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Mundo

Crise política é desafio para novo premiê paquistanês, dizem especialistas

Raja Pervaiz Ashraf substituirá primeiro-ministro destituído Yousuf Raza Gilani. Contudo nomeação não solucionará problemas políticos do país, que afetam relações com vizinhos e com os EUA, afirmam analistas.

Raja Pervaiz Ashraf, eleito primeiro-ministro do Paquistão nesta sexta-feira (22/06), assume o cargo em momento de intensa crise política no país. Ashraf conseguiu a maioria dos votos na câmara baixa do parlamento, a Assembleia Nacional. O até então ministro da Tecnologia da Informação foi eleito após a Suprema Corte paquistanesa ter dispensado o premiê Yousuf Raza Gilani, na quinta-feira.

Num veredicto controverso, a Suprema Corte destituiu o premiê Gilani. Em abril, a corte o declarara culpado por desobediência, depois de ter se recusado a escrever uma carta ao governo da Suíça para reabrir processos de corrupção envolvendo o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, que as autoridades suíças haviam arquivado em 2008.

O Partido do Povo Paquistanês (PPP) governista afirma que os processos tiveram "motivação política" e não podem ser reabertos enquanto Zardari permanecer chefe de Estado e gozar de imunidade presidencial.

O PPP contestou a decisão de quinta-feira, alegando que o primeiro-ministro só poderia ser destituído pelo parlamento. Apesar das reservas contra o veredicto, o partido decidiu aceitar a determinação da corte, visando o bem do país.

Desafios para o novo premiê

Snehal Shingavi, especialista em Paquistão da Universidade do Texas, declarou à Deutsche Welle que a nomeação de Ashraf como novo primeiro-ministro do Paquistão não solucionaria a longa crise política e institucional do país. Para Shingavi, Ashraf provavelmente terá o mesmo destino de seu antecessor. "A estratégia do PPP é manter candidatos que serão derrubados pelo Judiciário para que o partido possa culpar os tribunais pelo impasse político", afirma.

Premiê Gilani foi destituído pela Suprema Corte paquistanesa

Premiê Gilani foi destituído pela Suprema Corte paquistanesa

Shingavi acredita que Ashraf tenha um árduo trabalho pela frente. "Há pelo menos três problemas a serem enfrentados. Em primeiro lugar, o Judiciário vai exigir que ele faça acusações contra Zardari, e o PPP não pode permitir que isso aconteça. Em segundo lugar, os partidos de oposição, Tehreek-e-Insaaf e a Liga Muçulmana Paquistanesa [do antigo primeiro-ministro Nawaz Sharif] estão clamando por novas eleições. Por último, a população está ficando cada vez mais agitada pela crise econômica que o país enfrenta", considera o especialista.

Para Shingavi, é provável que a amarga disputa entre o Judiciário e o Executivo continue, apesar da eleição do novo premiê.

Choque de instituições

Muitos paquistaneses enxergam a situação atual como um choque de instituições. Adeptos do PPP consideram que o Judiciário, apoiado pelo onipresente Exército do Paquistão, tenta minar a supremacia do parlamento e a democracia civil.

Nesta quinta-feira, a corte antinarcóticos apoiada pelos militares emitiu mandado de prisão contra Makhdoom Shahabuddin, por envolvimento em esquema de drogas. Ele fora a primeira opção do PPP para o cargo de primeiro-ministro. Alguns observadores afirmam que o mandado contra Shahabuddin tem motivação política e é parte da guerra em curso entre o Judiciário e o parlamento.

"Estou certo de que o mandado tem motivações políticas, caso contrário, ele teria sido emitido há mais tempo. Mas o PPP também está cheio de figuras políticas que fizeram coisas ilegais e usaram seu poder para cobrir essas práticas. Tanto o PPP quanto seus inimigos usam seus recursos políticos de forma muito oportunista", disse Shingavi.

Especialistas também criticaram a Suprema Corte por destituir um primeiro-ministro eleito e disseram que o chefe de Justiça, Iftikhar Mohammed Chaudhry, tentou minar a configuração democrática nascente no Paquistão.

Emrys Schoemaker, analista de comunicação e pesquisador da London School of Economics, disse à DW que as consequências da remoção de Gilani pela corte são "políticas". "A principal questão é se o momento da destituição de Gilani foi acertado. A corte deveria agir pelo bem do país e se envolver na política ou deveria se manter neutra? Parece que a corte está simplesmente lidando com casos em sua lista de sentenças, mas as consequências de seus atos são altamente políticas", afirma.

Implicações regionais

Chefe de Justiça Chaudhry tentou minar democracia no Paquistão, afirmam especialistas

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Especialistas afirmam que os Estados Unidos estão observando de perto o aprofundamento da crise política do Paquistão, país que possui armamento nuclear.

"A história do Paquistão é marcada por esse tipo de crise política. A comunidade internacional não confia em nós. A situação da região é muito complexa. Os eventos políticos recentes no Paquistão não podem ser vistos como algo isolado", disse à DW o ativista Zaman Khan, baseado em Lahore.

Observadores acreditam que a atual turbulência na política doméstica paquistanesa provavelmente afetará as relações do país com seus vizinhos e com o Ocidente, em particular com os Estados Unidos. Os laços entre EUA e Paquistão foram enfraquecidos desde que o ataque aéreo norte-americano a um posto de fronteira matou 24 paquistaneses em 2011. Desde então, não tem havido sinais de que as relações bilaterais melhorarão em breve.

Autor: Shamil Shams (lpf)
Revisão: Augusto Valente

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