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Alemanha

Críticas a "Aliança pela Educação" exclusivamente cristã

Se as intenções eram boas, faltou refletir melhor. Políticos de diversas frentes condenam projeto da ministra da Família de tomar Igrejas católica e luterana como base para reforma educacional na Alemanha.

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Ministra da Família Ursula von der Leyen (CDU)

A "Aliança pela Educação" é uma idéia da ministra da Família, Ursula von der Leyen. Com o auxílio das Igrejas católica e luterana, ela deseja transmitir valores de vida às crianças e jovens da Alemanha. A idéia básica é que a educação em casa e nos jardins da infância deveria basear-se mais na visão de mundo cristã, fornecendo bons exemplos para a sociedade como um todo.

As primeiras críticas à iniciativa da ministra se dirigem exatamente a essa circunscrição aos valores cristãos. A porta-voz dos social-democratas (SPD) para questões de política familiar, Christel Humme, declarou ao jornal Financial Times Deutschland que "valores religiosos não se restringem às Igrejas católica e luterana". Ela advertiu contra os efeitos de discriminar as demais comunidades religiosas.

Para o secretário-geral do Partido Liberal (FDP), Dirk Nebel, "uma Aliança pela Educação na forma de dobradinha Ministério-Igreja é um aparato precário, totalmente ineficiente". Pois o fundamento ético da sociedade exige "tudo, menos um monopólio do Estado e da Igreja".

Base estreita

A líder da bancada verde no Bundestag, Renate Künast, lamentou "que as grandes Igrejas se tenham deixado instrumentalizar pela ministério comandado por Von der Leyen, prestando-se a um mero espetáculo de fachada". Em sua opinião, a aliança não dará conta de uma reforma educacional séria, já que parceiros essenciais não estão representados.

Para Künast, educar é algo bem mais abrangente do que apenas transmitir valores religiosos. A deputada Diana Golze, do Partido de Esquerda, disse temer que se trate de mais uma "bolha verbal" da ministra.

Já a deputada do SPD Kerstin Griese, também encarregada de assuntos da família, concorda, em princípio, com uma educação fundamentada em valores éticos. "Contudo, essa meta seria alcançada com maior sucesso se a aliança fosse forjada sobre base mais ampla", ressalvou a social-democrata.

Convite-álibi às outras religiões

O bispo luterano Axel Noack, da Saxônia, refutou as críticas à cúpula educacional. Afinal de contas, as duas grandes Igrejas cobririam quase 80% da população crente da Alemanha, disse ao Leipziger Volkszeitung. O também luterano Hans Christian Knuth, da Igreja Nordelbien, sediada em Kiel, declarou que, no seu entendimento, a Aliança pela Educação estaria aberta a todas as religiões.

Von der Leyen justificara sua decisão de, inicialmente, convidar apenas as duas grandes Igrejas, com o fato de serem elas que financiam 72% dos kinderhorte (estabelecimentos que acompanham as crianças fora do horário escolar). Mais tarde, as outras comunidades de fé também participarão, assegurou a ministra.

O presidente da Conselho Central dos Muçulmanos na Alemanha, Axel Ayyub Köhler, classificou a proposta como um "convite-álibi". Ele acredita que, "com a primeira reunião, os dados estarão lançados".Nessa Aliança "todos os não-cristãos estão excluídos", afirmou ao jornal Passauer Neue Presse. A ministra democrata- cristã não considerou que, nos jardins de infância e escolas dos centros de concentração demográfica, há muito os não-cristãos estão em superioridade numérica, sublinhou Ayyub Köhler.

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