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Mundo

Crise síria é tema central na visita de premiê turco aos EUA

Pressionado após atentado na fronteira turco-síria, líder da Turquia deverá defender uma ação militar. Já o presidente americano deverá insistir na solução diplomática.

Há uma semana parecia que o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, poderia realizar suas conversações em Washington com o presidente Barack Obama numa posição vantajosa, estando até mesmo em condições de influenciar a política hesitante do presidente americano para a Síria.

Numa entrevista para a emissora NBC News, Erdogan disse que a muito citada "linha vermelha" de Obama, associada com o uso de armas químicas, já foi ultrapassada há muito tempo. "É claro que o regime usou armas químicas e mísseis", afirmou. Além disso, ele pediu a criação de uma zona de exclusão aérea na Síria.

Mas, depois disso, duas bombas foram detonadas no último sábado, matando 51 pessoas na cidade fronteiriça turca de Reyhanli. E, de repente, Erdogan se vê exposto na Turquia a protestos contra sua política para a Síria. Políticos da oposição manifestaram a preocupação de que ele esteja deliberadamente empurrando seu país para um sangrento conflito com o país vizinho.

Questão curda

Turkei Syrien Bombenanschlag Trauer Reyhanli 12.05.2013

Atentado em Reyhanli: detonação fez aumentar pressão sobre Ancara

Já o especialista alemão em segurança Horst Teltschik interpreta a política de Erdogan em relação à Síria como resultado de uma reviravolta deliberada nas relações com a nação limítrofe, com a qual a Turquia manteve durante longos anos boas relações políticas e econômicas.

Entre as causas para essa mudança de posição, Teltschik cita o problema cada vez mais dramático dos refugiados na Turquia, que já são estimados em mais de 400 mil, e o temor em relação à minoria alevita que habita a região de fronteira com a Síria. "Ela é acusada de envolvimento nos últimos atentados, juntamente com a inteligência síria", acrescenta o analista, que foi assessor para segurança do ex-chanceler federal alemão Helmut Kohl e diretor da Conferência sobre Segurança de Munique.

Além disso, uma outra fonte frequente de crises internas – a questão curda – pode novamente vir à tona, na opinião de Teltschik, apesar de esta parecer atualmente a caminho de uma solução, após um acordo informal obtido com o líder curdo preso Abdullah Özalan. "A preocupação de Erdogan é que a questão curda desperte novamente caso a Síria se desintegre. Se os curdos de Síria, Iraque, Turquia e Irã iniciarem uma nova iniciativa para um Curdistão independente, isso seria um pesadelo para ele", avalia.

Parceiro estratégico dos EUA

Embora Erdogan esteja atualmente sob crescente pressão política interna, sua importância como parceiro estratégico dos Estados Unidos não diminuiu. A localização geográfica, no flanco sudeste da Otan, com uma longa fronteira com a Síria, já fala por si. Os EUA necessitam de um parceiro confiável numa região que já tem problemas suficientes, como a questão palestina, a instabilidade interna do Iraque e o conflito latente com o Irã.

Horst Teltschik / Sicherheitsberater

Teltschik acredita que guerra síria pode agravar questão curda na Turquia

Não é por acaso que Obama se esforçou para obter, em sua última visita a Israel, uma reaproximação dos dois principais aliados dos EUA na região, através de um pedido de desculpas do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a Erdogan. A ruptura de relações entre Israel e Turquia ocorrera após o ataque fatal da Marinha israelense à flotilha de ajuda a Gaza em 2010, na qual nove ativistas turcos foram mortos.

Importância dos militares turcos

O cientista político Ivan Vejvoda, da fundação German Marshall Fund, sediada em Washington, acredita que o peso da Turquia na atual crise está menos no setor diplomático que no militar. "O Exército turco é, sem dúvida, o mais forte e mais moderno da região e tem uma importante cooperação militar e de segurança com o Exército israelense", observa. O Exército turco, afirma, é um bastião contra um possível alastramento do conflito sírio na região e pode vir a integrar uma força de intervenção, que poderia agir na Síria, por determinação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU ou como parte de uma coalizão internacional.

"E não devemos esquecer que os EUA têm mísseis estacionados na Turquia para proteger o país contra possíveis ataques da Síria. Esse detalhe também é sinal de uma estreita parceria de segurança", observa o especialista.

Envio de armas

Teltschik acha muito provável que Erdogan peça em Washington que as forças de oposição síria sejam ajudadas através do fornecimento de armas. "Depois de dois anos, as inteligências americana e europeias deveriam, na verdade, serem capazes de diferenciar quais forças devem apoiar e quais não. Quer dizer: eu não descartaria mais um possível envio de armamentos."

Türkische Soldaten

Soldados turcos na fronteira síria: "bastião" contra ampliação do conflito

Além disso, ele acredita ser praticável, em caso de conflito, a realização de "intervenções cirúrgicas" nos moldes israelenses. "Israel já atacou na Síria três vezes com sua Força Aérea, sem que tenha havido uma reação. Erdogan poderia, no meu ponto de vista, também falar sobre ataques cirúrgicos na Síria, cujos alvos poderiam ser o quartel-general militar ou mesmo o palácio presidencial."

Antes da conferência internacional sobre a Síria, acertada entre os EUA e a Rússia, esse não parece ser um cenário realista. Em vez disso, Obama possivelmente vai tentar convencer o convidado turco da viabilidade de uma solução diplomática. Mas Erdogan não é a figura mais decisiva para o sucesso do encontro e sim o presidente russo, Vladimir Putin. E este já alertou, após seu encontro com Netanyahu, para o perigo de uma "desestabilização" da Síria.

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