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Mundo

Crise no Iraque preocupa a China

Chineses compram 80% do petróleo iraquiano e têm mais de 10 mil trabalhadores no país. Avanço dos radicais sunitas do EIIL gera nervosismo no governo em Pequim.

Öl Irak

Controlado por chineses, campo de petróleo de Halfaya é um dos maiores do Iraque

Até agora, a estratégia dos chineses no Iraque funcionou à perfeição. Sem ter enviado um soldado para o país, a China saiu vencedora das duas guerras no país do Oriente Médio. Os Estados Unidos, por outro lado, só sofreram prejuízos. Quase 4,5 mil soldados americanos morreram somente no último dos conflitos, que custou 79 bilhões de dólares.

E, ao contrário do que muitos imaginam, os novos senhores dos campos de petróleo do país não são empresas americanas, como esperava o ex-presidente George W. Bush. Depois que soldados americanos invadiram o Iraque e, oito meses mais tarde, retiraram Saddam Hussein de seu esconderijo, a situação tomou outro rumo.

A PetroChina foi a primeira empresa estrangeira a receber licença de prospecção de petróleo após a queda do ditador. Na sequência, com ofertas muito mais competitivas que as das empresas americanas, os chineses ganharam os direitos de prospecção de um campo de petróleo após o outro.

Hoje os chineses dominam por volta de 50% da produção de petróleo do Iraque. Rumaila, Halfaya e Qurna Oeste – de longe, os três maiores campos de petróleo do país – são administrados por empresas chinesas ou em sociedade com empresas não americanas. Diante do clima antiamericano no país, o governo iraquiano democraticamente eleito não podia simplesmente dar-se o luxo de fazer concessões.

Assim, os americanos esperaram em vão que o governo iraquiano reconhecesse que os EUA haviam possibilitado a vitória nas eleições. Decepcionados, os EUA retiraram-se do país em 2011 e deixaram os negócios de petróleo para os chineses, que sempre faziam melhores ofertas. Atualmente, a China é o país que mais investe no Iraque, importando 80% do petróleo iraquiano.

Avanço do EIIL gera preocupação

Mas agora o nervosismo também chega a Pequim, à medida que as tropas do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) avançam em direção à Bagdá e, no caminho, já hastearam sua bandeira negra e introduziram tribunais da Sharia, a lei islâmica, em muitas cidades.

Embora os campos de petróleo operados pelos chineses no sul do Iraque ainda estejam bem longe da área de influência do EIIL, a guerra relâmpago dos extremistas religiosos já provocou impactos nos negócios petrolíferos da China. Na semana passada, os combatentes assumiram o controle, por um curto espaço de tempo, da maior refinaria do país, na cidade de Baiji. Em consequência, os campos de petróleo no sul tiveram de reduzir a produção devido à diminuição da demanda.

Os próprios combatentes do EIIL também reconheceram a importância estratégica dos campos de petróleo e das refinarias para a sobrevivência do califado que sonham em estabelecer na região fronteiriça entre a Síria e o Iraque.

Mesmo que não se saiba aonde a atual situação vai levar, é muito pouco provável que, nos próximos meses ou até mesmo anos, empresas chinesas explorem petróleo no Iraque sem percalços. Pois mesmo os 300 consultores militares americanos enviados recentemente ao país pouco podem fazer se o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, continuar a marginalizar sunitas e curdos. E não há alternativas a ele no momento. Ao mesmo tempo, Washington não pretende entrar novamente numa guerra.

Assim, os chineses têm todos os motivos para se preocuparem. É possível suportar perdas de curto prazo na produção, mas, no longo prazo, eles precisam do petróleo iraquiano. Até 2030, a China deverá consumir 800 milhões de toneladas de petróleo por ano, e dois terços desse total terão de ser importados.

Política de não intervenção posta à prova

Nesse contexto, a adequação da política externa chinesa aos acontecimentos do dia a dia está em debate. Na semana passada, o embaixador chinês em Bagdá, Wang Yong, comunicou ao governo iraquiano o apoio chinês às medidas adotadas para "restaurar a segurança no país" e "recuperar o controle" sobre uma série de cidades iraquianas. Em contrapartida, um representante do governo do país teria de prometer que Bagdá faria de tudo para garantir "a segurança dos funcionários da embaixada e dos trabalhadores estrangeiros". Cerca de 10 mil chineses trabalham atualmente no Iraque.

A grande pergunta dos próximos anos será se a estratégia de concentrar-se em negócios e, por outro lado, ficar de fora dos assuntos internos de um país funciona quando fanáticos religiosos estão envolvidos. Isso não vale só para o Iraque, mas também para a Líbia e, sobretudo, para o Afeganistão, onde futuramente Pequim terá de negociar não apenas com o governo, mas também com os talibãs.

O articulista da Deutsche Welle Frank Sieren vive há 20 anos em Pequim e é considerado um dos principais especialistas alemães sobre a China.

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