Crise das montadoras promove alianças entre concorrentes | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 17.02.2009
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Economia

Crise das montadoras promove alianças entre concorrentes

Redução nas vendas do setor automobilístico força cooperação estreita entre montadoras. Queda vertiginosa dos lucros da Daimler e discussão sobre participação de recursos públicos na Opel são sinais de um setor em crise.

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Estrela da Mercedes: futuro nem tão brilhante?

A montadora alemã Daimler anunciou, nesta terça-feira (17/02), que o lucro operacional da empresa baixou para 2,7 bilhões de euros em 2008, devido à brusca queda nas vendas de veículos. Em 2007, este valor havia batido o recorde na história da montadora, chegando a 8,7 bilhões de euros.

A participação da Daimler na norte-americana Chrysler e a queda nas vendas do setor de veículos de passeio foram os dois principais fatores que afetaram os caixas da montadora. Em função da crise econômica, a Daimler prevê números semelhantes no ano corrente, embora ainda não haja prognósticos concretos a respeito.

Redução da jornada de trabalho

A Daimler anunciou também a perpetuação de seu programa de redução da jornada de trabalho, bem como a adoção crescente de novos modelos de organização dentro das fábricas. No segmento de carros de passeio da Mercedes, 50 mil funcionários já trabalham com jornadas reduzidas.

A crise atingiu principalmente o setor de veículos de passeio, que somente no último trimestre de 2008 registrou prejuízos de 359 milhões de euros. Tal queda foi motivada pela redução da demanda nos EUA e nos principais mercados europeus.

Além disso, a necessidade de oferecer descontos em função da crise e o preço ascendente do petróleo prejudicaram os rendimentos da montadora. Também o setor de caminhões registrou uma redução de 24% nos lucros, que passaram a 1,6 bilhão de euros. Principalmente nos EUA caíram as vendas de utilitários fabricados pela Daimler.

Cooperação entre arquirrivais

Deutschland Auto BMW 3er Cabrio

BMW: cooperação com a concorrente-mor em tempos de crise

Não há dúvidas de que a crise vem forçando uma aproximação entre as montadoras que se viam anteriormente como concorrentes. A francesa Renault, por exemplo, iniciou uma cooperação com a japonesa Nissan. E até as arquirrivais Daimler e BMW prometem trabalhar juntas no desenvolvimento de técnicas híbridas de motores.

"A situação é seguramente muito séria para as duas. Logo, só tenho a saudar uma cooperação entre as duas montadoras, especialmente no setor de pesquisa e desenvolvimento, pois foi exatamente aí que as duas dormiram no ponto no passado. Espero que disso surjam novas possibilidades e que seja possível agora, a passos largos, recuperar o tempo perdido", afirma Andreas Bremer, diretor do Instituto de Pesquisa Automobilística, em Essen, em entrevista à DW-TV.

Participação polêmica do Estado: o caso Opel

Outra montadora em crise na Alemanha é a Opel, subsidiária da norte-americana General Motors. Para salvar a empresa dentro do país, os governos estaduais estão cogitando uma participação de recursos públicos nas unidades de produção da montadora na Alemanha. A condição para a participação do Estado é, contudo, a desvinculação da Opel alemã da matriz norte-americana.

Para o ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück, embora o Estado não possa subvencionar uma empresa a longo prazo, poderia haver uma intervenção de curto prazo em momentos de crise. Segundo o ministro, a ajuda estatal só será liberada para a Opel, caso seja implementado um programa eficiente de reestruturação na montadora.

Posições antagônicas

Bildgalerie Jahresrückblick 2008 November Deutschland

Opel na Alemanha: primeiros socorros podem vir do Estado?

Na Alemanha, a Opel tem 26 mil funcionários em quatro unidades distintas. Os diversos partidos políticos têm posições antagônicas em relação à participação de recursos do Estado na montadora.

Enquanto os Verdes defendem "a salvação da montadora na Alemanha por tempo determinado", a fim de evitar que a empresa tenha que fechar as portas no país, representantes do Partido Liberal (FDP) são radicalmente contra a proposta, associando a participação de recursos públicos na montadora com o antigo sistema da ex-Alemanha Oriental, país onde o Estado era "proprietário das empresas do povo", segundo propagava o governo durante o regime comunista.

O destino da Opel poderá ser afetado pela estratégia de saneamento da General Motors, a ser divulgada em Washington, nesta terça-feira (17/02). A GM se comprometeu a apresentar ao governo norte-americano um plano que garanta sua sobrevivência a longo prazo, a fim de poder captar mais recursos do Estado. Espera-se que a estratégia da GM tenha implicações para a Opel, sua principal subsidiária no exterior.

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