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Mundo

Críticas à nomeação de Bolton para a ONU

O presidente Bush escolheu o ex-secretário de Estado adjunto para Controle de Armamento como embaixador dos EUA na ONU. Para tal, aproveitou-se do recesso do Congresso. Reações oscilam entre reticência e censura.

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George W. Bush (esq.) e seu novo embaixador na ONU, John Bolton

O presidente norte-americano, George W. Bush, nomeou nesta segunda-feira (01/07) John Bolton, ex-secretário de Estado adjunto para Controle de Armamento, como novo embaixador dos EUA na ONU. Depois de os democratas e mesmo alguns republicanos barrarem durante meses a indicação no Senado, o chefe de Estado fez uso do meio mais radical que a Constituição lhe permite. A nomeação deu-se por decreto presidencial, passando por cima do Senado, um fato sem precedentes na história do país.

Para tal, Bush aproveitou-se do recesso de verão do Congresso, que lhe permite tomar uma decisão desse porte sem a aprovação do Senado. O motivo para tamanha urgência é óbvio: a cadeira dos EUA na ONU está vazia há mais de seis meses, e já em setembro próximo a Assembléia Geral da ONU vai se reunir para deliberar sobre a mais abrangente reforma de seus 60 anos de existência.

Declarações antidiplomáticas

A oposição estadunidense condena não só os métodos do presidente como a escolha em si, alegando que o diplomata de 56 anos seria inadequado para o cargo, não só do ponto de vista pessoal quanto em termos de competência. Nos últimos tempos, Bolton tem primado tanto pela crítica cáustica às Nações Unidas, como por sua hostilidade aberta contra os que questionam a política externa da administração Bush.

O ex-encarregado do Controle de Armamento já chegou mesmo a questionar a própria existência da organização, nas ocasiões em que ela se interpôs aos interesses americanos. Como ao declarar: "Não existem 'Nações Unidas'. Só há uma comunidade internacional, que ocasionalmente pode ser liderada pela única superpotência. Se o prédio da ONU tivesse dez andares a menos, não faria diferença".

Mensagem nas entrelinhas

Enquanto isso, na Organização das Nações Unidas a notícia foi recebida com relativa fleuma. Alguns diplomatas declararam-se até mesmo aliviados de que o representante dos EUA seja finalmente alguém indicado pelo presidente.

O secretário-geral, Kofi Annan, afirmou que considera Bolton "muito capaz e inteligente". Ele acentuou a necessidade de cooperação nos próximos meses, "para implementar as reformas pelas quais tantos países-membros se empenharam". Fazendo jus a sua função de diplomata-mor, Annan evitou qualquer observação negativa contra o novo homem de Washington na ONU, ou sequer uma alusão às complicadas relações entre os EUA e a organização mundial.

Só nas entrelinhas permitiu-se uma mensagem velada: "Acredito que, quando um embaixador está realmente disposto a ouvir os outros, a trabalhar em conjunto e, em geral, a procurar termos de compromisso aceitáveis, então ele será bem-sucedido aqui", comentou Annan. Na central da ONU em Nova York, paira justificada dúvida de que o conservador linha-dura esteja disposto a compreender o sutil conselho do secretário-geral.

Na próxima página, leia as reações da imprensa européia à nomeação de John Bolton.

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