Crise financeira norte-americana repercute na Europa | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 18.03.2008
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Economia

Crise financeira norte-americana repercute na Europa

A crise financeira que começou no mercado imobiliário americano se espalha agora por todo o mundo. Para o ministro alemão das Finanças, ela só poderá ser superada através de estreita cooperação entre políticos e bancos.

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A intervenção do Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) para controlar a crise financeira no país provocou exatamente o contrário, afirmou o jornal alemão Financial Times Deutschland (FTD).

Medidas como a redução da taxa de desconto em empréstimos a bancos e a abertura de linhas de crédito especiais para financeiras foram tomadas pelos investidores como um sinal de que a crise teria proporções bem maiores. O resultado foi a venda de um grande volume de ações e a queda das cotações.

A crise financeira que começou no setor imobiliário norte-americano toma agora proporções mundiais. Peer Steinbrück (SPD), ministro alemão das Finanças, advertiu para as conseqüências da crise na Alemanha e exige uma estreita cooperação entre os setores político e financeiro para sua superação.

Uma das maiores crises das últimas décadas

Bundesfinanzminister Peer Steinbrueck steht am Freitag. 17. August 2007, bei einem Besuch der Wertpapierboerse in Frankfurt vor der Anzeigetafel des Deutschen Aktienindexes (DAX).

Steinbrück acredita na economia alemã

Para Steinbrück, a crise que começou nos Estados Unidos ameaça agora se espalhar por parte do mundo. "Trata-se de uma das maiores crises financeiras das últimas décadas", afirmou o político, nesta terça-feira (18/03) em Potsdam.

O ministro acredita haver chances de que a crise não afete tanto a economia alemã como a dos Estados Unidos, por tratar-se de uma economia mais robusta.

Segundo o ministro, os dados fundamentais da economia alemã estão em ordem. "Dependemos principalmente de manter a boa cooperação entre a política, o Bundesbank [Banco Central Alemão], federações e institutos bancários, para que possamos minimizar as conseqüências na Alemanha", explicou.

O ministro elogiou as medidas do governo americano para a contenção da crise. Perante as turbulências nos mercados internacionais, o presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann, não acredita na auto-regeneração dos mercados financeiros.

Cooperação entre governos e bancos

Ackermann apelou a governos e bancos centrais para que tomem "passos corajosos" contra a crise financeira. Os governos devem cooperar internacionalmente para evitar um "círculo vicioso". Para que a confiança volte aos mercados, é preciso uma ação conjunta entre governos, bancos e bancos centrais, afirmou Ackermann em Frankfurt.

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Setor aeroespacial deverá ser afetado

Para o economista-chefe do Deutsche Bank, Norbert Walter, a atual crise financeira deverá se estender por 2009. Seu colega do consórcio Allianz/Dresdner, Michael Heise, acredita que ela levará a uma completa reestruturação do sistema financeiro. "As alavancas de crédito existentes no sistema financeiro nos últimos anos serão fortemente revertidas. Esta é uma correção necessária", explicou Heise ao diário berlinense Berliner Zeitung.

Para a Confederação da Indústria Alemã (BDI), as conseqüências da crise nos mercados financeiros internacionais ameaçam cada vez mais a competitividade das empresas alemãs. A causa principal estaria na alta cotação do euro, afirmou o presidente da BDI, Jürgen Thumann, que prevê uma diminuição da dinâmica de exportação para o próximo ano.

"É a confusão provocada pela queda do dólar, aumento do preço do petróleo, fraca conjuntura norte-americana e crise financeira que afeta cada vez mais as firmas", explica Thumann. Tal perda de competitividade atingiria principalmente os setores da indústria mecânica, automobilística e aeroespacial, acresce o presidente da BDI.

Imprensa comenta

Crise financeira é manchete nos jornais de toda a Europa:

O parisiense La Tribune escreve: "O que no início era uma crise imobiliária tornou-se, agora, crise simultânea do setor financeiro, dos bancos e uma crise do câmbio. Se nada acontecer, ela poderá levar o mundo a uma depressão: os anos de 1930 não estão mais tão longe. Este é o significado do recado dado ontem pelas três maiores organizações econômicas internacionais – FMI, Banco Mundial e a OCDE."

O Stuttgarter Nachrichten afirma: "O que milhões de proprietários americanos de casas têm em comum com os postos de trabalho na Alemanha? Em breve, bem mais do que nos agradaria que tivessem. Quanto mais longa for a crise, maior o perigo que se estenda para a Alemanha, pois os bancos não darão financiamento tão facilmente. Principalmente a classe média alemã está suscetível a este jogo bilionário dos mercados financeiros."

O diário conservador espanhol ABC afirma: "O sistema financeiro internacional está cambaleando. Apesar das injeções financeiras e diminuição de juros, não se conseguiu acalmar os mercados. Os EUA estão vivendo realmente uma crise bancária. Esta foi iniciada devido à descontrolada concessão de créditos hipotecários [...] Os mercados mostraram mais uma vez que a economia é determinada por ciclos e que o crescimento não é infinito."

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