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Mundo

Criminoso nazista morre na Itália aos 100 anos

Ex-oficial da SS Erich Priebke foi responsável pelo massacre de mais de 300 civis italianos durante a Segunda Guerra Mundial. Em prisão domiciliar, depois de décadas livre na Argentina, ele nunca demonstrou remorso.

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Erich Priebke em Roma,1996

Morreu nesta sexta-feira (11/10) o criminoso nazista Erich Priebke, ex-oficial da SS. Ele se encontrava em prisão domiciliar em Roma desde 1998, quando foi condenado à pena perpétua por um massacre em março de 1944.

Erich Priebke Archivbild

Oficial da SS Erich Priebke

Até 1994, Priebke vivera despreocupadamente numa cidade balneária da Argentina, usando o verdadeiro nome. Até que um jornalista americano especializado em investigações sobre antigos nazistas o descobriu, e ele foi entregue à Itália, onde era procurado pelo massacre das Fossas Ardeatinas.

Em 23 de março de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, membros da resistência italiana mataram com bombas 32 homens de uma unidade policial alemã. Supostamente por ordens diretas de Adolf Hitler, decretou-se que, por cada soldado nazista morto, dez italianos fossem executados.

Na qualidade de capitão de tropa, Priebke preparou a lista dos condenados – o mais jovem tinha 15 anos. Apenas um dia após o atentado, os 335 civis, entre os quais 75 judeus, foram levados até as Fossas Ardeatinas, nas cercanias de Roma, para serem fuzilados. O oficial confessou também ter executado pessoalmente dois presos, e nunca demonstrou remorso pelos atos.

Em 1999, um ano após a condenação, Erich Priebke foi retirado do presídio militar, devido a seu estado de saúde precário, e colocado em prisão domiciliar.

Festnahme Zivilisten in Rom 13.03.1944 Massaker in den Ardeatinischen Höhlen

Prisão de civis em Roma, em março de 1944, após atentado contra soldados nazistas

A caça continua

Em reação à morte do ex-oficial da SS, o Centro Simon Wiesenthal de Israel exigiu que se intensifiquem as investigações contra criminosos ainda vivos.

"A alta idade que Priebke alcançou, nos recorda o quão importante é realmente perseguir agora os criminosos nazistas ainda vivos. Muitos gozam de saúde robusta, mesmo em idade avançada. Desta forma, podem e devem ser levados a tribunal", disse Efraim Zuroff, diretor da seção israelense da organização.

Em julho último, o Centro Simon Wiesenthal iniciou na Alemanha uma campanha de busca aos últimos nazistas sobreviventes. A iniciativa incluía um apelo à população, em cartazes com os dizeres: "Tarde. Mas não tarde demais. Operation Last Chance II. Alguns dos criminosos estão livres e vivos! Ajudem-nos a apresentá-los à Justiça".

A organização que leva o nome do famoso "caçador de nazistas" de origem judaica ficou conhecida pela perseguição em larga escala de criminosos de guerra e colaboradores ocultos na clandestinidade. Atualmente ela também se dedica ao combate e punição do racismo, antissemitismo, terrorismo e genocídio, além de se empenhar em prol da tolerância em todo o mundo.

AV/afp/dpa/rtr

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