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Mundo

Cresce desconfiança de aliados do Golfo perante Obama

Líderes de Arábia Saudita, Omã, Bahrein e Emirados Arábes cancelam participação em cúpula organizada pelos EUA, em atitude que expõe irritação com a forma como Washington está lidando com Teerã.

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Presidente Obama e rei Salman bin Abdul Aziz, da Arábia Saudita, em janeiro de 2015 em Riad

"Um Maquiavel na terra de ninguém." É assim que o analista político Michael Doran, do Instituto Hudson, em Washington, chama o presidente Barack Obama, afirmando que ele não é nem um inimigo previsível nem um amigo confiável. "Ninguém realmente confia nele e ninguém dá muita atenção ao que ele diz."

Isso ficaria particularmente claro no caso da Arábia Saudita. Obama aspira tratar seu aliado mais próximo no mundo árabe da mesma forma que o Irã, por exemplo. Assim, o presidente dos EUA pretende, segundo Doran, se posicionar como um mediador no Oriente Médio. "Com isso, ele irritou profundamente a Arábia Saudita e os outros países do Golfo", afirma.

A cúpula marcada para esta semana em Washington e Camp David acabou se tornando uma ocasião para os líderes dos países do Golfo mostrarem sua insatisfação com Obama. Não só o rei saudita, Salman bin Abdulaziz al-Saud, cancelou sua participação, mas também os líderes de Omã, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Todos enviaram seus vices.

O analista político Bruce Riedel, do Instituto Brookings, interpreta a rejeição do rei saudita como um sinal de que não confia em Obama. Diferentemente do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, os sauditas evitaram o caminho da crítica aberta. "Em vez disso, enviaram, com o cancelamento, uma mensagem clara ao presidente dos Estados Unidos", assinala.

Acordo nuclear na pauta

O New York Times atribui os cancelamentos principalmente a um "descontentamento contínuo" com a política de Obama em relação ao Irã. O senador republicano John McCain, um dos maiores críticos do atual governo, prevê, segundo o Washington Post, que "Obama terá dificuldades em convencer os aliados árabes de que eles não terão prejuízo algum com um acordo nuclear".

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A controvérsia em torno do Irã ofuscou os outros temas da cúpula, incluindo a luta contra o "Estado Islâmico", a guerra civil na Síria e o conflito no Iêmen.

"Obama quer ser futuramente aquele que pode chamar todo mundo e dizer 'somos adultos, vamos chegar a um acordo' em conflitos como no Iêmen ou na Síria", opina Michael Doran, se referindo à nova abordagem da política externa americana. "Ele dá importância, sobretudo, que o Irã participe. Ele acredita que o país, então, se comportará de forma mais construtiva que nas últimas três décadas."

Um ponto central, segundo Doran, é o acordo nuclear com o Irã, que Obama quer concluir a todo o custo, por considerar a questão ponto central de seu legado para a política externa americana.

Menor influência no Oriente Médio

A Arábia Saudita e os outros países do Golfo observam isso com suspeita crescente. O Irã tem se posicionado como uma potência muçulmana xiita, enquanto a Arábia Saudita, por sua vez, se vê como o protetor de todos os Estados islâmicos sunitas. Iraque, Síria e, mais recentemente, o Iêmen são as arenas em que ambos os países travam sua luta pela hegemonia regional.

Riad e seus aliados veem, em especial, um possível acordo nuclear com o Irã como um grande potencial de risco para a região, por associarem isso com um suposto expansionismo agressivo de Teerã. "A Arábia Saudita não está primariamente preocupada com a centrífuga, mas com a subversão e intimidação iraniana", opina Bruce Riedel.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita e os Estados do Golfo interpretam as negociações nucleares como uma prova da retirada dos EUA da região e da influência cada vez mais enfraquecida de Washington. "Essa é a única explicação para o fato de que os militares sauditas iniciaram uma intervenção no Iêmen sem consulta prévia aos Estados Unidos", diz Riedel.

Neste contexto, os Emirados Árabes Unidos reivindicam dos EUA amplas garantias de segurança, segundo o Washington Post. O jornal cita membros do governo, dizendo que eles exigem uma cooperação militar com seu país, semelhante à cooperação entre Washington e Israel. Ponto central deve ser um sistema conjunto de defesa antimísseis.

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Acalmando republicanos

O conselheiro-chefe de segurança da Casa Branca, Ben Rhodes, deu poucas esperanças a um acordo nos moldes dos que existem com Japão ou Israel. Os assessores de Obama para temas de segurança não se cansam de salientar que os EUA já estão na região com 35 mil soldados. Mas o presidente parece estar disposto a fornecer mais armas ao Oriente Médio e apoiar um sistema de defesa antimísseis.

Observadores em Washington não esperam que Obama consiga mitigar as reservas da Arábia Saudita. Por outro lado, é provável, segundo Michael Doran, que Obama consiga, com a cúpula, mostrar a seus críticos domésticos que ele estende a mão e coopera com os aliados árabes.

"Neste caso, o Congresso é a meta. Obama quer obter os votos necessários, para que o Legislativo não bloqueie o acordo com o Irã", diz Doran.

Devido ao fato de os republicanos controlarem o Congresso, Doran espera que a maioria seja contra um possível acordo nuclear. Mas, ao que tudo parece, momentaneamente, os republicanos não vão conseguir reunir a necessária maioria de dois terços para conseguir revogar um veto de Obama. O presidente está trabalhando para conseguir aliados suficientes entre os deputados. "E ele tem uma boa chance de conseguir isso", frisa Doran.

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