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Mundo

Crise na Venezuela divide América Latina

Enquanto aliados regionais denunciam tentativa de golpe e chamam protestos de antidemocráticos, países como Colômbia e Chile pedem respeito à liberdade de expressão. Maduro rejeita "lições de democracia" dos vizinhos.

A mais grave crise política enfrentada pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que atingiu seu ápice na terça-feira (18/02), levou a reações mistas na América Latina. De um lado, aliados como Bolívia, Equador e Argentina correram para demonstrar apoio ao governo chavista. De outro, países como Colômbia, Peru e Chile pediram calma e respeito aos direitos humanos e de manifestação.

A convulsão popular em Caracas atingiu seu momento mais crítico na tarde de terça-feira, quando Leopoldo López, hoje principal nome da oposição, decidiu se entregar à polícia numa marcha que reuniu dezenas de milhares de pessoas. Ele recebeu uma ordem de detenção por, segundo o governo, ser responsável pela violência ocorrida durante protestos na capital.

Da Argentina, Maduro recebeu uma ligação do chanceler Héctor Timerman, que lhe ratificou o "apoio absoluto às instituições venezuelanas". O Uruguai condenou o que chamou de tentativas de derrubar um governo legítimo. O Equador qualificou as manifestações da oposição como “tentativas antidemocráticas”. E Cuba e Bolívia, em tom parecido, acusaram os Estados Unidos de arquitetarem um golpe na Venezuela.

Kolumbianischer Präsident Juan Manuel Santos

Declarações do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, irritaram Nicolás Maduro

"Há uma tentativa de golpe de Estado contra as obras de Chávez", disse o presidente boliviano, Evo Morales, na terça-feira. "Temos obrigação de repudiar essa tentativa de golpe que vem de fora, do império."

Na quarta-feira, Maduro anunciou a expulsão de três funcionários da embaixada americana, que segundo ele estariam recrutando estudantes para participar de atos de violência. Washington negou a acusação e disse que o uso das Forças Armadas para reprimir protestos é “alarmante” e pode contribuir para o agravamento da situação.

Atrito com Colômbia

Já o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, pediu que os canais de comunicação entre as diferentes forças políticas da Venezuela sejam restabelecidos para garantir a estabilidade do país. A declaração irritou Maduro.

"O presidente Santos quer me dar lições de democracia, quando o que estou fazendo é defender a Venezuela", afirmou o chavista. "Os problemas dos venezuelanos são resolvidos pelos venezuelanos!"

Leopoldo Lopez Demonstration in Caracas

Manifestações impõem a mais grave política do governo Maduro, em quase um ano no poder

Discurso similar ao de Santos foi adotado por Peru e Chile. O presidente chileno, Sebastián Piñera, fez um apelo para que os direitos humanos fossem respeitados durante os protestos contra Maduro, iniciados há duas semanas em meio à insatisfação popular com a violência crescente, a economia frágil e a pressão do governo sobre a imprensa.

“A defesa dos direitos humanos em todo o tempo, em todo o lugar e em toda circunstância são valores que hoje são universais e que não reconhecem fronteiras”, disse Piñera.

Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, disse que o Brasil espera "uma convergência dentro de um respeito à institucionalidade e à democracia" na Venezuela e demonstrou preocupação com a situação no país vizinho.

No fim de semana, em comunicado conjunto, os países-membros do Mercosul repudiaram a violência na Venezuela e condenaram o que consideram ameaças de quebra da ordem democrática feitas por oposicionistas. A organização de direitos humanos Human Rights Watch também se manifestou e criticou severamente a detenção de López.

RM /dpa / ap/ rtr/ efe

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