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Mundo

Crise das caricaturas pode afetar economia do mundo árabe

Dinamarca é a única ter produtos boicotados, mas situação se prolonga e surge a preocupação de que a retaliação se estenda à UE. Difícil é definir quem sai perdendo nessa briga. Uma análise de Ibrahim Mohamad.

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As prateleiras onde antes se encontravam os produtos dinamarqueses estão vazias nos mercados árabes

Os prejuízos econômicos advindos da crise das caricaturas se restringem à Dinamarca, até o momento. Outros países, entre eles a Alemanha, ainda não foram atingidos. De fato, é difícil boicotar tão rapidamente produtos alemães no mundo árabe, especialmente porque não se trata de artigos utilizados no dia-a-dia, mas de equipamentos especiais, como máquinas, instalações técnicas e acessórios de alto valor, que são utilizados em projetos de infra-estrutura. Além disso, seria difícil receber esses produtos a curto prazo dos mercados do Leste Asiático.

Certamente, com o prolongamento da crise e com a chamada ao boicote de produtos de outros países, tais como a Alemanha, a situação pode se modificar. Nesse caso, não somente os países da União Européia serão prejudicados, mas também o mundo árabe, sobretudo no ramo do turismo. Em virtude do clima de tensão que se estebeleceu, muitos cidadãos europeus podem passar a evitar a região.

A crise espanta turistas europeus

Touristen reisen aus Ägypten aus nach den Terroranschlägen in Scharm el Scheich

Cerca de 2,5 milhões de alemães visitam os países do mundo árabe anualmente

O turismo é uma das maiores fontes de divisas em inúmeros Estados árabes, principalmente em países como a Tunísia, o Egito e Marrocos, onde a atividade corresponde ao segundo ou ao terceiro pilar do Produto Interno Bruto. A Ghorfa – Associação Árabe-Alemã de Comércio e Indústria, de Berlim – estima que anualmente o número de visitantes alemães no mundo árabe ultrapasse 2,5 milhões. A maioria, mais de dois terços, visita o Egito e a Tunísia. Nesses países, os alemães em férias gastam bilhões de dólares por ano.

Mas os europeus não estão representados no mundo árabe somente no ramo do turismo: a União Européia é a parceira comercial mais importante do mundo árabe. Mais de 50% do comércio exterior de nações árabes corresponde a transações com a UE, o que no ano de 2004 movimentou 640 milhões de euros. Para países do norte da África, Tunísia, Marrocos e Argélia, essas transações correspondem a até dois terços do volume total de negociações comerciais.

Um boicote comercial, mesmo que parcial, traria péssimas conseqüências, não só para a Europa, mas especialmente para os últimos países citados.

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