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Economia

Crise argentina afetou pouco os vizinhos

Relatório do Dresdner Bank Lateinamerika contém análises e perspectivas otimistas para o Brasil e países da América Latina.

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Agravamento da crise na Argentina exigiu medidas drásticas por parte do governo de Buenos Aires

O agravamento da crise econômica e financeira na Argentina surtiu menos efeitos que o esperado nas nações vizinhas. No Brasil, os juros para empréstimos e a moeda se recuperaram claramente em outubro, assinala o relatório sobre perspectivas para a América Latina, lançado esta semana pelo Dresdner Bank.

Numa análise do relatório, publicada nesta quarta-feira no Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), o jornal destaca a economia brasileira como a principal na América do Sul. O relatório do banco destaca que o Brasil foi o principal atingido pela crise no país vizinho, mas a moeda recuperou-se bem. Em setembro último, a cotação do real em relação ao dólar era de 2,85, mas ela chegou agora a 2,45: a maior valorização da moeda brasileira desde o mês de julho.

Perspectiva otimista – A valorização do real teria trazido "alívio em várias frentes". A dívida pública vai estabilizar-se e o volume de juros da dívida externa, acoplada à moeda norte-americana, será menor. A médio prazo, pode-se esperar um impulso moderado na conjuntura (o PIB brasileiro previsto para 2002 é de 2,5%), arrisca o relatório do segundo maior banco alemão.

As projeções otimistas, entretanto, podem ser alteradas em função de alguns fatores, como as eleições presidenciais brasileiras em outubro do próximo ano, o desenvolvimento da crise argentina e a fraca evolução da conjuntura mundial.

Destacando as dificuldades da economia argentina, o relatório do Dresdner Bank ressalta que as restrições aos saques impostas naquele país são um mal necessário para evitar a derrocada do sistema bancário. Assinalou, entretanto, que elas impedem a fluidez de capital, como a saída de 15 bilhões de dólares absorvidos nos últimos meses.

Os analistas do Dresdner Bank temem também que as limitações ao trânsito de capitais possam afetar o entendimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que negocia com o governo de Buenos Aires um crédito de 1,3 bilhão de dólares. O chefe da delegação do FMI no país já teria sido chamado a Washington para prestar contas dos acontecimentos.

Leve aceleração do crescimento – O Dresdner Bank Lateinamerika prevê uma que o Produto Interno Bruto na América Latina vai aumentar em 1,7% no próximo ano, depois do crescimento em 0,6% em 2001.

Já o México está sendo vítima da fraca demanda dos Estados Unidos. Mesmo assim, o banco alemão espera sua recuperação e faz uma previsão de 1,5% para o crescimento do PIB mexicano. As perspectivas para a Venezuela e a Colômbia dependem da evolução dos preços e das suas exportações de petróleo. Para o Chile, o relatório do Dresdner Bank para a América Latina prevê um aumento do PIB de 3,6% para 2002.

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