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Mundo

Crise migratória domina pauta de viagem de Tsipras à Turquia

Em visita oficial, primeiro-ministro grego demonstra total apoio à adesão de Ancara à União Europeia e diz que país desempenha papel fundamental na resolução da atual crise de refugiados na Europa.

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Premiês da Grécia, Alexis Tsipras (esq.), e da Turquia, Ahmet Davutoglu, em Ancara

Em sua primeira viagem oficial à Turquia, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, se mostrou nesta quarta-feira (18/11) a favor da adesão de Ancara à União Europeia (UE) e pediu o apoio dos turcos para lidar com os mais de 1,5 milhão de sírios que buscaram refúgio no território turco.

Tsipras ressaltou que a Turquia desempenha um papel fundamental na resolução da crise migratória e que a Grécia é o país onde muitos refugiados desembarcam pela primeira vez em solo europeu. O líder grego enfatizou, ainda, que as centenas de milhares de pessoas que fogem da guerra na Síria e de conflitos em outras partes do Oriente Médio e África não são apenas um problema para Ancara ou Atenas. Portanto, toda a Europa precisa elaborar um plano concreto para lidar com a crise migratória, afirmou.

Grécia e Turquia se comprometeram a trabalhar juntas na formação de um "grupo de trabalho bilateral" com o objetivo de solucionar a crise de refugiados. Os dois países também concordaram com esforços conjuntos para garantir a segurança ao longo da costa do Mar Egeu.

A demonstração do apoio de Tsipras à Turquia quanto à adesão à União animou políticos em Ancara. Há a expectativa de que o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, realize em breve uma visita à Grécia.

Relacionamento benéfico

Os comentários de Tsipras são um exemplo de como a crise de refugiados está aproximando turcos e gregos, assim como Turquia e Europa, afirma Nail Alkan, docente da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Gazi, em Ancara.

"Tsipras não disse essas coisas do nada. Ele está enviando mensagens agradáveis à Turquia porque a crise de refugiados é um grande problema para a Grécia", disse Alkan em entrevista à DW. "Este problema precisa de uma solução imediata. A potencial promessa de benefícios mútuos força Tsipras a enviar mensagens de incentivo à Turquia." O especialista afirma ainda que essas mensagens podem indicar a virada de uma página no relacionamento entre a Turquia e União Europeia.

Türkei Griechenland Flüchtlinge

Milhares de refugiados já partiram da Turquia em direção à Grécia

UE precisa de ajuda

Ao lembrar a recente visita da chanceler federal alemã, Angela Merkel, à Turquia, onde ela prometeu fazer progressos quanto a isenção de vistos para turcos e avançar com a adesão de Ancara à UE, Alkan disse que a Europa percebe que não consegue resolver a crise de refugiados sozinha e, por isso, decidiu se aproximar dos turcos.

Uma solução imediata para a crise de refugiados é de importância crítica para a Grécia, afirma Sinan Ülgen, presidente do Centro de Economia e Estudos de Política Externa (EDAM). Ele acrescenta que a cúpula Turquia-UE marcada para o final deste mês será crucial para determinar o futuro a curto prazo das relações entre Bruxelas e Ancara.

"Até lá, a Europa terá que chegar a um acordo com a Turquia sobre a crise", afirma Ülgen. "Sobre esse assunto, a Grécia também tem grandes expectativas. Tsipras está tentando proteger seu país, já conturbado economicamente, de novas crises."

Ele acrescenta ainda que os ataques do "Estado Islâmico" (EI) em Paris resultou numa ameaça terrorista que tomou toda a Europa e que o sentimento antirrefugiado no continente aumentou depois dos atentados. Além disso, ele diz que a União Europeia precisa alcançar rapidamente um acordo com Ancara sobre um plano concreto para evitar que mais pessoas viajem da Turquia para o bloco.

Cálculos adequados

No entanto, para chegar a um acordo que satisfaça tanto a UE quanto a Turquia, será necessário mais do que patrulhas conjuntas no Mar Egeu ou o envio de dinheiro para a Turquia abrigar refugiados, afirma Murat Erdogan, diretor do Centro de Pesquisa sobre Imigração e Política da Universidade Haceteppe, em Ancara.

"Precisa haver esforços voltados para a integração de refugiados a países europeus", diz. "Tornou-se claro que esse problema não será resolvido somente com meios financeiros."

O especialista explica, ainda, que até agora 600 mil refugiados conseguiram completar a travessia marítima, sendo que o número de mortos ficou em mais de 3 mil. "Os refugiados fazem esse cálculo todos os dias e percebem que a chance de alcançar seu objetivo é grande. Eles dizem: 'eu posso enfrentar a morte, porque quero uma vida melhor'. Portanto, a Europa também tem que fazer cálculos adequados", conclui.

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