1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Cresce número de mulheres que deixam Ocidente rumo ao "Estado Islâmico"

Cada vez mais jovens vêm deixando suas casas na Europa e na América do Norte em direção a áreas sob domínio jihadista. Idealismo político, busca por aventura e aceitação estariam entre os principais motivos.

Elas já haviam cruzado metade do caminho em direção à região sob controle do "Estado Islâmico", quando, no último fim de semana, foram interrompidas. As três americanas, de entre 15 e 17 anos, foram descobertas pela polícia em Frankfurt – e mandadas de volta para os Estados Unidos.

Outras meninas da América do Norte e também da Europa, no entanto, conseguiram chegar a seu destino final: a Síria. Entre as pessoas que voluntariamente estão se engajando junto ao EI, o número de mulheres ainda é baixo. Mas está aumentando.

Há poucos meses, o caso de uma estudante de 16 anos de Constança, no sul da Alemanha, causou frisson. Secretamente, ela atravessou a Turquia e viajou até uma área de treinamento na Síria.

Segundo cálculos de Katherine Brown, especialista em terrorismo da King's College de Londres, cerca de 200 mulheres já deixaram a Europa em direção à zona de conflito na Síria.

"O 'Estado Islâmico' oferece uma utopia política", explica a pesquisadora em entrevista à DW. "Há uma romantização a respeito da região sob domínio dos radicais islâmicos". Para Brown, também conta o fato de muitos muçulmanos se sentirem excluídos na Europa.

Há ainda os jovens, lembra Brown, que se sentem impulsionadas pela sede de aventura, algo parecido com o que ocorreu durante a Guerra Civil Espanhola, há mais de 75 anos. "Elas querem ser parte de algo novo, como mães do Estado e mulheres dos combatentes", afirma a pesquisadora.

Jovens são maioria

Segundo Burkhard Freier, diretor do departamento de proteção à Constituição da Secretaria de Segurança da Renânia do Norte-Vestália, pelo menos 25 mulheres deixaram o estado rumo às regiões sob controle do EI.

Syrien IS Kämpfer in Raqqa

Existe uma romantização a respeito dos jihadistas, diz especialista

"Essas mulheres são muito jovens, mais novas do que os homens. Elas têm entre 16 e 20 anos de idade apenas, e quase todas vêm de famílias de imigrantes", conta. "Houve ainda casos em que as mulheres dizem que na Síria podem viver muito melhor com a fé no islamismo e com o véu do que na Alemanha."

Muitas jovens integrantes do EI chegaram ao caminho da radicalização pela internet. Elas se deixam seduzir por vídeos, blogs e posts no Facebook divulgados por outras mulheres que vivem na área sob domínio dos jihadistas.

A rígida interpretação do Alcorão feita pelos radicais, porém, oferece na verdade pouco espaço para as mulheres. No mundo pregado por eles, cabem a elas apenas duas funções: de companheira leal do combatente e de mãe. Por princípio, mulheres não podem ir a combate.

No entanto, algumas acabam se envolvendo com atos de violência ou pelo menos se mostram como combatentes. Katherine Brown conta que leu em um blog de uma médica da Malásia: "Tenho meu estetoscópio e minha Kalishnikov, o que mais se pode precisar?"

Na semana passada, lembra ainda a especialista, foi publicada uma foto de um francesa com um cinturão de explosivos, como uma mulher-bomba.

Bildergalerie Alltag in Syrien unter IS Herrschaft

Mulheres tem pouco espaço no regime pregado pelos jihadistas

Fora dos campos de batalha

Burkhard Freier, porém, não acredita que essas mulheres participem de combates. "Elas servem para fazer vigilância e dar apoio aos homens", afirma. Ele conta ainda que muitas só se dão conta de seu papel limitado quando já estão lá – tarde demais para desistir e voltar.

Essa é exatamente a experiência pela qual duas jovens austríacas teriam passado. Após seis meses vivendo no "Estado Islâmico", casadas com jihadistas, elas teriam entrado em contato com amigos e contado que não aguentavam mais o banho de sangue.

Poucos meses antes, as meninas de 16 e 17 anos tinham publicado fotos de si mesas completamente cobertas por véus e segurando fuzis. Na época, elas anunciaram estar dispostas a morrer por Alá.

Tanto Brown quanto Freier acreditam que a radicalização das mulheres tem mais a ver com política e protestos do que com religião, pois muitas começam a viagem com pouco conhecimento sobre o que é de fato o islamismo e como isso afetaria suas vidas.

Leia mais