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Economia

Crise no turismo alemão prejudica também outros países

O setor de turismo da Alemanha está passando por uma das suas maiores crises do pós-guerra. Os alemães estão reduzindo drasticamente as suas viagens.

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Diminui o número de alemães nas praias mediterrâneas

Em relação ao ano passado, as reservas para viagens ao exterior na Alemanha caíram cerca de 12% no primeiro semestre deste ano e cerca de mil agências de viagens estão ameaçadas de falência, afirma o deputado Ernst Hinsken, que preside a comissão parlamentar de Turismo no Bundestag. Segundo ele, são duas as causas da crise: os efeitos do atentado terrorista de 11 de setembro nos Estados Unidos e a má situação conjuntural da economia alemã.

No caso das viagens dentro do país, a retração não foi tão dramática, atingindo aproximadamente 3% nos primeiros seis meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior. "Ainda assim, muitas empresas só lograram o aproveitamento da metade das suas capacidades", afirma Hinsken. E a situação é de grande defasagem: algumas regiões registram até mesmo um aumento no número de pernoites, enquanto em outras a retração é bem marcante.

Fomento estatal

Ernst Hinsken, deputado federal da União Social Cristã (CSU), o partido do candidato a chanceler Edmund Stoiber, faz reivindicações radicais ao governo de Berlim, a fim de fomentar o turismo. Segundo ele, é preciso reduzir para 7% a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) – atualmente, 16% – no setor da hotelaria. Isto aumentaria a competitividade dos hotéis alemães em relação aos seus concorrentes franceses (alíquota de 5,5%) e austríacos (10%), por exemplo.

Além disto, Hinsken vê no imposto ecológico sobre os combustíveis um dos grandes empecilhos para um aumento do turismo interno com o automóvel. Ele conclama o governo alemão a abrir mão da chamada "quinta etapa" de introdução do imposto ecológico, a fim de que os combustíveis não se tornem ainda mais caros.

Como terceira medida para incentivar o turismo dentro da Alemanha, o deputado oposicionista reivindica a concessão de maiores subvenções estatais para fortalecer a promoção de feiras e congressos. No ano passado, o setor faturou 2,5 bilhões de euros e recebeu cerca de dez milhões de visitantes. No primeiro semestre do corrente ano, no entanto, o número dos visitantes já sofreu uma queda de 3%.

"Grelha teutônica"

Nos últimos anos, a enorme quantidade de veranistas alemães deitados ao sol gerou a designação irônica de "grelha teutônica" para as praias dos países mediterrâneos. Mas também em outras partes da Europa, os alemães eram visitantes freqüentes e bem-vindos, muitas vezes dispostos a gastos maiores que a média dos demais turistas.

Isto, contudo, já não é mais a regra geral. O número de turistas da Alemanha caiu drasticamente, especialmente na Espanha e em Portugal. E os visitantes que restaram já não são mais tão perdulários. Os especialistas do setor citam a nova moeda única – o euro – como uma das causas desta retração. Anteriormente, a desvalorização do escudo e da peseta fazia com que as férias na Península Ibérica fossem quase uma pechincha para os portadores do forte marco alemão. Agora, a moeda é a mesma e os preços deixaram de ser módicos.

À parte disto, nos anos das "vacas gordas" (segundo o diário espanhol El País), os setores da hotelaria e da gastronomia na Espanha acostumaram-se a cobrar preços altíssimos por serviços extremamente precários e deficientes. E a especulação imobiliária "fechou" as praias e a paisagem com verdadeiras muralhas de prédios com alojamentos de terceira categoria para o turismo de massa. A perda de atratividade das regiões turísticas foi enorme.

Isto foi constatado também pelo secretário de Estado no Ministério espanhol do Turismo, Juan Costa: "O fato de que 540 mil alemães tenham dado as costas à Espanha, somente no primeiro semestre deste ano, deve nos dar o que pensar."