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Mundo

Crise em países árabes cria ambiente hostil para Israel, diz ex-embaixador

Eli Shaked, ex-embaixador de Israel no Egito, disse à DW que, com a implosão da Síria ao norte e do Egito ao sul, os israelenses assistem e esperam apreensivos pelo que vai acontecer numa região volátil.

Atuando mais de uma década como embaixador e vice-embaixador de Israel no Egito, Eli Shaked é grande conhecedor de assuntos da região. Em entrevista à Deutsche Welle, ele afirmou que, dois anos e meio após a saída de Hosni Mubarak, os egípcios veem o antigo ditador de forma diferente após o fracasso do governo de Mohammed Morsi.

Shaked também disse que a crise nos países árabes vizinhos de Israel é algo bastante preocupante e que seu país se encontraria num ambiente hostil, repleto de instabilidade e incerteza.

Deutsche Welle: O senhor está surpreso que o presidente Mohammed Morsi tenha sido retirado do poder?

Eli Shaked: A queda de Morsi era inevitável. Ele cometeu erros demais em um ano e isso chegou a um ponto onde o Exército teve de intervir.

Que tipo de erros?

Israel Botschafter ehemals Eli Shaked in Kairo

Ex-embaixador Eli Shaked disse que ninguém sabe o que vai acontecer no Egito

Quando Morsi foi eleito um ano atrás, ele prometeu ser o presidente de todos os egípcios. Mas ele se cercou de pessoas pertencentes à Irmandade Muçulmana, ele enfraqueceu o sistema judiciário, e ele designou membros da Irmandade Muçulmana para cargos sensíveis. Por exemplo, o governador distrital de Luxor no Egito central – ele designou uma pessoa que era suspeita de matar [o ex-presidente egípcio Anwar] Sadat.

Morsi também usou de uma autoridade, que ia além daquela de Mubarak, para impor leis e forçar o Parlamento a retomar os trabalhos, ainda que ele tenha sido dissolvido pelo Tribunal Constitucional. Essas coisas provam que ele não estava exatamente propenso a outorgar leis democráticas, mas sim servir a facções islâmicas do qual fazia parte.

Hosni Mubarak foi derrubado devido à vacilante economia egípcia. Como se comportou a economia sob Morsi?

Bem pior. Foram dois anos e meio de agitação, instabilidade e promessas não cumpridas para lidar com o desemprego, o que é algo importante para a geração jovem, e sem captar investimentos externos para projetos no Egito. E talvez ainda mais sério é a questão da água. O Egito está lidando com o grave problema de mais pessoas e menos água, e agora países com a Etiópia e o Sudão do Sul estão planejando a construção de barragens, reduzindo o volume de água do rio Nilo que corre pelo Egito.

A história não vai ter muitas coisas boas para falar sobre Mubarak, mas ele manteve o status quo. Ele herdou o Egito após um período difícil e conseguiu durante 30 anos fazer com que o país não afundasse. Os problemas estão piorando no Egito especialmente devido ao crescimento populacional. Eu ouvi algo como o nascimento de 1,5 milhão de crianças anualmente.

O que Israel pensa sobre tudo isso?

Israel não está naturalmente envolvido nessas questões. Durante os dois últimos anos, nós nos mantivemos cuidadosamente de fora dos acontecimentos do Egito. Ninguém no nosso governo ou no Parlamento está falando sobre isso.

O que é importante para Israel – não que Israel possa fazer alguma coisa – é que o Egito restaure a lei e a ordem e a estabilidade. Isso é de importância primária para Israel. Dois anos atrás, quando Mubarak foi deposto, houve um ataque terrorista no sul de Israel e pôde-se ver que Cairo perdeu toda a soberania sobre o Sinai.

Atualmente, a situação melhorou um pouco. Israel permitiu que o Exército egípcio deslocasse muito mais tropas para o Sinai, muito mais do que está permitido no acordo de paz. Existe um interesse mútuo muito forte entre as forças de segurança egípcias e israelenses, para restaurar a lei e a ordem e a completa soberania do Cairo sobre o Sinai, que se tornou um lar para terroristas. Lá, eles realizam treinamentos e atiram em israelenses e no Exército egípcio. E o Egito também teme um ataque terrorista no Canal de Suez.

O que a queda de Morsi e da Irmandade Muçulmana significa para o Hamas, o movimento islâmico que governa a Faixa de Gaza?

O Hamas perdeu o Irã. Eles perderam a Síria e estão perdendo o Egito. Eles estão muito mais isolados.

Com a turbulência no Egito, aliada à guerra na Síria, parece que são poucos os vizinhos de Israel que estão estáveis no momento.

Sim. E não esqueça o Líbano, que tem um conflito interno, e o Iraque, que está se desintegrando, como também a Líbia e a Tunísia.

Para Israel, trata-se de um ambiente hostil, repleto de instabilidade e incerteza. Nós não sabemos – nosso povo, nosso serviço secreto, o Exército, o Ministro do Exterior – ninguém sabe o que acontecerá amanhã no Egito, Síria ou Jordânia. Com amanhã, eu não estou querendo dizer na próxima semana. Eu estou querendo dizer amanhã. É uma situação muito pouco amigável para Israel.

Dois anos atrás, o senhor disse que lamentava o destino de Mubarak. O senhor ainda lamenta?

Dois anos atrás, eu fiquei triste por Mubarak. Hoje, no Egito, mesmo as pessoas que trabalharam para derrubar Mubarak estão tristes. Eles não querem Mubarak ou a família dele de volta, mas eles têm outros pensamentos, porque Mubarak manteve o status quo. E tudo isso se foi.

Eli Shaked serviu como embaixador no Egito de 2003 a 2005, e como vice-embaixador entre 1983 e 1992. Shaked entrou para o setor do Egito no Ministério do Exterior israelense em 1974. Desde que retornou para Israel, ele continuou a acompanhar os acontecimentos no Egito.

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