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Alemanha

Crise das tevês encerra anos dourados dos clubes europeus

Os clubes de futebol europeus são os principais prejudicados pela crise dos canais de tevê por assinatura, que estão à beira da falência.

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Rupert Murdoch (esquerda) e Silvio Berlusconi, dois magnatas da mídia e esporte

Depois de uma década em que os salários dos jogadores atingiram somas astronômicas, graças aos contratos de publicidade e direitos de televisão, o futuro dos principais clubes europeus parece mais incerto do que nunca.

A perspectiva de falência da ITV Digital, na Grã-Bretanha, e do KirchGruppe, na Alemanha, ameaça a rentabilidade dos grandes clubes, que serão obrigados a baixar os salários dos seus jogadores, e a própria sobrevivência dos pequenos clubes, que vivem praticamente dos direitos de tevê.

As tevês por assinatura apostaram no aumento do número de assinantes, que simplesmente não aconteceu. O público está saturado da cobertura exaustiva dos jogos de futebol e a arrecadação com publicidade declinou em 2001.

Resistência - A liga de futebol inglesa, que representa os 72 clubes ingleses que não fazem parte da elite dos 20 clubes da primeira liga, decidiu finalmente rever o acordo de cotas com a ITV Digital britânica, que pedira concordata na semana passada, depois do fracasso das negociações.

A ITV Digital já vendeu ao BSkyB os direitos de transmissão da primeira liga por mais de um bilhão de libras (US$ 1,244 bilhão). Rupert Murdoch, proprietário da BSkyB, já deixou porém claro aos clubes que o montante dos direitos irá diminuir nas próximas negociações.

Na Alemanha, os clubes da primeira divisão estão ameaçados pela falência inevitável do KirchGruppe, cuja tevê por assinatura (Premiere), tem prejuízo diário de 2 milhões de euros (US$ 1,8 milhão). Vários dirigentes alemães já aceitaram a idéia de rever o contrato de 1,5 bilhão de euros (US$ 1,3 bilhão).

O grupo Kirch comprou também da FIFA os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2002 e 2006, por 2,8 bilhões de francos suíços (US$ 1,69 bilhão).

Revisão de contratos - Vários grandes clubes de futebol da Itália, França e Espanha estão em crise financeira e as tevê fechadas tentam renegociar os contratos para recuperar parte dos investimentos.

As autoridades italianas estudam a fusão da Telepiu e Stream, as duas tevês por assinatura que adquiriram os direitos do campeonato italiano.

Na Espanha, a Audiovisual Sports, que possuiu os direitos da primeira e segunda divisão, previu uma diminuição dos preços na renovação dos contratos, em 2003.

Na França, o presidente do Paris Saint-Germain, Laurent Perpère, advertiu contra a explosão dos salários e propôs a criação de um organismo de controle para evitar a falência do futebol europeu.

Os clubes espanhóis estão estudando novos tipos de contratos com os jogadores, que dependeriam dos resultados da equipe. O Real Madrid, por exemplo, acertou com Figo e Zidane a distribuição das receitas de publicidade.

O diretor de futebol do Bayer Leverkusen, Reiner Calmund, estima que os salários dos jogadores da Bundesliga deverão baixar mais de 20%.

UEFA - O presidente da União Européia de Futebol, Lennart Johansson, já vem defendendo, há algum tempo, a idéia de limitar os salários dos jogadores. Um estudo recente revelou que as despesas com salários de 16 dos 92 clubes ingleses excedem as receitas.

A UEFA tenta evitar a imagem de uma crise geral no futebol europeu, conforme frisou o seu porta-voz, Mike Lee. Os grandes clubes continuam exercendo grande poder de atração, como provam sobretudo as audiências nas transmissões dos jogos da Liga dos Campeões

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