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Economia

Crise leva investidores a aplicar dinheiro a juros negativos

Crise do euro provoca desconfiança nos bancos e em Estados instáveis, e investidores optam pela segurança. Apesar de oferecerem juros negativos, títulos de economias sólidas, como a alemã, são cada vez mais cobiçados.

Ninguém empresta 100 euros já sabendo que em dois anos receberá apenas 99 euros de volta. Se pessoas comuns não fazem isso, menos ainda investidores profissionais. Pessoas normais preferem, por exemplo, comprar um sorvete no valor de um euro e deixar o restante debaixo do colchão por dois anos. O resultado, afinal, seria o mesmo – com a vantagem do sorvete.

Andrew Bosomworth, diretor da gestão de carteira da filial alemã da Pimco, uma das maiores gestoras de títulos do mundo, não tem essa possibilidade. "Investidores institucionais não podem sacar dinheiro vivo e enfiar as notas debaixo do colchão", explica Bosomworth. A empresa faz parte do grupo Allianz e realiza investimentos a pedidos de clientes.

Para investidores como a Pimco, o equivalente ao colchão seria deixar o dinheiro no banco. Em um curto espaço de tempo, ele não rende juro algum. "As taxas de juros que os bons bancos oferecem são negativas. Em alguns, as taxas podem ser nulas ou mesmo levemente positivas, nos bancos com piores notas de crédito".

Obrigação em aplicar

Mas há ainda o fato de que os bancos não são confiáveis. Bosomworth ressalta a existência de um risco contraído, ou seja, o perigo de os bancos onde os recursos estão aplicados enfrentarem sérias dificuldades. Por isso, ele pede dessas instituições financeiras mais segurança para seu dinheiro, e recebe em contrapartida, títulos de governos como a Alemanha.

Além disso, para investidores institucionais e seus produtos financeiros existem inúmeros regulamentos – parte deles instituídos por lei, parte deles, domésticos – para nortear quanto dinheiro eles podem emprestar e onde ele será empregado. "Eles não podem deixá-lo no armário", explica Chris Oliver Schickentanz, chefe de estratégia de investimento do Commerzbank. "Geralmente há uma cota máxima que se pode guardar em caixa. E quando este valor é alcançado, então há, por assim dizer, uma obrigação em aplicá-lo".

Mas a pergunta é: onde? Operações altamente especulativas são arriscadas, mas podem trazer mais lucros. Muitos investidores institucionais não podem fazer tais operações. "Como seguros de vida ou grandes fundos de pensões", afirma Schickentanz. "Mas também fundos públicos, que não gostam de aplicar seu dinheiro em propostas de alto risco e, devido a suas restrições, só podem investir em títulos públicos de primeira classe".

Falta de lógica

E, assim, as possibilidades de investimento ficam restritas. Isso explica por que em janeiro deste ano tantos investidores apostaram do mercado de títulos alemães de seis meses, que o governo alemão ofereceu em um leilão. O Ministério das Finanças arrecadou 3,9 bilhões de euros na época – pela primeira vez com um juro negativo de menos 0,01%. "Paga-se para investir", comenta Bosomworth. "Não parece lógico, mas isso está sendo feito no momento."

E está sendo feito com frequência. Em maio, a Alemanha emitiu títulos com prazo de dois anos e arrecadou 4,6 bilhões de euros. A taxa de juros do negócio era de 0%. Em países como a Alemanha, a Holanda ou a Finlândia, considerados especialmente seguros e avaliados com as melhores notas pelas agências de rating, isso pode ser compreensível.

Mas com tantos investidores querendo colocar seu dinheiro em um porto seguro, os rendimentos dos títulos de países com economia menos robusta também estão caindo para abaixo de zero. Semana retrasada, foi a vez da França. Pouco depois, da altamente endividada Bélgica.

"No momento, não apenas a Alemanha oferece juros por volta de 0%. Ao todo, são cerca de dez países industrializados, responsáveis por 23 trilhões de dólares dos títulos atuais", afirma Schickentanz.

Europa rachada

"Boa parte do mercado agora oferece sobre títulos públicos de curto prazo condições semelhantes às da Alemanha", afirma. Enquanto Espanha, Itália e outros países europeus sofrem com o aumento dos juros, alguns estão atraindo muitos recursos.

"Esta é uma antecipação da rachadura na zona do euro", prevê Bosomworth. "Os mercados financeiros dividem a zona do euro porque eles acreditam que ela não funciona", avalia o diretor da Pimco. "Um dia, as autoridades precisarão dar uma resposta sobre como a zona do euro conseguirá ser remodelada de maneira sustentável".

Para Bosomworth, há apenas duas possibilidades. Ou a zona do euro se reduz a países de economia semelhante, como Alemanha, Áustria, Holanda e Finlândia, ou vira realmente uma união de fato, com um ministro das Finanças comum, legitimado democraticamente, e também com transferências financeiras dos países ricos para os mais pobres.

Os mercados financeiros, frequentemente demonizados pelos políticos, aumentam, desta maneira, a pressão para que as autoridades tomem logo uma decisão.

Autor: Andreas Becker (msb)
Revisão: Marcio Damasceno

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