacional para terminar com a lógica do endividamento eterno e o negócio permanente de bancos, intermediários etc que acabou no calote de 2001".

O ministro da Economia da Argentina, Hernán Lorenzino, considerou que "parece paradoxal que [os especialistas do FMI] estejam preocupados com as medidas que a Argentina aplica, neste contexto internacional em que muitos países europeus têm problemas importantes e seguem a cartilha do Fundo". No entanto, o ministro anunciou que o governo "está trabalhando fortemente em um Índice de Preços ao Consumidor (IPC) com alcance nacional".

Autor: Fernando Caulyt
Revisão: Francis França

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