Crise política e entraves comerciais prejudicam empresas alemãs no Irã | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 24.06.2009
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Economia

Crise política e entraves comerciais prejudicam empresas alemãs no Irã

Como se não bastasse a crise econômica, os conflitos políticos no Irã estão deixando as empresas alemãs apreensivas. Além disso, restrições comerciais impostas pela Alemanha são ainda mais severas que as sanções da ONU.

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Irã é o terceiro maior parceiro comercial da Alemanha no Oriente Médio

As empresas alemãs que exportam para o Irã observam com apreensão e reservas os conflitos locais desencadeados pelo resultado das eleições presidenciais. "De modo geral, todos estão na expectativa, aguardando como as coisas vão se desenvolver", declarou Felix Neugart, especialista regional da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), em Berlim.

O empresariado alemão tenta adiar decisões sobre quaisquer negócios. Algumas empresas deram férias antecipadas aos funcionários, por considerarem imprevisível a situação em Teerã. Segundo Neugart, o Irã é o terceiro maior parceiro comercial da Alemanha no Oriente Médio, após os Emirados Árabes e a Arábia Saudita.

"Estimamos que haja aproximadamente cem empresas alemãs estabelecidas no Irã", informou o especialista. Outras mil são representadas no país por iranianos. "As empresas e os produtos alemães tem renome no Irã", constata.

Dificuldades de financiamento e excesso burocrático

Em 2008, a Alemanha exportou para o Irã mercadorias no valor de quase 4 bilhões de euros. Nos três primeiros meses de 2009, o volume de exportação caiu 22% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Isso é consequência da atual crise econômica e dos entraves nas relações comerciais com o país.

"O financiamento está muito difícil, porque muitos bancos pararam de apoiar negócios com o Irã", explica Neugart. A Alemanha é um dos países que querem convencer o governo iraniano – através de atrativos políticos e econômicos – a utilizar a energia nuclear apenas para fins civis. Nesse contexto, concedem-se cada vez menos seguros estatais para as exportações do empresariado alemão.

Segundo Neugart, o volume de novos negócios segurados ultrapassava 2 bilhões de euros em 2004. No ano passado, esse valor foi de apenas 100 milhões de euros. "Isso faz falta principalmente às pequenas empresas, pois – quando recebem uma encomenda – elas dependem de empréstimos para produzir", elucida o especialista.

Além disso, os bancos, para aprovar um empréstimo, exigem cada vez mais uma autorização de exportação, concedida pelo Departamento Federal de Economia e Controle de Exportação (Bafa). Essas permissões só deveriam ser requeridas para produtos que possam ter um uso tanto civil como militar.

"Mas os bancos e as autoridades alfandegárias passaram a requerer um parecer do Bafa para qualquer mercadoria exportada para o Irã", comenta o especialista. Como resultado, o Bafa está sobrecarregado com tantos pedidos.

Os casos mais complicados são repassados à comissão interministerial do governo alemão. "Certas empresas precisam esperar meses para obter uma autorização, algo que – em casos extremos – pode levar ao cancelamento do negócio", afirma ele.

Neugart espera que as condições políticas para o comércio com o Irã voltem a se normalizar logo.

Empresariado alemão afetado por decisões políticas de Berlim

Os entraves comerciais impostos pela Alemanha ao Irã vão além das sanções da ONU contra o país. "O perigo é que essas medidas possam levar a uma alteração de mercado em detrimento do empresariado alemão", teme Neugart.

Já a China e a Rússia, por exemplo, elevaram suas exportações para o Irã nos últimos anos. No entanto, ainda é cedo para prever em que medida os atuais acontecimentos políticos em Teerã vão afetar as relações comerciais entre a Alemanha e o Irã.

SL/dpa
Revisão: Alexandre Schossler

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