Cresce insatisfação da população com o governo na Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 16.06.2010
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Alemanha

Cresce insatisfação da população com o governo na Alemanha

Enquetes mostram que divergências entre partidos que governam o país provocam descrença na população e também em lideranças econômicas e políticas que são aliadas do governo.

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Merkel: empresários dizem que governo é fraco

As divergências cada vez maiores entre a CDU (União Democrata Cristã), CSU (União Social Cristã) e o FDP (Partido Liberal Democrático) – que formam a coalizão de governo na Alemanha – estão causando insatisfação entre a população e as lideranças econômicas e políticas do país.

Numa pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Opinião Allensbach, a serviço da revista Capital , 92% dos detentores de poder do país – no empresariado, na política e no setor administrativo – estão insatisfeitos com o atual governo.

"Que eu saiba nunca havia existido um nível de decepção tão alto logo após os primeiros meses de um governo", disse Renate Köcher, diretora do instituto.

Mais de 75% dos entrevistados acreditam que o governo de Merkel seja "fraco para resolver os atuais problemas". A pesquisa foi realizada com 533 lideranças do país, representantes de diversos setores, incluíndo 138 diretores-executivos de grandes empresas, 21 governadores e ministros e 32 altos funcionários administrativos.

Com um detalhe: Köcher explica que de 80% a 90% dos nomes do alto escalão do empresariado, consultados para a pesquisa, são partidários ou simpatizantes da CDU ou do FDP.

Empresariado: entre otimismo e temor

Symbolbild Sparen Euro Krise

Crise: momento difícil

Apesar da insatisfação com o governo, as lideranças econômicas na Alemanha parecem otimistas em relação aos efeitos da crise econômica. A maioria dos entrevistados afirma não sentir de forma alguma as consequências desta crise e o enfraquecimento do euro é visto como uma vantagem, já que propicia um crescimento das exportações.

Ao mesmo tempo, os empresários e políticos disseram não acreditar que a Grécia vá ser o último país da zona do euro a entrar em dificuldades. "A elite está, de fato, dividida, mas uma pequena maioria diz: o euro está realmente em risco a longo prazo", analisa Claudio de Luca, redator da revista Capital .

Dissonâncias com CSU e FDP

As divergências internas dentro da coalizão de governo também contribuem para arranhar a imagem da premiê. Metade dos entrevistados aponta Merkel como uma "chanceler federal frágil", uma alta de 25 pontos percentuais em relação à pesquisa realizada em dezembro de 2009 pela mesma instituição.

As divergências entre o partido da premiê e os parceiros de coalizão por ele preferidos – CSU e FDP – parecem maiores que aquelas entre o partido de Merkel e os social-democratas do SPD, partido com o qual a CDU governou anteriormente na chamada "grande coalizão".

Um bom exemplo é a política no setor da saúde. Embora as lideranças democrata-cristãs estejam muito mais em sintonia com as posições do atual ministro da Saúde, Philipp Rösler, do FDP, elas são obrigadas a selar acordos com os quais nem mesmo concordam para não contrariar a CSU, partido aliado da Baviera. A sensação de estar sendo "pressionados por Munique" envenena o clima político por completo.

Piores índices de aceitação

Bundeskabinett

Coealizão não funciona bem, acredita população

Outra enquete, realizada pelo Instituto de Pesquisa Forsa, em cooperação com a revista Stern e com a rede privada de televisão RTL, indica que o atual governo só conta, no momento, com o apoio de 37% da população, ou seja, 11 pontos percentuais a menos do que o resultado das eleições parlamentares no país, ocorridas há nove meses.

Índices semelhantes resultaram de uma pesquisa de opinião realizada pelo Instituto de Pesquisa Infratest Dimap para a emissora de direito público ARD, segundo a qual principalmente os liberais do FDP estão mais em baixa do que nunca.

De acordo com essa enquete, o Partido Liberal conta hoje com apenas 5% do apoio da população, o pior índice desde outubro de 2003. Pela mesma pesquisa, os indíces de satisfação com o governo do país andam baixíssimos, com apenas 12% dos alemães afirmando que a atual coalizão está fazendo um bom trabalho.

SV/rtr/dpa/apn
Revisão: Alexandre Schossler

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