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Alemanha

Criador do vírus Sasser no banco dos réus

Começou na Alemanha o julgamento do criador do vírus Sasser, que há um ano paralisou milhões de computadores pelo mundo. Jovem admite culpa, mas alega que sua intenção era apenas comprovar falhas de segurança no Windows.

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Julgamento ocorre no tribunal de Verden, na Baixa Saxônia

O alemão Sven Jaschan confessou, no ínicio de seu julgamento a portas fechadas, nesta terça-feira (05/07), na cidade de Verden, ter criado o vírus Sasser. Segundo a porta-voz do tribunal, Katharina Kürzfeldt, o jovem – que era menor quando programou a praga – admitiu ser culpado de todas as acusações.

Ele é acusado de modificar dados, cometer sabotagem via computador e prejudicar empresas prestadoras de serviços públicos. O estudante de informática, de 19 anos, corre o risco de ser condenado a até cinco anos de cadeia e ao pagamento de indenizações. A sentença deverá ser anunciada nesta quinta-feira (07/07).

Há cerca de um ano, quando tinha apenas 17 anos, Sven programou no porão da casa dos pais o verme de computador Sasser, que paralisou milhões de máquinas equipadas com Windows ao redor do mundo, impediu a decolagem de aviões e interrompeu até os trabalhos da Comissão Européia.

Culpado ou inocente?

O que movia Sven era "puro instinto de jogo", presume Sebastian Schreiber, o diretor de uma empresa especializada em segurança de computadores em Tübingen. Sven não concorda: ele se apresentou à Justiça como alguém que pretendia demonstrar as falhas do sistema operacional da Microsoft.

Hier wohnt Sasser

Casa onde mora Sven Jaschan

O sistema que roda em mais em 90% dos computadores do mundo apresenta graves falhas de segurança, afirma o jovem. E ele queria chamar a atenção dos usuários para algumas delas.

Com sucesso: em poucas horas, era impossível trabalhar em milhares de empresas equipadas com Windows 2000 e XP em todo o mundo. O mais perverso no verme criado por Sven era o fato de que ele não atacava os computadores por meio de arquivos anexados a e-mails, como é normal: para ser contaminado, o computador precisava apenas estar conectado à Internet.

A Microsoft chegou a oferecer uma recompensa de 250 mil dólares em troca da identidade do programador que criou a praga. Em seguida, o programador foi denunciado por um colega de escola.

Espionagem industrial

Na opinião de Schreiber, a atitude de Sven foi irresponsável. "Ele poderia simplesmente ter avisado a Microsoft sobre as falhas de segurança, em vez de colocar metade dos computadores do mundo em xeque-mate. Ele queria causar sensação." Schreiber, um hacker profissional, fala com autoridade no assunto. Sua empresa Syss descobre falhas de seguranças em sistemas de corporações. Tudo legal e mediante pagamento.

As empresas são cada vez mais vítimas de espiões que elas nem mesmo sabem que existem. Hackers invadem redes internas de corporações e roubam informações importantes, muitas vezes a serviço de concorrentes. Um dos casos mais comentados é a vitória da empresa construtora de trens francesa TGV sobre a alemã Siemens na disputa pela construção de um trem de alta velocidade na Coréia do Sul. Segundo rumores do mercado, hackers a serviço da TGV obtiveram cópia da oferta da Siemens, o que teria sido decisivo para a vitória francesa.

Processo modelo

"O pior é que muitas empresas nem mesmo sabem que estão sendo vítimas de hackers", opina Schreiber. "E quando ficam sabendo, não querem falar sobre isso para não colocar em risco sua imagem." Ele disse ver a ação contra Sven como uma espécie de processo modelo, pois os prejuízos causados pelo Sasser não são nada, perto dos oriundos da espionagem industrial.

Microsoft Windows XP Computer

Computador equipado com o sistema operacional Windows, da Microsoft

Isso é perceptível nas relativamente baixas compensações financeiras que estão sendo exigidas no processo. Somando o que pedem pequenas empresas, instituições públicas e usuários privados, chega-se ao valor de 130 mil euros. Sven está respondendo a ação penal. A ação civil, na qual serão determinadas compensações financeiras, é o próximo passo.

Há chances, porém, de que Sven receba apenas uma pena de advertência – é possível que os promotores públicos e o juiz não queiram destruir o futuro do acusado, que aliás parece promissor. Uma empresa especializada em segurança de computadores de Lüneburg entrou em contato com ele, logo após o Sasser atacar computadores em todo o mundo.

Sven está em teinamento na empresa, chamada Securepoint. Do hacker que criava programas para atacar computadores por hobby pode resultar um respeitável especialista em segurança de sistemas.

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