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Ciência e Saúde

Crise da água eleva risco de dengue em SP

Quem armazena água por causa da seca deve tomar cuidado para que seus depósitos não virem criadouros de mosquitos transmissores, elevando o risco de epidemia no estado.

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Aedes aegypti precisa de água parada para se proliferar

A crise hídrica em São Paulo pode elevar o número de casos de dengue no estado. Eles "explodiram" no início deste ano, e a falta da água pode agravar ainda mais esse cenário. O surto levou alguns municípios a cancelar as festividades de Carnaval e a adotar o uso de drones no combate à doença.

Ainda não há um balanço dos casos registrados no início deste ano no estado, mas, na capital, o número triplicou em relação ao mesmo período de 2014, passando de 45 para 120. Segundo a Secretaria da Saúde, o primeiro balanço estadual deve sair apenas em março.

Em algumas cidades do interior, o aumento foi bem maior, e pelo menos cinco municípios – Guararapes, Penápolis, Neves Paulista, Catanduva e Tanabi – já decretaram situação de emergência.

Para a infectologista Otília Lupi, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, ainda é cedo para relacionar a escassez de água na região com o atual surto de dengue. "A crise da água vai piorar a situação, mas, nesse momento, os principais motivos são a temperatura e o acúmulo de população suscetível à doença", afirma.

Como uma grande parte da população dessa região nunca teve contato com o vírus da dengue, ela é mais suscetível a ele. Assim, as chances de a doença se espalhar são maiores do que em regiões endêmicas.

Além disso, o inverno mais ameno e temperaturas mais elevadas no início do verão proporcionaram ao Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, o clima ideal para a sua reprodução.

Nos próximos meses, diante do eminente racionamento, a população deve passar a fazer reservas de água. E, se esses locais de armazenamento não estiverem bem protegidos, o risco de uma epidemia é elevado, já que eles se tornam criadouros ideais para os mosquitos.

Olho da águia

Para evitar um surto maior, algumas prefeituras começaram a usar drones para localizar focos de proliferação do mosquito transmissor. Esses veículos aéreos não tripulados já estão em ação em Santos e Limeira.

"Estávamos gastando muito tempo para localizar o problema. O drone funciona como o olho da águia, e com ele vamos direto ao foco. Assim economizamos tempo e somos mais ágeis na luta contra a dengue", afirma o secretário da Saúde de Limeira, Luiz Antônio da Silva.

Uma câmera acoplada ao aparelho localiza criadouros de mosquitos e depósitos de água parada em locais de difícil acesso para os agentes de saúde, como telhados ou áreas verdes.

Limeira é dos municípios que enfrentam um surto de dengue. Somente em janeiro foram registrados 635 casos da doença, quase o total de casos de todo o ano de 2014, quando foram registrados aproximadamente 700.

Lupi aprova o uso de veículos aéreos não tripulados como ferramenta complementar para identificar pontos críticos, apesar de ver algumas desvantagens, como o potencial de acidentes ou a invasão da privacidade. "O agente vai de casa em casa, em alguns lugares ele não pode entrar, em outros ele não pode ver de cima. O drone complementa o trabalho do agente", afirma.

A infectologista acrescenta que eliminar criadouros – evitando o acúmulo de água parada e tampando depósitos de água – continua sendo a única maneira de evitar epidemias da doença.

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