Cresce na Europa a oferta de alimentos de acordo com a lei islâmica | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 08.11.2010
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Economia

Cresce na Europa a oferta de alimentos de acordo com a lei islâmica

Produtos com o selo halal, conformes à lei islâmica, movimentam um quinto do mercado alimentício internacional. Além dos alimentos cresce na Europa também a procura por produtos financeiros adequados aos muçulmanos.

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Supermercado turco em Berlim: venda de produtos halal

Especialistas estimam que, na Alemanha, os produtos halal (termo que designa os alimentos autorizados pela lei islâmica, a Sharia) poderiam render às empresas do país 5 bilhões de euros por ano, considerando o poder de compra dos quatro milhões de muçulmanos que vivem no país. As empresas alemãs, contudo, não acompanham a concorrência internacional.

No islamic banking, o comércio de produtos financeiros segundo as regras do Islã, a Alemanha também está atrasada, embora analistas apontem que 70% dos muçulmanos no país, especialmente os turcos, teriam interesse em adquirir tais produtos.

Não a álcool, sexo e armas

A autoridade reguladora do mercado financeiro alemão, Bafin, realizou uma conferência internacional em 2009 sobre islamic banking, na qual foram apresentados produtos conformes aos preceitos religiosos dos muçulmanos, como a proibição de cobrar juros sem a oferta de uma contrapartida.

Além disso, qualquer movimentação financeira não pode de forma alguma envolver o comércio de bebidas alcoólicas, produtos eróticos ou bélicos. Transações altamente especulativas também são proibidas. Lucros e prejuízos devem ser divididos entre os dois lados.

Flash-Galerie Religion und Essen Islam

Consumo de alimentos conformes ao islã

O volume de economias dos muçulmanos na Alemanha é estimado em mais de 2 bilhões de euros por ano. Embora os turcos ganhem em média 1.900 euros por mês – uma faixa salarial baixa, se comparada à da população em geral – o volume de recursos poupados entre eles é de 18%, ou seja, o dobro do que os alemães economizam.

Grupo representativo de consumidores

Segundo Anya Schlie, do Fórum Alimentício Teuto-Turco, as empresas alemãs descobriram os alimentos halal muito mais tarde que a França, a Holanda e o Reino Unido, por exemplo. O potencial econômico do comércio de produtos alimentícios conformes à lei islâmica é explorado principalmente pelas grandes empresas multinacionais, em sua maioria grupos que já exportam há muito para países muçulmanos.

O pioneiro entre eles é a Nestlé – 5% do faturamento global do grupo suíço é alcançado com produtos halal, que passaram a ser vendidos a partir de setembro deste ano também na Alemanha. "Percebemos que os muçulmanos representam uma boa parcela da população. Eles são simplesmente um público-alvo interessante. Um grupo jovem muito grande com um alto poder de compra", diz Sören Pinkow, assessor de imprensa na Nestlé na Alemanha.

Halal Fastfood Fast Food Burger Flash-Galerie

Cadeias de 'fast-food' também aderem à oferta de produtos halal

Como os produtos halal têm que ser isentos de qualquer rastro de carne suína, as famosas balas de goma alemãs – os Gummibärchen – permaneceram por longo tempo um tabu para os muçulmanos do país. Há dois anos, a fabricante Haribo lançou no mercado as guloseimas sem gelatina de carne de porco, voltadas especialmente para os consumidores turcos no país. A estratégia de publicidade para a venda das balas chamou a atenção para o tema halal, relata Engin Ergün, diretor-executivo da Haribo.

Medo de manchar a imagem

No entanto, enquanto em outros países europeus as empresas apelam para estratégias de publicidade para chamar a atenção do consumidor muçulmano, a indústria alimentícia e o varejo alemão ainda hesitam. Muitas empresas temem que uma associação com os produtos halal possa trazer problemas à sua imagem.

"Muitos empresários nos contaram terem recebido cartas ofensivas de consumidores alemães e não-muçulmanos, que de certa forma se sentiram ameaçados. Há obviamente sempre ataques de extremistas de direita e de ambientalistas militantes. Essa é uma razão por que muitas empresas, que de fato produzem produtos halal, não querem comunicar isso abertamente na Alemanha. Elas dizem: 'produzimos, mas não queremos propagar em alto e bom som nem fazer propaganda muito explícita disso'", conta Schlie.

Pouca visibilidade

Nas prateleiras dos grandes supermercados alemães são encontrados em média quatro mil produtos halal. Frequentemente eles não são etiquetados como tal e são, por isso, de difícil identificação para os muçulmanos.

Yavuz Özoguz, diretor do órgão de identificação halal M-Haditec, em Bremen, aponta que é preciso mudar essa prática na Alemanha. "Se você compara com a França, fica visível que lá há uma série de produtos etiquetados como halal, há de tudo. Isso também seria possível na Alemanha", observa.

Flash-Galerie Religion und Essen Islam

Milhares de consumidores na mira

O varejo alemão está atrasado. Nos últimos tempos, estão surgindo cada vez mais pequenos supermercados turcos e árabes, que importam seus produtos diretamente dos países muçulmanos. Schlie acredita, porém, que a população muçulmana na Alemanha não iria necessariamente passar a comprar seus produtos halal nos grandes supermercados do país.

"Como é uma questão de confiança, o freguês muçulmano que quer se alimentar somente à base de produtos halal iria com certeza dizer que um supermercado comum não pode oferecer esses produtos. Mesmo que ele achasse ali um produto com o selo halal, continuaria duvidando se é mesmo halal", diz Schlie.

Na França, o mercado halal, em franca expansão, é hoje duas vezes maior que o de orgânicos, por exemplo. No país vivem cinco milhões de muçulmanos, perfazendo a maior minoria étnica na Europa. Mesmo que não frequentem mesquitas nem rezem regularmente, muitos muçulmanos consomem produtos halal em determinadas épocas do ano.

A crescente busca por produtos halal levou a rede francesa de fast-food Quick a anunciar recentemente planos de triplicar o número de restaurantes que só vendem halal. Eles passarão a ser 22 em todo o país.

SV/dw/rtr
Revisão: Alexandre Schossler

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